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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Os Filhos do Imperador, de Claire Messud

os-filhos-do-imperadorAclamado pela crítica, Os Filhos do Imperador, romance da americana Claire Messud, não fez muito sucesso entre os leitores. Situada na Nova York anterior aos ataques terroristas de 11 de setembro, a trama de Claire conta a história de três amigos formados em jornalismo que se vêem aos 30 anos de idade certos de que foram designados para uma grande tarefa. Porém, não tem ideia de que grande contribuição eles darão ao mundo, nem de como fazer isso.

Amigos desde a faculdade, os três estão insatisfeitos com suas vidas, preocupados por terem chego aos 30 anos sem ter dado nenhuma grande contribuição ao jornalismo mundial. Marina está sem emprego e há anos escrevendo um livro cujo conteúdo não lhe interessa mais. Além de se ver à sombra de seu pai, Murrey Thwaite, jornalista cultuado de Nova York, e ter a sensação de ter que estar à sua altura. Julius, também sem trabalho fixo, se sustenta com suas críticas de cinema e literatura. Até é conhecido no meio, mas sua vida pessoal não é nada invejável, e vive em busca de um namorado fixo. Danielle é a única que tem estabilidade na profissão, trabalha como produtora de documentários, mas está à procura de um tema interessante que agrade ao seu chefe e à ela também. Em meio a novas experiências e oportunidades, os três filosofam sobre o que fazer da vida, e como fazer.

A descrições dos lugares e personagens são jogadas, não há introdução nem explicação prévia sobre o que está acontecendo e de quem é quem. Conforme a história se desenrola, descobrimos o caráter da personagem e suas relações com os demais componentes da trama. O leitor pode se sentir um pouco confuso no início, mas esse é um método mais eficaz na hora de familiarizá-lo com a história, como se ele sempre fizesse parte dela. Um ponto negativo da narração de Messud são as inúmeras interrupções nos diálogos e descrições da obra. Entre as vírgulas de uma sentença estão um ou vários parênteses que cortam a narrativa com as impressões e pensamentos das personagens, muitas vezes desnecessárias.

A sinopse do livro dá uma esperança ao leitor que não é afirmada. Talvez seja por isso que muitos não gostem de Os Filhos do Imperador: compraram pensando que verão uma grande crítica à sociedade com muita ironia e sarcasmo, e se depararam com pessoas adultas com problemas que parecem infantis. Se há alguma piada entre as páginas, elas são internas, entendidas apenas pelas personagens. Para muitos, isso transformou o livro em apenas mais uma obra com capa bonita e sinopse legal, mas com um conteúdo que deixa a desejar.

Sobre a trama, pareceu que o enredo é mais concentrado no jornalista Murrey Thwaite do que na vida dos três amigos em si. Grande parte das complicações da história estão centradas na relação dele com as outras personagens, como se ele fosse a causa de todos os seus problemas. Por isso Julius fica mais afastado da história. Ele não parece fazer parte do círculo apresentado no livro, e suas aparições são cansativas de acompanhar e pouco interessantes por conta dessa ruptura de laços entre as personagens.

O mais interessante no livro é a narração dos atentados do 11 de setembro de 2001, visto pelos olhos das personagens e, consequentemente, por diferentes ângulos. É aqui onde os 3 amigos se vêem mais próximos dos outros nova-iorquinos, pois depois da queda das torres do World Trade Center não são apenas eles que se vêem perdidos. É uma demonstração de como não só a paisagem da cidade mudou, mas os planos e objetivos de todos foram alterados pelo atentado. Entretanto, parece que faltam algumas coisas no seu final. Tudo termina praticamente da mesma forma como começou, com caminhos incertos e falta de direção. E como muitas vezes é dito no livro, as pessoas devem ser pegas de surpresa. E foi isso o que Messud fez: o final chega de surpresa, mas não completo.

Os Filhos do Imperador é um bom livro, mas difícil de entender. Talvez porque apenas pessoas em situações similares à de Danielle, Julius e Marina consigam compreender realmente seus tormentos, que aos olhos dos outros pareçam fúteis e sem sentido. Porque é disso que o livro trata: incerteza e insatisfação. De querer ser notado e se achar acima de certas atividades e por isso ficar parado no mesmo lugar. O enredo é subjetivo, e muitos podem terminar sua leitura com a sensação de que ele não fala sobre absolutamente nada. Mas fala, e talvez seja necessária mais uma leitura para perceber isso.