Garota, mulher, outras é aquele tipo de livro que chega em mim sem eu saber nada sobre ele. Não andei muito atenta às premiações internacionais do ano passado, então meio que ignorei que livro ganhou o quê. Ando com ranço de premiações — um beijo, Jabuti. Quando recebi o livro aqui em casa (enviado pela Companhia das Letras), me interessei, primeiramente, por ter sido traduzido pela Camila von Holdefer. E depois por ver um bem destacado “Vencedor do Booker Prize” na capa. Passei o livro na frente de todos quando muitos me falaram que ele era bom, e eu acredito demais na opinião alheia.  

Livros eram coisas que, na minha infância, pareciam inalcançáveis. Lembro de ter visto uma grande quantidade de livros apenas na casa de uma família: os patrões da minha mãe, que tinham uma vida bem mais confortável que a nossa. Apesar de ter passado anos naquela casa, os livros eram inacessíveis para mim, não só porque ficavam dentro de uma estante envidraçada, mas porque eram quase todos em um idioma que eu não compreendia. Eu gostava de ficar olhando para aquela estante, já gostava de ler os poucos livros que chegavam até mim. E eu desejava ter muitos livros quando eu crescesse, como os patrões da minha mãe.   

Para mim é difícil separar a obra de Domenico Starnone da de Elena Ferrante. Mesmo que os boatos de que os dois autores italianos sejam casados seja apenas isso, boatos, é inegável que seus livros conversam, e muito. Como Laços Dias de abandono, em que um parece ser o contraponto do outro. Durante a leitura de Segredos, seu mais recente romance lançado no Brasil (Todavia, tradução de Maurício Santana Dias), vi elementos de Ferrantes em vários momentos da história. Mas as semelhanças que, no começo do livro, me faziam lembrar Nino e Lila da tetralogia napolitana logo se desfizeram.  

Histórias sobre suicidas têm um certo apelo para mim. Houve uma época, anos atrás, que eu estava numa fase de ler só sobre suicídios: As virgens suicidas, do Jeffrey Eugenides; Norwegian Wood, do Haruki Murakami; Suicídios exemplares, do Enrique Villa-Matas. O que talvez diga muito sobre o meu psicológico daqueles dias. Sempre fui voltando para essas histórias, mas com parcimônia. A desse ano foi O amigo, de Sigrid Nunez (Editora Instante, tradução de Carla Fortino), vencedor do National Book Award de 2018.  

Sim, já recebi e li o novo livro de Elena Ferrante, A vida mentirosa dos adultos (tradução de Marcello Lino). A edição que comprei foi a do clube de assinatura Intrínsecos, da editora Intrínseca, que lançará o livro no formato padrão em setembro. Quando anunciaram um novo livro de Ferrante, nem me atentei muito sobre o que ele seria. Era Ferrante, já queria, e foi assim mesmo que comecei a leitura, sabendo pouca coisa.

Vocês devem ter percebido que as leituras de não ficção andam frequentes por aqui. Ando dando mais atenção a elas, seja por me interessar pelo assunto ou por querer conhecer mais sobre algo específico. Falso espelho (Todavia, tradução de Carol Bensimon) é um desses livros que mais aguardei a leitura. Jia Tolentino apresenta uma série de ensaios que refletem sobre a autoimagem, a internet, o discurso e tudo o que envolve nos expor e consumir conteúdos online. Além disso, traz boas questões sobre como enxergamos as mulheres nessas e em outras plataformas – como a literatura.

Li Mulher, solteira e feliz, de Gunda Windmüller (tradução de Petê Rissati) a convite da Primavera Editorial para o lançamento do livro aqui no Brasil. Uma leitura que chegou no tempo certo e que tem tudo a ver comigo e o que estou vivendo agora. Eu tive poucos namoros na vida e estou solteira há quase 10 anos. Por muito tempo achei que havia algo de errado comigo por estar solteira por tão longo período – e não vou mentir que, às vezes, ainda penso isso. Também não tenho grandes pretensões de, um dia, me casar, e a cada dia penso que o único futuro possível para mim é ficar solteira para sempre. E eu não vejo isso como algo ruim.