O término de uma saga sempre tem uma aura triste. Mesmo sem ter acompanhado o lançamento de cada nova história, a última vem com aquele gosto de despedida. Com Percy Jackson & os Olimpianos, de Rick Riordan, não poderia ser diferente. Prometendo 5 livros para a série que coloca nos tempos atuais a mitologia grega, chegou no início de agosto O Último Olimpiano, pela editora Intrínseca, volume final da história do semideus filho de Poseidon. Nesse livro, Percy conhecerá inteiramente seu verdadeiro destino, e lutará para salvar o Olimpo.

A série foi considerada uma substituta para Harry Potter, de J. K. Rowling. Todos apontaram semelhanças entre as duas fantasias. Ambas se centram na história de um adolescente que descobre ter estranhos poderes, vai para uma espécie de “treinamento” para aprender a usá-los, faz grandes amigos e é o protagonista das maiores aventuras. Percy Jackson é assim, um garoto desprezado no mundo real, mas poderoso no mágico, nesse caso, mitológico. Uma fórmula fantástica que funciona quando o assunto é entretenimento.

Em O Último Olimpiano, o vingativo titã Cronos já se reergueu usando o corpo do semideus Luke, tendo como único objetivo destruir os deuses e o Olimpo. A história já começa em plena ação, com Percy partindo para uma missão tentando retardar o avanço do inimigo. Mas deter Cronos não será nada fácil, como ele já desconfiava, e para conseguir proteger o lar dos deuses Percy terá que fazer escolhas que podem lhe custar a vida, ou pior, todo o mundo ocidental. A ajuda de seus melhores amigos, Annabeth, filha de Atena, e o sátiro Grover, será essencial.

O último livro da série se mostrou uma leitura fácil para aqueles que não chegaram a acompanhar toda a saga. Claro que se perde muito das aventuras anteriores, mas o livro possui apenas menções que não comprometem o entendimento ao todo. Para quem só leu o primeiro livro da série, O Ladrão de Raios, e foi “obrigado” a partir direto para o último, o mais difícil foi caracterizar Percy como alguém mais velho e forte. A imagem daquele garoto de 12/13 anos se confrontava com a maturidade do de 16. Percy se mantém sarcástico como no primeiro livro e mais coerente. Isso faz dele uma personagem mais cativante, cumprindo bem o papel de protagonista.

Rick Riordan trabalha com tempos curtos em sua narrativa. Em O Último Olimpiano, as 384 páginas do livro corresponde aos 5 dias de luta contra Cronos. Isso faz com que a ação esteja presente em cada linha da trama, e não permite dispersões por parte do leitor. Porém, falta um pouco do cotidiano “normal” dos semideuses, trechos mais explicativos, que se aprofundam na mitologia, nas personaens, e que atraiam mais para o clima da história. Mas para um romance que se propõe a entreter, Percy Jackson & os Olimpianos cumpre com sucesso esse objetivo.

Aqueles que vieram ignorando a série de Rick Riordan devem dar uma chance a ela. Percy Jackson & os Olimpianos pode não conter tantas informações quanto necessárias para criar uma história realmente inesquecível, mas é uma ótima mistura de real e imaginário com personagens inteligentes e carismáticas. Não é uma verdadeira aula de mitologia grega, mas uma ótima forma de chamar atenção para ela. Quem procura aventura não vai se decepcionar.