A editora Intrínseca volta com a série de livros infantojuvenis repleta de vikings, dragões, arrotos, gritos e aventura. Não canso de repetir que todos os garotos gostariam de ler uma fantasia tão divertida como a criada pela autora Cressida Cowell, e volto a afirmar o mesmo sobre Como Falar Dragonês, terceiro dos oito livros que compõem a saga de Soluço Spantosicus Strondus III e seu dragão Banguela. Para quem vive na lua, os dois são os protagonistas dos livros Como Treinar o Seu Dragão (adaptado para o cinema com sucesso) e Como Ser um Pirata, histórias que falam de inteligência e amizade de forma tão natural e simples que é impossível não ler tudo de uma vez só.

Atualmente, ando deixando de lado as histórias fantásticas que tanto li quando iniciei minha “carreira de leitora”. Quando Como Falar Dragonês chegou aqui em casa, eu até olhei com cara feia. Mas a questão é que a gente esquece o quão divertidas são essas histórias, e por mais clichê que elas sejam nas suas lições de moral, percebemos que muitos esqueceram essas coisas imprescindíveis da vida. Por isso considero que essas histórias não têm idade: podem ser bobinhas? Podem, mas aposto que não há gênero que mais arranque sorrisos dos leitores.

Na continuação das aventuras dos vikings da tribo Hooligans Cabeludos, um novo povo ameaça a ilha de Berk: os romanos. Vindos das terras mais ao sul, Soluço se depara com uma embarcação romana durante uma aula de seu treinamento de herói, e descobre um plano maligno. Os romanos, liderados pelo Cônsul Gordo, querem jogar os Hooligans contra as Ladras do Pântano para que possam, tranquilos, raptar todos os dragões do arquipélago norueguês. Tentando alertar seu pai, o líder da tribo, Soluço, Perna-de-peixe e Banguela são raptados como peças chave do plano.

O pequeno protagonista, agora com 12 anos, continua se sentindo um inútil. Não vai bem em praticamente nenhuma área do seu treinamento, seu dragão é um animal chantagista e teimoso – além de nanico –, e ainda por cima nem sua própria família acredita no que diz. O garoto se volta cada vez mais para a área “intelectual”, começando a escrever um livro que ensina a falar dragonês e que narra sua constante observação do comportamento dos dragões. Ele continua irônico e molenga, porém com coragem o bastante para salvar seus amigos. Apesar de ser ele mesmo, mais velho, contando sua história, Cressida deixa claro no início do livro que ele a narra como se fosse uma outra pessoa. O que faz o leitor imaginar como que um menino magrelo e sardento pôde se tornar o último e maior herói viking do mundo.

Assim como os dois livros anteriores, a meta de Como Falar Dragonês é mostrar o quanto a amizade e capacidade de pensar são maiores que a força física. O próprio Soluço deixa isso bem claro no fim do livro, com o propósito de mostrar aos jovens leitores – e adultos também –que o raciocínio é mais útil para se livrar de uma enrascada do que os músculos. Soluço desdenha de seus colegas fortões, mas não os deixa na mão quando precisam de ajuda.

As ilustrações e outras intervenções visuais do livro continuam agregando mais à história. O traço rabiscado e aparentemente feito a lápis combina perfeitamente com a narrativa, e embora nessa edição elas mais repitam informações do que complementam, continuam sendo agradáveis de olhar. Como Falar Dragonês deve ter espaço reservado nas estantes de qualquer um que queira recomendar boas leituras para quem está iniciando o hábito. Fácil e rápido de ler, é uma maneira muito divertida de ter contato com a literatura e de fazer qualquer um devorar os livros um atrás do outro.