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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Doze, de Nick McDonell

Jovens escritores sempre pipocaram na literatura, mas não é fácil encontrar um que seja realmente bom. Christopher Paolini, que escreveu Eragon aos 15 anos de idade, deixou a desejar, e é assim com a maioria dos adolescentes que tiveram algum livro publicado. Acabam merecendo crédito apenas por terem escrito algo em plena juventude, e só. Mas com Nick McDonell foi diferente. Aos 17 anos, durante suas férias de verão, escreveu Doze, seu livro de estréia, publicado aqui pela Geração Editorial. O livro foi muito bem aceito pela crítica, que o considerou O Apanhador no Campo de Centeio da atualidade.

Doze é um livro que dá voz aos adolescentes, assim como J. D. Salinger fez em seu grande sucesso. Acompanhamos os dias que se passam entre o Natal e Ano Novo de um grupo de jovens ricos de Nova York. À primeira vista, parece ser uma história fútil sobre riquinhos aproveitando a vida, mas é bem o contrário. White Mike, o protagonista, é um traficante. Começou a vender drogas na escola para seus colegas. Embora tenha um forte contato com ela, não é usuário. Apenas satisfaz o desejo daqueles que querem desmoronar a própria vida.

Ele tem opiniões diretas sobre a sociedade, é disciplinado e reflete sobre o que vê, enquanto o resto vive em baladas. Com uma narração sem rodeios, McDonell mescla a história presente de Mike com lembranças que nos ajudam a entendê-lo, relacionando em suas linhas diversas referências da cultura jovem atual. Através dele percebemos o mundo fútil em que esses adolescentes vivem, onde todos seguem um padrão considerado o mais “legal”. Mike sabe que essa é uma forma deprimente de se levar a vida, e despreza aqueles que o fazem, e lucra com eles.

Uma das personagens diz durante a trama que White Mike não bebe nem se droga por gostar do poder que a sobriedade lhe em meio aos chapados. Isso explica seu comportamento em relação aos outros, de sentar e ver de longe o que vai acontecer. Ao mesmo tempo, ele mostra se importar com algumas pessoas. Isso é bem perceptível no final do livro, narrado e pensando perfeitamente, surpreendendo o leitor.

Doze é um bom relato do que a juventude faz nos dias de hoje, mesmo sendo publicado pela primeira vez há oito anos. Nesse tempo, muita coisa pode mudar, e certamente o comportamento adolescente se alterou de lá para cá. Mas pelo que se vê, as mudanças foram para pior. Há 50 anos, Salinger entendeu os jovens, e agora McDonell nos mostra como valores desvirtuados e a carência os tornaram violentos, perdidos e sem compromisso com o futuro. Um romance com conteúdo, simples, bem elaborado, e surpreendente, digno do título que ganhou.