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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Elvis e Madona, Uma Novela Lilás

Amor, crimes, preconceitos e Copacabana. Luiz Biajoni, autor de Sexo Anal – Uma Novela Marrom, e Buceta – Uma Novela Cor-de-rosa, volta com mais um livro que esbanja naturalidade e talento na narração. Dessa vez, tendo com protagonistas personagens bem diferentes. Elvis e Madona – Uma Novela Lilás é originado do filme homônimo de Marcelo Laffitte, ambos com previsão de lançamento para setembro, e é uma história para saborear e também refletir. Aqui, as personagens são o travesti Adailton, ou Madona, para todos os outros, e a jovem mineira Elvira, ou Elvis, como prefere ser chamada. Os dois, ou as duas, compõem uma história bem humorada e que mostra que a amizade e o amor não tem preconceitos.

Madona já é velha no mercado: gravou filmes pornôs durante um tempo, enquanto vivia com o malandro João Tripé, mas seu verdadeiro sonho era fazer um show transformista. Todo o dinheiro que ganhava guardava para esse evento, mas João sempre dava um jeito de tirar algum valor dela. Já Elvis foi para o Rio de Janeiro querendo ser fotógrafa de um grande jornal. Porém, enquanto essa chance não chega, ela sobrevive fazendo books de adolescentes e entregando pizza com sua Harley Davidson. Anda infeliz tanto com a vida profissional quanto com a pessoal, já que terminou o relacionamento com sua namorada.

Madona, depois de largar os filmes e João Tripé, trabalhou durante muito tempo como cabeleireira, já tendo juntando uma quantia relevante para realizar seu sonho, e também se apresentando em casas de show esporadicamente. Para assombro dela, João Tripé retorna, e rouba tudo da travesti. Inconformada, Madona cai em prantos, e é aí que conhece Elvis. Ao ir até sua casa fazer uma entrega, a garota vê Madona de uma forma deplorável. Tenta ajuda-la de toda forma e a consola. A simpatia daquela baixinha “sapata” conquista a travesti. Para retribuir a gentileza Madona a convida para uma apresentação, e é aí que Elvis vê todo o potencial de sua nova amiga.

Elvis e Madona tem uma abordagem delicada da sexualidade, pelo menos para alguns. Se um homem se diz gay, ele é incapaz de se apaixonar por uma mulher. E se uma mulher é lésbica, acontece o mesmo. Mas aqui ser gay ou lésbica não importa. Elvis e Madona engatam um relacionamento lindo que vai além dos rótulos. Para as duas – ou os dois – , não importa o gosto sexual de cada um, mas apenas a vontade de estarem juntas. E por isso o livro se mostra tão relevante: não há estranhamento no relacionamento tão forte entre um gay e uma lésbica.

Como sempre, Biajoni narra de forma divertida e descompromissada, utilizando a linguagem popular sem ser forçado ou vulgar. É isso que torna o livro tão verdadeiro e palpável. Ele mantém a estrutura de seus outros livros, utilizando muitos diálogos em trechos curtos, fazendo a narrativa parecer realmente uma novela. Ele também passa a sensação de estar em Copacabana, fazendo com que do livro saia o calor e a atmosfera do lugar. Sem ser rebuscado, Biajoni faz de Elvis e Madona uma história que diverte e, ao mesmo tempo, traz a reflexão sobre o amor, amizade e diferenças.