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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Finais que fazem o livro valer à pena

Tem certas obras que, mesmo com bom enredo, sendo bem escritas e envolventes, não marcam tanto o leitor. São aquelas que classificamos como “mais ou menos”, que não são ruins, mas também não surpreendem. Infelizmente, no mundo há mais livros assim do que os realmente bons, e felizmente são maioria em relação aos ruins também.

É raro encontrar um livro e achá-lo “revolucionário” logo no primeiro capítulo. Geralmente, nas últimas páginas o livro mostra para o que veio. É justamente aqui que uma obra pode passar de livrinho água com açúcar para figurar nas listas das melhores narrativas. Faço então a minha lista de livros com finais que mudaram totalmente a minha opinião sobre eles. Não se preocupem, não haverá spoiler algum aqui.

hannibal-203x300Hannibal

Já vou dizendo: o final do filme é bem diferente do final do livro. Para quem ficou só na versão cinematográfica, recomendo ler a obra original e ver as mudanças feitas para o filme. Hannibal, de Thomas Harris, é a continuação do clássico O Silêncio dos Inocentes. Anos depois da fuga do Dr. Lecter, uma batida feita pela agente Clarice Starling complica a sua carreira policial e faz o psicopata dar o ar da sua graça novamente. Enquanto tudo indica que Starling será afastada do trabalho, Hannibal entra em contato com ela através de cartas e novos assassinatos. Porém, dessa vez Dr. Lecter não é alvo apenas da polícia, mas também de uma vítima que sobreviveu ao seu ataque.

O final dessa trama foi o responsável pela ausência de Jodie Foster no papel de Starling na adaptação para os cinemas. Segundo a atriz, o final dado para a personagem, principalmente no que diz respeito sobre sua relação com Hannibal, não foi muito ético. Mas é aí que está toda a graça da dela. Infelizmente, os roteiristas pensaram a mesma coisa que Foster e reescreveram as últimas partes, alegando que o final criado por Thomas era impossível de ser filmado. Aqueles que ficaram curiosos saibam que vale a pena conhecer o desfecho original de um dos melhores personagens da literatura.

cronicas-de-narnia-211x300As Crônicas de Nárnia

Falo aqui da última aventura escrita por C. S. Lewis sobre Nárnia. Quem tem o volume único das Crônicas é fácil: trata-se do último livro, o final definitivo da história. Caracterizado como infantil, as crônicas desse mundo paralelo atraem tanto crianças quanto adultos. A fantasia e as mensagens nas entrelinhas da obra servem como lição para pessoas de todas as idades. Em A Última Batalha, Eustáquio, primo dos Pevensie, e Jill, sua amiga, enfrentam em Nárnia a invasão da Calormânia. Além da ameaça exterior, conflitos entre os habitantes de Nárnia abalam a estrutura do Reino dos animais falantes.

Acho que Lewis não poderia descrever melhor o final da história. O livro já começa com aquela sensação de fim da fantasia. A terra que antes era próspera e calma está caindo nas garras dos seres gananciosos. Toda a pureza encontrada em Nárnia está se dissipando. E o reencontro final de quase todas as personagens é o que fecha definitivamente o “intercâmbio” Inglaterra-Nárnia. Em momento algum da leitura pensei que o final poderia ser assim como ele é. Talvez porque esperamos que tudo dê certo em uma história infantil. Tudo dá certo, mas nem tanto. E foi isso o que surpreendeu, por ser algo totalmente inesperado, mas presente diariamente na nossa realidade. As Crônicas de Nárnia mostram para as pessoas que tudo tem um fim.

Esse texto não é só para indicar esses dois livros, mas também para passar uma mensagem de alerta: não importa como é o livro, ele pode mudar totalmente no final. Passar de “mais ou menos” a maravilhoso, ou até o contrário. Então, por mais cansativa e chata que uma leitura possa parecer, pode valer a pena no final. E livros bons podem ficar melhores ainda. Os fins justificam os meios, e é aí que você percebe se a obra é boa ou não. Isso pode trazer muitas decepções, claro, mas as surpresas serão sempre lembradas.