Mais um livro da Não Editora caiu em minhas mãos. E para não fugir da tradição, é mais um livro bom. E de contos. Trata-se de Fora do Lugar, um dos recentes lançamentos da cena literária gaúcha. O livro é a segunda publicação de Rodrigo Rosp, que em 2007 lançou A Virgem que não Conhecia Picasso. Bem humorado, de uma maneira bem cafajeste (classificação minha), o autor apresenta diversas histórias que chegam a beirar ao absurdo.

O conto que dá nome ao livro representa claramente o que a falta daquela pessoa com a qual convivemos causa. Tudo sai do lugar, tudo parece estranho. Romântico, não? Até a última frase sim. Rosp surpreende o leitor com seus desfechos corretos aos seus modos: abruptos, estranhos e cômicos. Calada e Redundante também beira ao romantismo, só que mais sombrio. Homens se sentirão satisfeitos por verem nas palavras de Rosp o sonho de ter uma mulher que não fala. Um conto, digamos, mórbido.

A linha que monta o enredo algumas vezes são interpretações ao pé da letra, como no em Engolidora de Espadas, que realmente devora as coisas. Ou então usa o jogo de interpretações, exemplo de Linguística, sobre uma apaixonada por línguas, e Poeteiro, mostrando que todo o homem tem um poeta dentro de si. Ou, melhor dizendo, expele o poeta.

Fora do Lugar é curto, fácil de ser lido e compreendido. Isso não significa que é um livrinho mamão com açúcar, mera diversão do tipo que alegra adolescentes. Como alguns autores brasileiros já me mostraram, é possível combinar simplicidade e genialidade, montando obras envolventes e de conteúdo. Rodrigo Rosp não fica atrás. Fora do Lugar deve ser apreciado como uma espada… ou uma língua.