r.izze.nhas

Resenhas e aleatoriedades literárias.

Menu Close

Eclipse, de Stephenie Meyer

Comemorando a data cada vez mais próxima da estreia do novo filme da saga Crepúsculo nos cinemas, a editora Intrínseca lançou uma nova edição do livro Eclipse, com capa referente ao longa. Como só havia lido Crepúsculo, e recentemente A Breve Segunda Vida de Bree Tanner, Eclipse é novidade. Mas até certo ponto, porque assim como o primeiro livro – e provavelmente como o segundo, Lua NovaStephenie Meyer não muda sua forma de narrar: se arrasta em centenas de páginas sem relevância e bota toda a ação no final.

Depois de Edward e Bella voltarem juntos da Itália, para onde o vampiro foi em uma tentativa deprimente de se afastar da humana para lhe dar segurança, mas causando um ataque de nervos nela, o casal tem outra preocupação além dos Volturi. Uma série de brutais homicídios assola Seattle, nas proximidades de Forks, e o que parecia ser trabalho de um serial killer é, na verdade, ação de vampiros. Além do fato de estar sendo perseguida pela vilã Victoria, Bella tem que lidar com seu melhor amigo, o lobisomen Jacob, perdidamente apaixonado por ela. E claro, tentar convencer Edward em transformá-la em alguém “da família” antes do prometido.

Deve-se repetir uma conclusão sobre a série: ela tem tudo para ser uma história realmente boa, mas infelizmente foi Stephenie quem a escreveu. Uma trama envolvendo vampiros, lobisomens e humanos, se transformou em puro romance e lamentações, sem falar das adaptações das características de seus vampiros. Sim, o fato desses imortais brilharem ao sol ao invés de virarem cinzas realmente incomoda. A narração das lendas da tribo quileute e dos lobisomens é muito interessante, mas como compõe uma parte muito pequena da narrativa, ela não salva o livro.

Bella ainda está tão irritante quanto antes, e em uma história com tantos seres para explorar, é desagradável ela ser o centro das atenções, o que não pode ser alterado: ela é a narradora. Por conta disso, o livro se estende em sua melancolia e teimosia. Suas divagações ocupam todas as páginas, quando a história ficaria muito melhor se abordasse mais o perigo que a envolve. Outra personagem que não agrada é Edward. Não tem como suportar sua perfeição, seu peito de mármore, frio e duro, como Stephenie tanto gosta de repetir – e aqui está outra falha da autora, a repetição. Vampiros não deveriam ser tão melosos, altruístas e pacificadores. Essas características não fazem parte de um clássico vampiro. Cadê a sedução? As mentiras? A manipulaçãi para saciar a sede de sangue? Por fim, Jacob é o único que vale a pena, por ser impulsivo e bem-humorado, e ganhou uma parte só para ele no fim do livro mais que merecida.

Levando em conta os fãs da série que sentem as pernas tremerem ao ouvir falar em Crepúsculo, Eclipse parece ser o mais interessante dentre os livros até então. Ver sua protagonista dividida entre dois “homens” aparentemente perfeitos é de tirar o fôlego de qualquer garota. Só que romance e disputas pelo amor de uma pessoa não é um assunto tão interessante perto de outras histórias de vampiros e lobisomens.