r.izze.nhas

Resenhas e aleatoriedades literárias.

Menu Close

Eu Sou Deus, de Giorgio Faletti

Problemas pessoais, mistério e atentados terroristas são os elementos principais do novo romance de Giorgio Falettipublicado aqui no Brasil pela editora Intrínseca. Conhecido pelo livro Eu Mato, lançado no ano passado, o autor italiano volta com um thriller que prometia o sucesso de seu primeiro romance. Porém, Eu Sou Deus deixa a desejar, principalmente se o leitor espera crimes mirabolantes e mais atenção para as ações do assassino no livro que tem em mãos. Não é só o número reduzido de páginas que tira o brilho do terrorista desconhecido que ataca Nova York, mas o próprio foco que o autor escolheu dar a outras personagens, seguindo uma fórmula que usou em Eu Mato, mas com suas diferenças.

Em Eu Sou Deus, o leitor acompanha a investigação da detetive Vivien Light no caso de uma pessoa encontrada dentro das paredes de um prédio em demolição. Logo depois, se vê envolvida em outro caso, esse muito maior, que envolve a explosão de um prédio que deixa centenas de pessoas mortas, e que ao que tudo indica tratar-se de um ato terrorista. Ato que nenhum grupo radical conhecido reclama a autoria. Em meio aos seus problemas com a irmã à beira da morte e sua sobrinha em recuperação toxicológica, Vivien ainda tem que descobrir o impossível: quem é o responsável pelo atentado. Junto dela está Russel Wade, um jornalista fracassado que ocasionalmente fornece a pista que dá o ponta pé inicial para as investigações. O thriller reúne personagens inusitadas, que nunca tiveram ligação uma com a outra, e as junta em dias de perseguição frenética a um inimigo desconhecido.

Porém, as primeiras páginas do livro não falam necessariamente dos dois protagonistas, mas fazem o mesmo que Eu Mato: apresenta o próprio assassino. Mas como uma informação dessas não pode ser dada assim de mão beijada, Faletti cria enigmas durante a trama que impossibilita reconhecer seu terrorista em meio às pessoas que compõem a trama, embora o leitor atento saiba que a desconfiança deve estar nas personagens menos óbvias. Contudo, o autor não fez o mesmo movimento que conquistou o leitor em seu primeiro livro: depois dessa primeira parte, o assassino fica totalmente escondido, seus crimes não são detalhados e o livro centra-se na relação entre Vivien e Russel e na investigação que os dois se comprometeram a fazer. Uma corrida contra o tempo que é mais lenta que o ideal. Aqui, Eu Sou Deus foca mais nos problemas da detetive e em sua paixão torrencial pelo jornalista do nos atentados que devem evitar.

Mesmo mostrando logo no início um motivo forte para as ações de seu assassino, Faletti peca em não explorar seu psicológico no final, onde todos os segredos são revelados. Essas últimas páginas finalmente adquirem a característica envolvente de um thriller, onde tudo é lido com rapidez e devorado em poucos minutos. Mas não tem como o leitor não sentir falta de detalhes mais técnicos sobre as ações do terrorista, muito menos do que ele realmente pensava e pretendia fazer. As aparições dele são poucas e curtas, afinal, não reconhecia a autoria de seus crimes e mantinha-se calado quanto seus próximos passos. O que faz parecer que as conclusões tiradas pelos investigadores não passaram de puro golpe de sorte.

Faletti usa diversos flashbacks na trama para retomar passagens de tempo que são puladas enquanto narra, um método que é usado em demasia, mas não chega a atrapalhar a leitura. É a fórmula que ele encontrou para criar suspense sobre alguns assuntos que nem merecem tanto destaque. Eu Sou Deusconsegue manter a curiosidade do leitor, mas não tem como terminar o livro sem ficar com o sentimento de que algo ficou faltando. Sua leitura é morna, sem muitos momentos de surpresa que encantam ou chocam o leitor. Muito menos emocionante, fator que fez falta nas passagens mais reveladoras. Apesar da falha em explorar suas personagens, não é uma leitura descartável, pois no fim consegue entreter o leitor, e esse é o principal objetivo do livro.