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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Então, por que eu gosto de ler livros?

Já falei antes sobre como/onde leio, uma espécie de post explicativo para quem sempre me perguntava como consigo ler tantos livros. E olha que tem gente que lê mais! Agora que o Alessandro Martins, do Livros e Afins, propôs uma “blogagem coletiva” para responder à pergunta “por que eu gosto de ler livros?” eu resolvi responder. Mas antes disso, eu mesma tive que parar para pensar por quê eu leio livros. Por que não assisto filmes, séries, novelas ou jogo World of Warcraft (pra esse último dizem que a resposta é “ter uma vida”)?

É bom começar pelo motivo de escolher livros, e não outra plataformas de leitura. Eu leio livros porque o jornal só dura um dia. A revista dura um mês ou uma semana. O livro dura para sempre, transporta histórias de uma época para um futuro desconhecido, ou então parte do presente para o passado em uma leitura diferenciada de certa época. Claro, a linguagem é totalmente diferente, a proposta dessas plataformas o são. No livro não há linguagem limitada por padrões de escrita, não há limite de caracteres e nem cortes em certos assuntos por “não interessar ao público” – não nos patamares da imprensa. O livro serve para tudo: drama, comédia, ficção científica, romance água-com-açúcar, terror, erotismo… Enfim, não tem um editor chato para cortar pautas – tem é um editor para dizer o que é importante para a história que vai publicar. E no mercado editorial sempre haverá um editor que se interessa pelo assunto tal de um livro, é só procurar no lugar certo.

Essa profusão de temas e abordagens que o livro permite é determinante na hora de escolher o que fazer enquanto vou para o trem: ler o jornal ou ler um livro. Escolho sempre a segunda alternativa. As notícias eu olho na internet entre um ou outro minutinho livre no trabalho, coisas que meus amigos compartilho comigo. A revista eu vou ler só se ela muito me interessar – ou seja, se ela tiver algo relacionado a um livro que gosto ou tema que me interessei ao ler algum.

Agora okay, falei sobre um lado, o de ler o livro e não ler jornal, revista, bula de remédio, etc. Mas histórias existem aos montes em outras mídias. Cinema, televisão, séries e jogos. E no meio de tanta produção eu ainda prefiro o livro: sem câmeras, atores, figurino ou cenários, muito menos computação gráfica. Eu não acho que precise dessas coisas físicas. No livro, os cenários, atores e figurinos estão na nossa imaginação, e por isso acho bem mais interessante. Eu escolho quem vai ser meu personagem me baseando no que o autor narra. Eu imagino a localidade de tal campo europeu do jeito que eu quiser. A minha imaginação geralmente dá conta das minhas expectativas.

É óbvio que assisto filmes e acompanho séries, mas considero que a experiência de viver uma história alheia é muito maior quando isso é feito através do livro. Além de passar mais tempo imersa em um novo mundo, em outra vida, o trabalho de pausar a leitura, pensar no que li, refletir e ligar a história do livro ao que vivo agora é muito melhor de ser feita. Ficar pausando o filme ou o programa de TV para fazer isso é um pecado. Mas ficar divagando enquanto ele rola é perder boa parte do que apresenta. Com o livro imponho o ritmo que eu quero e ele sempre vai se encaixar à minha forma de “consumir arte”.

Eu leio para saber mais, aprender coisas que nenhum professor saberia ensinar, ver pessoas e lugares que sem a leitura eu nunca conheceria, me confrontar com assuntos que eu preferia manter distância. Leio para pensar na vida, tentar endendê-la (difícil), ou entender os outros (mais fácil). Um dia eu estava conversando com a Amanda e ela falou que vê a literatura de maneira diferente. Que ela vê algo grandioso nela, algo que vai além do que o livro realmente conta, como se fosse um elemento vital para a vida. Também sinto isso. Mas também leio pelo mesmo motivo que as pessoas vão ao cinema: por puro entretenimento. Só pra escapar um pouquinho da vida e ler algo bobinho, mas engraçado, e aliviar as preocupações. Aí está o grande trunfo da literatura, para mim. Ser uma fonte para filosofar a vida, confrontar assuntos que são tabus e também para se divertir. A literatura serve para tudo isso.

Agora pode até parecer confuso eu falar em ler livros e preferir a literatura. Livros técnicos não são literatura, mas são livros. Mas acho que vocês entenderam o que eu quis dizer. Gosto do livro, a plataforma, tanto quanto da literatura. E acho que deveria falar dessas duas coisas, afinal, quando falamos de livros logo ligamos um ao outro. Falar da parte física da coisa, que foi como comecei esse texto, é importante, afinal, a pergunta não é “Por que eu gosto de ler e-books?” Além de não ter um e-reader (estagiária se apresentando!), também tenho uma ligação forte com o papel. Aceito um Kindle de bom grado, e acho que ele deve facilitar muito a vida de quem gosta de carregar a biblioteca para lá e para cá, mas nada se compara ao contato com o livro. Sua capa, o papel, a textura, o peso, são elementos que acrescentam coisas positivas à experiência da leitura. Mostra um cuidado estético com a obra, como se cada livro fosse um filho (autores e editores adoram dizer isso).

Essa explicação pode estar meio confusa, mas acho que consegui explicar o porquê de ler livros acima de todas as outras formas de leitura, porquê gosto de ler acima de todas as outras atividades de entretenimento, porquê gosto da literatura e porquê gosto do livro físico, e não do digital. Acho que me satisfiz com essa resposta agora, daqui a alguns anos ou meses ela pode mudar, mas por enquanto é assim.