Em setembro do ano passado, eu tive um colapso mental no trabalho. Não chegou a ser um burnout, aquele esgotamento de quando a gente está com coisas demais na mão, fazendo mais do que as nossas capacidades, e acabamos tendo um troço. Foi mais uma coisa de “não é isso o que eu quero fazer, isso não está me fazendo bem, eu quero sair”. E saí. De lá para cá, minha relação com o trabalho está muito diferente. Isso porque decidi priorizar eu mesma, as minhas coisas e os meus desejos, e não priorizar o trabalho em si. Porque percebi que, para eu me sentir bem, eu não preciso estar sempre produzindo e sempre disponível — embora, tenha que dizer, essa vida de freela exija que eu esteja disponível, mas de um jeito leve, sem muitas cobranças. 

Raquel Tommazzi é artista, tem 130 quilos, estudou na Europa e usa sua arte para discutir a violência. Alexandre Tommazzi, seu irmão, é dono de uma rede de academias, religioso, daqueles que prezam a família e os bons costumes. Durante uma palestra em um seminário sobre a violência, Raquel é espancada em cima do palco por um homem que tem ligação com seu irmão. Esse acontecimento repercute no meio artístico, e uma cineasta europeia vem até o Brasil para entrevistar Raquel e Alexandre sobre esse acontecimento para um documentário que trata, também, da violência. 

#publi

Uma pergunta recorrente que recebo é como enviar livros para editoras e ser publicado. Sem dúvida, todo autor estreante quer ver seu livro nas livrarias, mas a verdade é que isso não é fácil de conseguir. Muitos autores novos não sabem como abordar uma editora, mandando, por exemplo  obras de um gênero para casas editoriais com uma linha de publicação totalmente diferente. 

Sabe aquele livro que te chama a atenção na livraria e você não pensa duas vezes antes de levar? Capa bonita, sinopse interessante, tudo nele grita “me compre!”, e você obedece. Com Uma noite, Markovitch, de Ayelet Gundar-Goshen (Todavia, tradução de Paulo Geiger) foi assim. Faz alguns anos que vi ele na livraria e comprei sem saber muita coisa. E por não saber muito acabei demorando horrores para ler. Nem mesmo quando Gundar-Goshen veio para a Flip, no ano passado, eu tirei ele da estante. Mas nesse ano chegou a sua vez. 

Garota, mulher, outras é aquele tipo de livro que chega em mim sem eu saber nada sobre ele. Não andei muito atenta às premiações internacionais do ano passado, então meio que ignorei que livro ganhou o quê. Ando com ranço de premiações — um beijo, Jabuti. Quando recebi o livro aqui em casa (enviado pela Companhia das Letras), me interessei, primeiramente, por ter sido traduzido pela Camila von Holdefer. E depois por ver um bem destacado “Vencedor do Booker Prize” na capa. Passei o livro na frente de todos quando muitos me falaram que ele era bom, e eu acredito demais na opinião alheia.  

Livros eram coisas que, na minha infância, pareciam inalcançáveis. Lembro de ter visto uma grande quantidade de livros apenas na casa de uma família: os patrões da minha mãe, que tinham uma vida bem mais confortável que a nossa. Apesar de ter passado anos naquela casa, os livros eram inacessíveis para mim, não só porque ficavam dentro de uma estante envidraçada, mas porque eram quase todos em um idioma que eu não compreendia. Eu gostava de ficar olhando para aquela estante, já gostava de ler os poucos livros que chegavam até mim. E eu desejava ter muitos livros quando eu crescesse, como os patrões da minha mãe.   

Para mim é difícil separar a obra de Domenico Starnone da de Elena Ferrante. Mesmo que os boatos de que os dois autores italianos sejam casados seja apenas isso, boatos, é inegável que seus livros conversam, e muito. Como Laços Dias de abandono, em que um parece ser o contraponto do outro. Durante a leitura de Segredos, seu mais recente romance lançado no Brasil (Todavia, tradução de Maurício Santana Dias), vi elementos de Ferrantes em vários momentos da história. Mas as semelhanças que, no começo do livro, me faziam lembrar Nino e Lila da tetralogia napolitana logo se desfizeram.