Todo lugar, das grandes metrópoles às pequenas cidades do interior, tem uma rua que reúne nele seus tipos, sua vida social. Avenida Paulista, Quinta Avenida, os calçadões de Ipanema, a Champs Elysées, a Rua dos Andradas… Podemos listar uma rua importante para cada cidade, onde as pessoas se encontram, flanam, trabalham, enfim, onde se cria todo o imaginário que vira retrato daquele lugar. No ano passado, a Cosac Naify publicou uma linda e interessante edição de Avenida Niévski, de Nikolai Gógol, um dos contos de sua série de histórias de Petersburgo escritas entre 1832 e 1842. É o cotidiano dessa avenida – na época, a principal da capital do império russo – que é retratado no conto.
O início da narrativa parece uma declaração de amor à Avenida Niévski, com Gógol exaltando a maneira como ela se transforma no decorrer das horas – mendigos e boêmios pela manhã bem cedo, ao acordarem, funcionários públicos a caminho do trabalho, os almoços, os passeios ociosos dos ricos durante a tarde, a turba barulhenta e ávida por contato social da noite. A avenida é portadora de uma misticidade que atrai para ela todos aqueles que querem ser vistos e querem ver. Uma avenida que é caminho, passagem, vitrine e inspiração. Continue reading










