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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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A literatura na última década

O programa Espaço Aberto, da GloboNews, dedicou uma edição somente sobre o tema literatura. E o assunto tratado foram as mudanças no cenário na primeira década do século XXI: o que melhorou, que escritores surgiram, que movimentos conquistaram os leitores e os melhores livros publicados nesses 10 últimos anos. Não tenho tanto tempo assim de leitura (não assídua do jeito que sou agora), então meus comentários sobre o que foi dito no programa não devem ser muito relevantes, mas gosto de fazer esse exercício de refletir sobre o que está sendo feito no mercado editorial. E, claro, compartilhar o programa aqui, já que o assunto é de extrema relevância.

Autores e críticos da área discutiram o que mudou de 2000 para cá em relação às décadas anteriores. São pouco mais de 20 minutos de programa, que no final apresenta a lista dos 10 melhores livros da década escolhidos em uma votação no site do programa. Então reserve um tempinho para assistir.

Começando, não vejo muito do que o Moacyr Scliar disse sobre o ensino estar trabalhando melhor a literatura. Em discussões com outros leitores, ainda vejo a questão da maneira em que a literatura é apresentada nas escolas como um fator que mais afasta do que atrai leitores. Mas também não sei exatamente como era isso antes dos anos 2000. Sabemos que de lá pra cá a média de leitura do país aumentou, mas ainda continua muito abaixo do ideal. Uma coisa certa que comentaram no vídeo (tanto Scliar quanto Martha Medeiros), é essa aproximação das editoras e autores com o público leitor. E o mérito vai todo para as redes sociais. Nunca foi tão fácil entrar em contato com quem produz e mantém o mercado do livro. E aí fica uma dica que acho bem importante: se você lê e se interessa em conversar com autores,  procure ler o que é produzido perto de você. Além de um incentivo a escritores locais e pequenas editoras, é um meio gratificante de entrar em contato com quem compõe a produção literária.

Luís Augusto Fischer comentou a questão da produção do livro ter aumentado, mas do espaço na mídia para a literatura estar diminuindo. Vejo isso como um ponto negativo da imprensa: literatura deveria ter uma visibilidade maior dentro de jornais e revistas (salvo aquelas realmente voltadas para literatura), mas concordo que é praticamente impossível acompanhar o que tem de novo no mercado. Lendo Livros Demais!, do mexicano Gabriel Zaid (emprestado pela Diana Passy), você percebe o quão enorme é o número de livros publicados anualmente e é impossível acompanhar todos. Claro que pelo menos metade são livros acadêmicos e não de literatura, mas mesmo assim a produção é enorme. Mas acontece que a produção musical também é grande, e nem por isso a música perdeu espaço nessas mídias – embora que, comparando com cinema e TV, também seja menor.

Daí vem o lado positivo dos blogs e sites de literatura. A segmentação das páginas por gênero possibilita que um blog ou site se concentre apenas nele e acompanhe melhor as novidades. Mas na verdade sou adepta da diversidade: mostrar diferentes tipos de literatura para não ficar no “mais do mesmo”, e prefiro blogs e sites que façam isso também. Claro que, quando se fala de blogs, entra a dúvida da qualidade e veracidade do que se publica. Mas quando se trata de opinião, algo totalmente pessoal, é difícil querer regrar isso, e errado. Vai do bom senso de quem mantém o blog em saber dialogar, aceitar críticas e se expressar de forma clara. O filtro é o leitor quem faz, e isso não é diferente de escolher tais sites, jornais ou resvistas para ler. A internet certamente foi um marco para a literatura, ampliou vendas e descobertas tanto de leitores quanto de escritores.

Espero como leitora que na próxima década o número de leitores cresça assim como o número de publicações. Ainda usando como fonte o Livros Demais!, Zaid fala de um comportamento regular principalmente entre escritores de exigir a leitura de seu livro, mas não dar a mesma atenção ao que outros produzem. Ou seja, todo mundo quer ser escritor, mas poucos trabalham no desenvolvimento de si mesmo como leitor. É uma coisa que o Antônio Xerxenesky, no papel de entrevistado, comentou em uma aula do Curso de Jornalismo Cultural lá na Unisinos que fiz ano passado. Para quem quer escrever, é imprescindível que leia bastante também, que conheça a literatura que é produzida no seu país. E como disseram, as vendas aumentaram, mas não há como medir se todos esses livros comercializados realmente foram lidos. O programa mostrou que a literatura realmente ganhou um espaço maior na sociedade, mas ainda tem muito mais a se fazer.

Sobre os livros votados como melhores da década, tenho que confessar aqui que não os li, mas espero ler um dia. Eu mesma tenho que crescer mais como leitora e abrir espaço na agenda para autores consagrados que deixo de lado por preguiça ou falta de tempo. É uma resolução para 2011 ler nomes conheidos da literatura tanto nacional quanto estrangeira que levantaram opiniões na mídia tradicional e digital e que sempre figuram entre os “mais mais” na lista de amigos.

E você? O que achou das mudanças apontadas pelos autores e críticos no programa? Aproveitem para dizer como você enxerga a literatura hoje, comentar assuntos do programa que deixei de lado aqui e, claro, o que espera para os próximos 10 anos.