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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Desespero e delírios, mas pouco mistério

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Jogo Perigoso, do conhecido autor de suspense e terror Stephen King, conta a história de um casal em crise, que foi para sua casa no lago e, durante um joguinho sexual, Gerald, o marido, morre acidentalmente. É assim que a história começa, com a insatisfação de Jessie, que estava cansada de ser presa à cama para atender às vontades de Gerald. Entre a raiva e o medo do que ele poderia fazer, um impulso o matou e, para o desespero de Jessie, ficou sozinha presa à cama sem ter como sair.

Até aí, tudo bem, mas cadê o mistério? Pois bem. Jessie começa a receber visitas de um ser estranho, que sempre a observa do canto do quarto, de onde ela não pode sair. Um ser apavorante, que para Jessie, significa a morte. Dá até um pouco de medo nos momentos iniciais, mas quando vemos que nada acontece, e que o delírio da protagonista se intensifica, as próximas aparições da “morte” não são envolventes. E tudo não passa, realmente, de um delírio. Misturado a isso, a protagonista relembra fatos traumáticos de sua infância que a fazem tomar menos gosto pelo lugar em que se encontra, mas não é nada que acrescente algo na história ou que a ajude a sair da condição em que se encontra.

É interessante como quase toda a história do livro se passe no mesmo lugar, com a mesma situação. Mas depois de um tempo, além de agonizante (o que é importante até para entrar no clima da história), o livro se torna maçante. Mesmo as lembranças de Jessie não passam a sensação de local diferente, como se suas memórias fossem um teatro encenado no quarto vazio. Eu também tive dificuldade em perceber quanto tempo havia transcorrido desde a morte de Gerald. Às vezes pareciam apenas horas (o que realmente era), outras pareciam ser dias. Aliás, nem tenho certeza do tempo exato em que Jessie ficou na casa. Isso pode ser visto como ponto negativo ou positivo: ou o autor esperava provocar essa falta de localização no tempo, ou a história se mostrou tão confusa em algumas partes que foi difícil manter a compreensão da leitura.

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Eu senti necessidade de uma troca de cenário a cada nova linha, e como isso não acontecia, a leitura deixou de ser prazerosa para mim. Talvez eu devesse me colocar mais na situação da personagem para entender todo o medo que ela sentia, afinal ficar presa e sozinha em um lugar deserto, não deve ser uma experiência agradável. Todo tempo você pensa que vai morrer. Contudo, não achei o enredo convincente, onde horas Jessie se mostrava controlada e cautelosa, hora se rendia aos seus medos e temia mais ainda pela vida.

O final eu não conto, para não estragar a leitura de quem por ventura se interessar pelo livro. Mas para facilitar a escolha, se alguém quiser acatar à minha opinião, Jogo Perigoso está na minha lista de livros “indiferentes”. Pode até servir para uma distração, mas dentre as obras do autor, há muita coisa melhor para se ler. A forma de narrar de King é a mesma de seus outros livros. Porém ele foi infeliz no enredo e no seu desenvolvimento. Ficou tudo com ar de lembranças aleatoriamente jogadas no papel.