Resenhas

Um pedacinho da história do Brasil

18081“Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil”. É isso que Laurentino Gomes, jornalista paranaense, relata no livro 1808: a fuga da Família Real de Portugal, por conta da invasão de Napoleão, e a sua permanência no Brasil até o retorno ao continente europeu.

Mesmo quem não gosta de história, deveria ler esse livro. Pelo menos algumas respostas para perguntas como “por que o Brasil é uma merda?” seriam respondidas. Uma merda no sentido do número de casos de corrupção e falta de respeito com o povo, não só por conta do governo, mas também do próprio cidadão para com o seu “próximo”. Explico tal frase porque sempre me dizem, quando falo isso, que o Brasil só parece ser ruim porque “pessoas como vocês ficam olhando para os outros países ao invés de olhar para o seu próprio”, e assim segue. Claro que há corrupção em todos os outros países, não estou dizendo que não, mas aqui a coisa parece ser mais escancarada e maior. Parece, mas mesmo não sendo, a qualidade de vida “lá fora” (leia-se Europa, por favor), não deixa de ser melhor do que aqui. Nisso acho que todo mundo concorda. Caso não, aceito sua opinião contrária, mas não abdico à minha.

Deixando de lado esse assunto, é interessantíssimo o relato do autor de como eram os costumes do povo brasileiro (e português) nessa época, além de constatar algo que se inverteu nesses mais de 200 anos da transferência da corte: a superioridade. Lá, em 1808, vemos que os portugueses se achavam maiores, mais dignos, mais honrados, do que os brasileiros (Para Carlota Joaquina, pelo menos, que no relato do autor considerava o Brasil uma terra de animais). Não sei qual é a atual opinião de Portugal sobre os brasileiros, pois nunca estive lá e também não conheço nenhum português. A dita inversão está no fato de que nenhum brasileiro deixa de fazer piada com a “duvidosa inteligência” portuguesa, tomando-os como ignorantes, enquanto nós somos mais inteligentes. Agora nós nos consideremos os superiores.

Ainda sobre os costumes, ressalto um que achei totalmente bizarro, que são os tiros de canhões que as naus tinham que disparar ao entrar em território brasileiro. Não só um gasto desnecessário como um terror para os ouvidos. Além dos “ritos” de higiene e modos à mesa que, sinceramente, me embrulharam o estômago (por parte dos brasileiros, por um lado, e dos portugueses, por outro). Felizmente estamos muito mais civilizados, e é nesses momentos que me sinto feliz por não ter nascido naqueles tempos. 2004-06-05-011

Laurentino Gomes usou de uma forma para levantar os dados do livro, além de relatos de outros historiadores, que marcou esse livro como diferente de outros de História (além da narrativa): usar as cartas de um arquivista real português no Brasil destinadas à sua família em Portugal para recontar a trajetória da Família Real. Luiz Joaquim dos Santos Marrocos, homem que inicialmente parecia ser insignificante, levantou fatos que ilustram a passagem da Família Real no Brasil, fazendo com que o livro não se fixasse apenas nela, mas também em todo o resto da corte e na sua própria vida.

Nunca me interessei muito pela História do Brasil, quer dizer, as aulas na escola não me deixavam interessada. Mas 1808 fez com que tal interesse aparecesse e, para quem gosta de História, o livro é uma boa recomendação. Não é, como diriam meus ex-colegas de ensino médio, chato. Laurentino narra de forma envolvente, que faz com que se tenha interesse em dar continuidade à leitura. Uma maneira eficaz de aprender um pouco mais sobre o Brasil. Gostaria que todos os livros de História fossem como esse.

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3 thoughts on “Um pedacinho da história do Brasil

  1. Thui says:

    Então. Eu já tinha conferido e sabia o que vinha por aqui.
    Tu já sabia que eu tinha gostado, apesar de eu não estar citado como REVISOR (hohoho)

    Gostei, pequeninhas. Dá até vontade de ler aquele livro. Sorte que te dei ele e posso pegar quando quiser ^^

    Aguardo as próximas.

  2. Eu até curto História, mas não costumo ler esse estilo de livro, mas por causa da sua resenha parece bem interessante – já tinha ouvido muito falar desse livro – e não tinha despertado interesse nenhum.

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