fora-do-tempoUm casal perde o filho na guerra. Como quaisquer pais, nunca imaginaram que seu filho fosse morrer antes deles. E como uma morte assim, prematura, inesperada, pudesse ser tão incompreensível para aqueles que ficam. David Grossman escreveu Fora do tempo como uma homenagem a seu filho, o sargento israelense Uri Grossman, morto nos conflitos do Líbano poucos dias antes do cessar-fogo que seu pai tanto apoiara. A dor da perda, imensa a ponto de não amainar depois de anos, moveu Grossman a escrever para ele, sobre a morte dele. E se há alguma beleza nesse tipo de sofrimento, ela está toda contida nesse volume de breves páginas.

Em Fora do tempo, Grossman transforma prosa em poesia. Um homem sentando na cozinha de sua casa certo dia decide ir para “lá”, para onde foi o filho morto. O diálogo que se dá entre ele e sua mulher revela logo ao leitor a intensidade da história exposta em versos: palavras milimetricamente medidas, pensadas para conter a dor e externá-la através da poesia. Um feito que, em português, já seria difícil conceber. Traduzir do hebraico para nossa língua, então, parece ser ainda mais complicado – como o próprio tradutor, Paulo Geiger, explica na nota de introdução do livro.

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