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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Sussurro, de Becca Fitzpatrick

Nesses tempos onde vampiros brilham no sol, ou moram em Dallas e bebem sangue sintético, ou então estudam em escolas especiais para imortais, uma história envolvendo outros seres que não sejam os dentuços chega com certo alívio. Finalmente alguém mudou o foco dos vampiros para alguma outra coisa tão interessante quanto. Contudo, a essência não muda: são romances repletos de paixões adolescentes avassaladoras que não trazem nada mais ao leitor além de uma empolgante história de amor. Sussurro, da americana Becca Fitzpatrick, mantém esse rumo na sua trama que troca vampiros por anjos caídos.

Nunca nenhum garoto despertou a atenção de Nora Grey. Na verdade, aos 16 anos, seu foco sempre esteve nos estudos, nas suas boas notas, no seu trabalho no jornal da Coldwater High School e na capacidade de conseguir uma bolsa em uma boa universidade. Era assim até seu professor de Biologia ter a péssima ideia de rearranjar a sala, colocando um aluno novo ao seu lado. Ele é Patch Cipriano, prepotente, arrogante, e extremamente charmoso. Ele não esconde em momento algum que suas intenções não são tirar boas notas, mas sim tirar Nora do sério alardeando seu desejo por ela.

Patch não é normal. Não só pelo seu comportamento que deixa Nora morrer de ódio por ele. Ele não é humano. Patch é um anjo caído, que teve suas asas arrancadas ao ser expulso do céu e obrigado a passar a eternidade na Terra vivendo junto aos humanos. Para Nora, a atitude de Patch que apenas parecia inconveniente vai além disso, e ela passa dias tentando descobrir os mistérios por traz dele enquanto busca forças para resistir aos seus encantos.

Sussurro é o primeiro livro da série Hush, Hush, chegando aqui no Brasil na semana passada pela Intrínseca. Becca monta um enredo em volta dos anjos, criando um conflito entre eles e os nefilins, filhos de humanas com esses seres. A primeira diferença entre Sussurro e Crepúsculo, para comparar, é que há um sentido na aproximação de Patch com Nora. Não foi algo ao acaso, mas premeditado, pelo motivo de Nora ter uma ligação forte com os anjos.

Outra diferença é o protagonista. Não há declarações de amor melosas vindas de Patch. Ele é direto e provocante, e não quer fazer Nora se derreter com suas declarações, mas desconcertá-la. Esse jeito despretensioso e bad-boy atrai tanto Nora quanto as leitoras. E é aqui que aparecem as falhas de Sussurro. O livro não passa de puro entretenimento feminino, povoado por muita sensualidade e diálogos de tirar o fôlego e fazer qualquer uma ficar caidinha por Patch. E só.

O objetivo de Becca não é criar uma trama complexa que envolva anjos caídos e nefilins. Ela quer mesmo é contar uma história arrebatadora que nem fala em si de amor, mas de atração. O que faz o livro ser bem menos interessante. Em uma história sobrenatural que tem diversos elementos para serem explorados, o amor, atração ou qualquer outro sentimento, para mim, poderia ficar em segundo plano. Infelizmente, não há profundidade na abordagem de Becca desses seres divinos.

Fazendo uma avaliação geral, a leitura de Sussurro começa empolgante, mas vai esfriando conforme Nora descobre mais coisas sobre Patch. Ele vai perdendo um pouco do ar misterioso que o envolve, e o perigo que ele transparece também se perde. No fim, ele pode parecer tão meloso quanto o herói de Crepúsculo, mas em medidas mais modestas. Não acredito que Crescendo, segundo livro da série com lançamento previsto para novembro nos EUA, se aprofunde na história de Patch como anjo ou em seus inimigos, mas uma pequena fagulha de esperança sempre há. E uma coisa é certa: adolescentes vão se apaixonar loucamente por Patch, transformando Sussurro em uma nova epidemia literária.