Meu contato com histórias que envolvem produção e venda de armas não foram além da ficção de Iron Man. Mas quando penso nesse tipo de mercado, não há como não relacioná-lo com morte. Apesar do argumento de que armas “garantem” a defesa pessoal ou a de um país, o que mais se vê é o uso delas para a violência. A indústria armamentista, então, não parece ser outra coisa senão uma indústria da guerra. E assim como em qualquer outro segmento que envolva a transferência e ganho de muito dinheiro, há corrupção e segredos que escondem a natureza desse negócio.
Hugh Laurie, mais conhecido como o protagonista de House M. D., aborda um lado mais obscuro ainda dessa indústria no livro O Vendedor de Armas, publicado pela primeira vez em 1996 e que no ano passado ganhou sua edição brasileira pela editora Planeta. No best-seller, ele segue a rotina do protagonista Thomas Lang, um ex-militar britânico que recebe uma proposta nada decente de assassinar um rico empresário norte-americano, mas recusa a oferta e se envolve em um caso confidencial que engloba a CIA, o Ministério da Defesa da Inglaterra, empresários do mundo das armas e grupos terroristas.
Lang, ao tentar avisar o empresário de que queria matá-lo, se sente atraído por sua filha, Sarah Woolf, e enquanto o Ministério da Defesa pega no seu pé, ele nota que ninguém parece ser quem realmente diz ser – muito menos fazer o que dizem ser pagos para ser feito. Para salvar Sarah, Lang cai em uma trama que promete causar uma nova guerra entre países para aquecer o mercado armamentista e abastecer os cofres norte-americanos. Quem espera que o protagonista de Laurie tenha o jeitão sarcástico de seu personagem em House vai encontrar certas semelhanças. O humor de Thomas Lang é ácido, e é raro ele narrar sua história e responder às outras personagens sem que o sarcasmo faça parte de suas falas.
Apesar do comportamento cafajeste e autoconfiante em demasia, o protagonista d’O Vendedor de Armas é a o perfeito bom cidadão, mas só em partes. Na verdade, ele está mais caracterizado como preservador da vida do que como alguém que se preocupa em seguir as leis e ver a sociedade em ordem. O leitor percebe a preferência por certo drama e caos regados a disfarces cara-de-pau e hilários. Hugh Laurie não deixa o livro respirar em momentos mais monótonos. A ação é a principal peça dessa história, e ele transforma o jantar mais tedioso em uma cena descontraída e ativa sem apelar para explosões ou socos e pontapés. A narrativa sarcástica de Lang e seus diálogos engraçadinhos dão o tom que o livro necessita.
O Vendedor de Armas não é um livro de denúncia à produção e venda de armamentos para o exército e a corrupção por trás de governos e empresas, mas uma história que pega esse tema como base para criar um personagem cativante, engraçado e contar uma história divertida e cheia de reviravoltas. Boa leitura para quem não espera nada mais além de risadas e um suspense curioso.





Entrei aqui achando que encontraria um monte de livros clássicos, mas quase todos os livros aqui são de autores que eu nunca ouvi falar (e olha que sou um apaixonado por literatura). Onde está Kafka, Tolstói, Oscar Wilde, Poe, Balzac, Conrad, Salinger, Camus, Dickens, Jack London, Somerset Maugham… etc, etc? Dos grandes escritores só vi Dostoiévski, Orwell e Maquiavel.
Sei que você tem parceria com editoras e que recebe livros de autores da nova geração para ler e fazer críticas, mas será que compensa ter esse tipo de parceria se não sobra tempo para ler as grandes obras literárias?
Leia W. Somerset Maugham!
Bem, o blog não se propõe a falar só de clássicos, então… hehehe
mas como respondido (por e-mail), meu interesse atualmente está mais no que é produzido agora, ou há pouco tempo, e as parcerias podem tirar um tempo que eu gostaria de dedicar aos clássicos, mas não me impõe nenhuma leitura que eu não queira.
E tenho uma lista enorme de clássicos que pretendo ler, certo que sim, mas para muitos dessa lista nem me sinto preparada para começar a ler ainda. Acredito que todos os livros tem o seu momento certo para que tenhamos contato com eles.
obrigada pela visita ^^
Interessantíssimo o seu blog.
Será uma referência para mim
Parabéns pela matéria da Veja. Ainda não li, mas vi seu nome por lá.
abraços
Olá! Cheguei ao seu blog através da revista Veja. Também sou blogueira literária. Ainda não li a revista mas desde já parabéns por ter saído na maior revista do país.
Abraços.
Oi Izze !!
Parabéns pela matéria da VEJA !! Está fantástica ! Maravilhoso ler reportagens q abordar a importância da leitura.
E os clássicos … como vc disse … td tem a hora certa !! hehehe
Bjo no coração !
Gostei muito da iniciativa, parabéns!
Como crítica, também notei a falta dos autores clássicos e sugiro, de saída, Kafka. Também queria falar dos fragmentos: onde que eu os comento?
Se não for me estender demais, queria deixar aqui um fragmento, um desaforisma:
“Uma gaiola saiu à procura de um pássaro”.
Acabo de ler o livro. Sinceramente, eu ri do começo ao fim do livro. O sarcasmo de Thomas é incrível, enfim, não irei elaborar muito sobre o livro para não conter spoilers. Mas porfavor, levem em conta o resumo de Taize, foi o que fiz e adorei o livro, certamente um dos melhores que já li esse ano. Ah e é um desses livros que você irá ter o maior prazer de reler. (:
Olá, Primeiramente gostaria de lhe parabenizar pelo blog. Descobri-o a pouco e estou gostando muito….. Sobre o livro O vendedor de armas, não consegui levá-lo até o final, pois achei o protagonista Thomas Lang muito prepotente, sabichão, “o gostosão”….e ao invés de desfrutar de um agradável lazer, me chateava……
Oi, Odair!
Ele ser “prepotente, sabichão”, etc… é justamente o que me fez curtir o protagonista hahahha Porque ele era tudo isso, mas de uma forma que fazia piada de si mesmo. =P
Muito obrigada pela visita =)