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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Todos falam de Crepúsculo

crepusculoTodos têm que ter uma opinião sobre best-sellers, por mais tardia que seja. E para ter uma opinião sobre certa coisa, é necessário conhecê-la, por isso resolvi ler Crepúsculo, de Stephenie Meyer. As críticas sobre a criação da autora são muitas. Os fãs rechaçam os que falam mal dos livros, os que falam mal desprezam os fãs. Há exceções, claro, mas falo do comportamento mais freqüente. Todo esse frenesi em cima da série Twilight me deixou muito curiosa, e eu não gosto de ficar nesse estado por muito tempo. Queria logo saber se o livro era aquela grande porcaria como alguns diziam, ou se era a obra mais maravilhosa de todos os tempos. Consegui o livro por um preço que não me deixaria frustrada caso não gostasse dele, e comecei logo a leitura.

Acredito que não preciso entrar nos detalhes do que o livro trata, então pulo logo para o que achei dele. Crepúsculo é uma idéia boa, mas mal escrita. Eu realmente adorei o enredo, as situações e as personagens. Bella é muitas vezes irritante, sim, mas simpatizei muito com ela. Digamos que temos a mesma desenvoltura nos esportes. E Edward, bem, ele é simplesmente a coisa mais interessante em todo o livro. A ansiedade de Bella em estar sempre junto dele é compartilhada, com certeza, com a maioria das leitoras. Aliás, o livro seria muito melhor se fosse narrado por Edward.

Gostei também dessa nova roupagem que Meyer deu aos vampiros. Acho interessante pegar uma entidade já conhecida e transformá-la, mas isso quando são criadas personagens diferentes das que existem. Afinal, seria horrível ver Lestat andando pela rua durante o dia. Crepúsculo é, realmente, uma adaptação dos vampiros ao mundo moderno, mais precisamente ao mundo das adolescentes, e não encontrei pontas soltas na história dos vampiros de Meyer.

Agora, vamos às críticas negativas. Achei o texto de Meyer fraco. Há nele muitos erros gramaticais e repetições diversas que cansam a leitura em alguns momentos. Dá vontade de gritar “ok, eu já percebi que os Cullen são lindos, podemos pular essa parte?”. Considerei a obra um diário (o que realmente é) que decidiram publicar sem revisar antes. Parte desses erros podem ser da tradução portuguesa, mas acredito que muito disso foram falhas da autora.

Nã poderia deixar de colocar esses dois, né?Nã poderia deixar de colocar esses dois, né?Mesmo assim, Meyer conseguiu me manter presa na história, num clima de expectativa que fazia com que eu virarasse cada página constantemente. E ela sabe bem o que seu público alvo gostaria de ler: um romance cheio de provocações, suspiros e limites que tornam a trama ainda mais atraente às mulheres. Crepúsculo é assim. Sabe aquele vai ou não vai sufocante que as mulheres submetem aos homens e que os deixam com raiva? Exatamente isso. É um não me toque, um beija ou não beija incessante. Porém, gostei disso, fazer o que?

Resumindo, fico no meio termo: gostei da história, mas achei mal escrita. Fiquei com curiosidade de conhecer os outros livros e, pasmem, até de ver a adaptação cinematográfica de Crepúsculo. Sei que vou desgostar mais ainda da forma que levaram a história aos cinemas, mas verei mesmo assim. Não considero Crepúsculo uma grande obra, longe disso. No entanto, ao público a que se destina, o livro serve. E eu cultivo uma pontinha de esperança de que Stephenie Meyer melhore sua escrita nos livros seguintes.