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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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O bom demônio de Anne Rice: O Servo dos Ossos

servoQue ironia. O primeiro livro que leio da Anne Rice não tem vampiros! Pois é, eu que fui na biblioteca à procura do nome dela pra ler sobre os seres dentucinhos e branquelos (nada contra vampiros negros, apenas uma analogia à falta de luz solar) acabei me interessando por uma obra sem vampiros. Em O Servo dos Ossos, Azriel, um jovem da Babilônia, é sacrificado em homenagem a um deus. No que seria seu sepultamento, feiticeiros ambiciosos de seu povo tentam transformá-lo em um demônio que seria capaz de fazer tudo o que seu mestre desejasse. O bom sacerdote se torna, então, O Servo dos Ossos, fadado à imortalidade e a cometer atos malignos em nome de seus mestres, porém amante da bondade e da justiça.

Depois de passar por vários países do mundo, vislumbrar importantes acontecimentos da História e recuperar suas lembranças perdidas depois do fatídico ritual, Azriel se vê nos Estados Unidos dos anos 90, contando toda a sua história à Johnatan, um famoso historiador americano. Vemos toda a trajetória de Azriel pelos séculos, e acompanhamos sua batalha contra Gregory Belkin, um milionário líder religioso.

No início achei a narrativa estranha. Não havia tido contato com outra obra de Anne Rice, então não conhecia a sua forma de escrever. A primeira parte do livro, narrada pelo escritor Johnatan, me confundiu um pouco, pois a maioria dos parágrafos eram falas de Azriel. As várias interrupções provocadas por Johnatan ao longo do relato de Azriel me confundiram em alguns momentos, mas isso tudo foi uma questão de costume.

anne_rice11A partir do momento em que Azriel passa a narrar o ocorrido entre ele e Belkin, sem intervenções de Johnatan, passei a apreciar mais a leitura. Em alguns trechos a autora ainda nos lembra que a história está sendo contada para outra pessoa. Eu, particularmente, depois de me familiarizar com o primeiro método narrativo, achei-o interessante, e isso me fez apreciar mais o livro. Passa maior sensação de realidade, a história sendo contada à alguém, e não aquilo que vemos em filmes e séries: uma cena se desenrolando como se fosse um vídeo gravado na mente dos personagens, onde vemos tudo como realmente aconteceu, e não apenas do ponto de vista de quem está narrando.

O interessante do livro é o grande número de detalhes. Anne mostrou a evolução de Azriel, de demônio sem vontade própria, à mercê de seus mestres, até o momento em que ele se vê livre de qualquer vínculo com os feiticeiros e passa a agir por vontade própria. Tudo explicado minimamente para entender como Azriel conseguiu atingir esse ponto, e entender o envolvimento dele com Belkin.

É uma aula de história antiga. Azriel passa por muitos lugares e vislumbra acontecimentos importantes. A história se ilustra por si só. Elogios merecidos à Anne Rice, que fez uma ótima pesquisa sobre costumes babilônicos e outros aspectos culturais presentes na narrativa. Pode parecer uma leitura carregada em alguns momentos, mas os detalhes são cruciais na criação desse personagem, que proporcionou uma história cheia de ação e emoção.

Obs.: Essa resenha foi publicada originalmente no Ambrosia.