Resenhas

Scarpetta, de Patricia Cornwell

scarpettaPatricia Cornwell é um dos principais nomes da literatura policial norte-americana. Suas personagens principais não são os detetives durões ou policiais justos, como estávamos acostumados a ver antes de séries como CSI, Bones e tantas outras que se focam na medicina forense. Sim, seus protagonistas são médicos-legistas. Cornwell é quem chamam da precursora dessas séries tão famosas. Com a personagem Kay Scarpetta, a autora colocou no centro das investigações policiais mais mirabolantes a figura da médica, uma mulher forte, linda e com uma inteligência fora do comum. Scarpetta é protagonista de muitos de seus romances, publicados no Brasil pela Companhia das Letras.

Agora foi lançado mais um livro com a doutora, dessa vez pelo novo selo da editora, a Paralela. Scarpetta reúne novamente a equipe que sempre colaborou com a médica-legista, todos envolvidos em um clima de tensão devido a problemas enfrentados em suas relações pessoais. Na virada do ano de 2007 para 2008, uma mulher anã, Terri Brigdes, é assassinada dentro de seu apartamento, e seu namorado, também um anão, é o principal suspeito do crime. Ele voluntariamente se interna no Hospital Bellevue, conhecido por abrigar criminosos, e exige ser examinado por Kay Scarpetta, que todos conhecem pelas constantes aparições na CNN, e seu marido, Benton Wesley. Paranóico, Oscar Bane age com medo e está crente de que vinha sendo seguido e monitorado, levando Scarpetta a duvidar de sua culpa no crime.

Na investigação reúnem-se a promotora Jaime Berger, a sobrinha de Scarpetta e gênio dos computadores Lucy, o ex-parceiro da médica-legista Pete Marino e um policial que todos odeiam, Mike Morales. Juntos, eles passam os dias seguintes à morte de Terri tentando descobrir quem a matou e qual a ligação de sua morte com a de outras duas pessoas, que podem ter sido vítimas de um serial killer. Além da pressão de estar cara a cara com Marino, que sumiu de sua vida depois de um episódio de violência, Scarpetta também está no olho da mídia por conta de informações pessoais suas divulgadas em uma das maiores colunas de fofoca na internet.

Patricia Cornwell conduz o romance apostando em cheio nos mistérios que cria a cada página. Sua técnica é fácil de notar e de prender o leitor: soltando informações aos poucos, a autora vai aguçando a curiosidade, deixando subentendidos alguns detalhes para confirmá-los mais adiante. São vários os segredos que ela mantém e revela aos poucos, e assim Scarpetta se transforma em um romance policial difícil de deixar de lado. Não há apenas a adrenalina da investigação, que a todo momento toma rumos diferentes, mas também um ambiente desconfortável criado pelas próprias personagens, que devem colaborar umas com as outras acima de suas fraquezas e problemas. Mesmo sem o leitor ter tido contato com os livros anteriores da série Scarpetta, Cornwell deixa bem claro as referências às outras histórias, orientando bem o leitor nos acontecimentos passados da vida de cada um.

Pelo livro levar o nome de sua protagonista, espera-se que toda a trama esteja concentrada nas ações dela. Na verdade, o leitor conhece Kay Scarpetta através do que as outras personagens têm a dizer sobre ela. Todos nesse livro estão ligados de alguma forma a Scarpetta, assim como o próprio crime conforme a investigação se desenrola. E por isso a história não se concentra em descobrir e prender um serial killer, mas em revelar qual a relação entre a vítima e a heroína. Por alguns momentos é possível esquecer que a morte da anã está ligada ao assassinato de outras pessoas, e por dar destaque a tantos outros aspectos do romance – como a vida pessoal da médica, Marino, Berger e Lucy, por exemplo –, fica a impressão de que Cornwell esqueceu da procura por um serial killer. Mesmo com todos os pontos se ligando no final, as outras duas mortes anteriores a de Terri não têm tanto peso na história.

Scarpetta é o típico romance policial que aposta em revelar todos os segredos, ou a maior parte deles, lá nas últimas páginas. E eles não envolvem apenas um crime, mas a todos que estão participando do processo para resolvê-lo. A leitura é conduzida até o fim pela curiosidade em descobrir como tudo aconteceu e como cada personagem irá resolver seus problemas uns com os outros. As personalidades, aliás, são o que o livro tem de mais forte, o que cada um é e faz fica claro para o leitor e em poucas linhas ele se identifica ou não com as personagens. E enquanto elas conquistarem o leitor, Patricia Cornwell vai ter o que explorar de cada um em novas histórias.

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