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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Leia-me Toda, de Claudia Schroeder

A capa em braile já convida para a leitura, mexe com o lado sensorial do leitor. Claudia Schroeder fala de toque, amor, sexo e paixão eu seus curtos poemas publicados pela editoraDublinense no livro Leia-me Toda. Vencedora de vários concursos de poesia em 2010 e também do Prêmio Off-Flip de Literatura, Claudia coloca sensualidade e desejo nos pequenos versos que contabilizam 80 páginas do livro. Mas muitos dos poemas deixam a desejar pela superficialidade, no entanto pode-se encontrar alguns que vão além do simples jogo de linguagem.

Predominam os poemas curtos, de poucas linhas e que fazem grande uso da rima. Aliás, a rima está presente em quase todos eles. Mas esses curtos poemas centram-se mesmo no jogo de palavras, como em Desejo: “desejo-te tanto/que te desejo nada”. Alguns fazem do título a própria estrutura do poema, como em E.U.T.E.A.M.O, em que as duas frases que formam o poema explicam porquê da pontuação entre as letras.

Indo contra os poemas mais curtinhos, Corações Língua são os destaques do livro. O primeiro confere qualidade mercadológica ao órgão conforme a natureza de relacionamentos e personalidades. O segundo mistura a língua (da boca) com a fala, lamentando os erros de gramaticais propositalmente colocados na poesia como pretexto para dar à língua outra tarefa além de falar.

Embora possa parecer, os poemas de Claudia Schroeder não pendem para o meloso ou romântico. Eles são voltados ao corpo, pele, toque, o ato de despir-se de pudores e também da própria roupa. E não são exatamente romances felizes. O poema Morte coloca o amor no papel de assassino, algo que consome aos poucos, mata lentamente. Já Desuso indica que tudo em algum momento termina, incluindo o amor: “[…] Tudo chega ao desuso/ou porque ficou pequeno/ou porque eu fiquei grande/ou porque está fora de moda/ou porque está velho/ou porque perde a graça/ou porque ficou muito sério.”

Os poemas envolvem mais atitude do que sentimento, mais fazer do que sentir. O sentir está no físico, na visão do corpo envelhecendo ou então sendo tocado. Leia-me Toda não surpreende muito pelo conteúdo: amor sempre será um clichê. Ela respeitosamente monta versos onde o significado é claro, às vezes até superficial demais, e por isso desaponta em não incitar no leitor uma reflexão além daquilo que se lê. Mas não deixam de ter um valor de leitura, por colocar de maneira tão musical atos cotidianos, sentimentos recorrentes que fazem parte de qualquer relacionamento.