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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Bilionários Por Acaso, de Ben Mezrich

O filme mais aguardado da vez é A Rede Social, que lá nos EUA estreou bem nas bilheterias e está previsto para chegar em dezembro aos cinemas brasileiros. Enquanto esse momento não chega, a editora Intrínseca acaba de publicar a obra que inspirou o longa. Trata-se de Bilionários Por Acaso: A criação do Facebook, uma história de sexo, dinheiro, genialidade e traição, escrita por Bem Mezrich. Entre as mais de 200 páginas do livro, ele narra a história de um dos sites de maior sucesso da internet e o empenho de Mark Zuckerberg em transformar sua criação universitária em um empreendimento de bilhões de dólares.

O subtítulo de Bilionários Por Acaso sintetiza toda a história do livro. O Facebook começa, aparentemente, incentivado pelo sexo. O autor inicia o relato pelos olhos de Eduardo Saverin, brasileiro aluno de Harvard em seu terceiro ano da faculdade, contando como era sua vida de pouca visibilidade e a amizade que mantinha com o estranho nerd Mark. Ambos vêem a faculdade como o local ideal para curtir a vida e pegar o maior número de garotas possível, mas na verdade os dois nem chegam a ser notados. Mezrich faz parecer que toda Harvard tem essa visão de que o sexo é a grande recompensa.

Já um gênio da computação, Mark Zuckerberg chama a atenção por uma criação que enfureceu a universidade e quase levou a sua expulsão. Esse episódio apresentou Zuckerberg aos gêmeos Tyler e Cameron Winklevoss, atletas que tiveram a ideia de criar uma rede social para Harvard e precisavam de um programador para por o site no ar. E foi aí que o jovem teve sua ideia: um site onde os alunos pudessem se conectar a sua rede pessoal de amigos e, através deles, conhecer novas pessoas. A ideia foi compartilhada com Eduardo, que aceitou injetar dinheiro para começar o negócio, percebendo a genialidade da invenção e o grande potencial dela elevar o status dos dois amigos nerds. Romantizando a história, Mezrich narra tudo o que levou o Facebook à explosão de usuários e à sua popularidade, mostrando Zuckerberg como um garoto descolado e distante e Eduardo como o centro organizado do projeto.

Essa escolha de transformar a “biografia” do Facebook em prosa não foi a melhor escolha do autor. Como ele mesmo afirma na apresentação do livro, muitas das cenas narradas em Bilionários Por Acaso não passam de especulações suas baseadas nas entrevistas e documentos aos quais teve acesso. O que o leitor vê é uma série de “talvez” que enchem os parágrafos do livro. “Talvez Mark estivesse pensando isso. Talvez Eduardo estivesse fazendo aquilo”. Assim Mezrich monta as cenas, iniciando cada capítulo com um teor forçado de ficção que enrola o leitor até que os fatos são realmente postos na mesa.

O autor retrata bem o quão meteórico foi o crescimento do Facebook e a mudança no ritmo da vida de seus criadores. A transformação do site em empresa é inevitável, e a busca por dinheiro se intensifica. Aí surgem as mudanças, as passadas de perna que tiram integrantes da nova febre da internet que dão má fama a Mark. A abordagem da traição que envolve a história da rede social não é muito explorada, e Mezrich deixa para o final pequenas conclusões sobre o destino de cada envolvido. Isso porque parte desses processos movidos contra Zuckerberg ainda não teve fim. Aqui Mezrich poderia ir um pouco mais fundo, mas optou por um relato brando sobre as animosidades de Mark Zuckerberg, que não aceitou conceder nenhuma entrevista ao autor.

O que vale ressaltar é a forma que Ben caracterizou cada personagem. Não há um vilão nessa história. Mezrich simplesmente apresentou todos os pontos que ele conseguiu reunir, inocentando pessoas ao mesmo tempo que apontava os erros que cometiam. O perfil de Zuckerberg é traçado de forma a familiarizar o leitor com sua excentricidade e maneiras de raciocinar. Assim é com todas as outras personagens, principalmente com Eduardo, nome que mais dá informações ao leitor.

Bilionários Por Acaso é um livro interessante para quem quer saber como o revolucionário Facebook nasceu, mas não é nenhum exemplo esplendoroso de literatura. No fim, o livro não faz nada além de um relato contido acima da história de Eduardo Saverin e Mark Zuckerberg, que traz bem menos sexo e traição que o título sugere. Mas o leitor entende como uma simples ideia bem trabalhada se transforma em um monstro quase impossível de controlar. Entende o poder da internet de colocar e tirar pessoas de seus pedestais, espalhando pela rede um fenômeno que, em algum momento da vida, todas as pessoas vão utilizar. Aí reside o seu encanto.