o-sentido-de-um-fimA memória nunca é exata, nem na juventude e muito menos na velhice. Estudos da mente constatam que, a cada vez que uma lembrança é resgatada, ela reaparece com pequenas mudanças imperceptíveis. Manipulamos nós mesmos a nossa memória para fazê-la se adequar ao que julgamos ser a maneira exata com que os fatos se sucederam. Ou seja, mentimos para nós mesmos, e o motivo pode ser conforto, orgulho, controle. Julian Barnes utiliza toda essa falta de certeza das lembranças para estruturar seu livro vencedor do Man Booker Prize de 2011, O sentido de um fim. Narrado por um homem idoso, ele evidencia toda a incompletude da história que se conta, causada pelas memórias falhas e a ausência de mais testemunhas ou documentações.

Dividido em duas partes, o romance começa com Tony Webster relembrando seus tempos de escola, em que convivia em um grupo formado por mais dois garotos, Alex e Colin. A história parte do momento em que um quarto membro é adicionado a essa reunião de jovens mentes inteligentes, como eles se consideravam: Adrian, um garoto isolado, sério e que pareceu ser bem mais superior em inteligência e sagacidade que seus colegas. Essa primeira parte narra uma gostosa trama escolar em que a amizade é um forte elo que liga esses garotos inseguros do que encontrarão na vida, que aguardam ansiosos pelas responsabilidades dos adultos, suas aventuras, dilemas e problemas, mal vendo a hora de conseguirem uma namorada, ir para festas, viver a vida como se ela fosse um dos livros que leem.

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