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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Lua Azul, de Alyson Nöel

A grande sensação hoje é ser imortal. E ao ter vida eterna, é pré-requisito viver um amor que também ultrapasse as barreiras do tempo. A leva de livros que falam de seres sobrenaturais que possuem índole impecável e coração maior que tudo só faz com que se pense em uma coisa: contos de fada. Livros como Crepúsculo, Diários do Vampiro, Sussurro e Lua Azul, da série Os Imortais escrita por Alyson Noel, são a Cinderela, a Branca de Neve e A Bela Adormecida da modernidade. Tudo porque falam de amores incríveis que duram para sempre.

Lua Azul é o segundo livro da série publicado pela Intrínseca, que começou com Para Sempre. Como costume, ainda não li aquele que abriu essa nova saga sobrenatural, mas creio que dessa vez esse fato não prejudicou a leitura. Isso porque parece que o segundo livro da série tenha batido o primeiro onde, segundo relatos, a autora fazia todos acreditarem que seu “namorado ideal” era um vampiro. Foi isso o que pensei ao ter Lua Azul em mãos, mas estava totalmente enganada. Alyson não fala dos dentuços, mas de espiritualidade.

Depois de perder seus pais em um trágico acidente, ser salva pela sua alma-gêmea e ser transformada em uma imortal, Ever passa a conviver com seus mais novos poderes. Ainda vê e ouve tudo na cabeça das pessoas em sua volta, mas ignora tudo por estar ao lado de Damen. Enquanto aprende com o namorado a materializar o que quer com o poder da mente, Ever se esforça em tentar consumar, depois de 400 anos de espera, seu amor com o imortal. Porém, outros problemas aparecem, e um novo colega faz a escola onde estuda se transformar totalmente. Para tentar salvar Damen, ela se esforça ainda mais para controlar seus poderes sozinha.

A lamentação habitual encontrada nesse tipo de romance adolescente está presente em Lua Azul. Porém, parece ser menos acentuada, fazendo Ever avaliar não só seu relacionamento com o imortal, mas também pensar em sua vida antes de estar destinada a viver para sempre. A trama até conquista em alguns momentos, mas ao ser inserida dentro de um contexto espiritual, com planos paralelos e outros assuntos do gênero, o livro não passa de mais um romance meloso travestido de suspense pouco convincente.

O que mais incomoda nesse tipo de leitura não é a falta de técnica na escrita, que no caso de Noël não chega a ser ruim, mas sim o assunto que aborda. Fantasia é ótimo, mas o que se vê nesses livros é uma imagem impossível de amor ideal. Ingênuos são aqueles que se deixam levar pelas declarações e desafios transpostos pelas personagens. Não que histórias de amor com finais felizes não existam, mas romance adicionado à imortalidade não trazem uma boa reflexão. Não quando tudo o que o livro diz é: seja jovem para sempre, ame para sempre, seja feliz para sempre. Até mesmo para uma ficção, afirmações assim são falsas demais e criam ideais deturpados.

Lua Azul incrivelmente acaba de forma perfeita, não deixando um final tão feliz assim. Noel mantém a trama pendente, tornando necessária a continuação que está por vir. Por mais estranho e complicado que o enredo possa parecer, a série Os Imortais, pelo menos nesse segundo livro, mostrou ser um pouco diferente das tramas similares, principalmente quando o assunto é ir direto ao ponto. Mas não deixa de ser uma leitura dispensável, por não trazer nenhuma espécie de conhecimento, nenhuma lição além de criar uma geração que vai sonhar com a juventude eterna, seja em forma de vampiro, anjo ou através de um líquido milagroso.