O mundo vai acabar em 2012. Dizem isso há centenas de anos, mas com a aproximação da data, cada vez mais se fala do fatídico dia 21 de dezembro de 2012. Ela está errada. O fim do mundo vai acontecer depois disso. Infelizmente, não muito depois: 31 de julho de 2013, às 13h13. Análises de antigas escrituras de vários povos apontam para esse dia, inclusive o Maia, que com uma nova tradução teve a data alterada. Como sei? Porque recebi Cartas do Fim do Mundo.

O livro reúne textos de diversos autores nacionais retratando esse fim. Organizado por Nelson de Oliveira e Claudio Brites, essa antologia publicada pela editora Terracota nos trás relatos do futuro feitos por pessoas que presenciaram nosso fim, e entram em contato com seus antepassados (ou com elas mesmas) para alertá-los sobre ele e dizer: “Não haverá volta. O mundo vai acabar, quer você queira ou não”. Entre os autores estão Moacyr Scliar, Xico Sá, Luís Dill e Brontops Baruq, mais escritores novos e experientes que retratam o Apocalipse de diversas formas.

É interessante ressaltar que o que traz o fim do mundo não é o principal foco dos textos, mas sim a reação humana a isso. Cada autor idealiza seu final. Podem ir de efeitos do Aquecimento Global à fúria divina. Podem ser dilúvios, terremotos, asteróides, ou todos eles juntos, como fez Luís Brás – incluindo aqui uma invasão de insetos e plantas superinteligentes. Pode ser a seca, o frio, a falta de qualquer espécie de recurso natural. Ou pode ser um vírus que acabou com a internet e qualquer mundo “virtual”, como pensou Luís Dill. Mas todos eles dão voz às pessoas, aos sentimentos e comportamentos delas em frente ao fim absoluto.

Lúcio Guedes se destaca pela forma com que retratou o desespero das pessoas ao perceberem que haverá um fim. Brontops Baruq também, mas por dar uma visão geral desses comportamentos, mostrando que algumas pessoas preferem viver seus últimos dias da forma mais intensa possível, enquanto outros se jogam às preces. Luís Brás surpreende ao fazer sua personagem bolar um plano para salvar a própria pele indo para Marte.  Já Fausto Fawcett faz rir com a ausência do sr. Armagedon, que agendou o fim do mundo e não compareceu.

Não importa como o mundo vai acabar, mas sim como lidaremos com a “notícia”. Afinal, ao pensar no fim do mundo, as perguntas que nos vem na cabeça são “o que faremos?”, “o que podemos fazer?”, “como aproveitar nossos últimos dias?”. Não chegam nem perto de “como será o fim?”. Isso é o de menos no livro. Cartas do Fim do Mundo reúne muitos textos ótimos, praticamente todos valem a leitura. Inclusive o artigo científico exposto no final – que ainda não sei se é real ou não – com toda a teoria sobre a data fixada pelas antigas civilizações para esse fim: 31 de julho de 2013. Às 13h13. Mera superstição ou não, ela se aproxima. E é melhor se comportar até lá.