Vamos dizer que é compreensível que uma pessoa que tenha passado por um grande trauma se mate. Por grande trauma quero dizer: ter vivido um momento de violação física e psicológica infringido por outros, nela mesma ou vista por ela em algum momento, que seja tão horrível e impraticável que lhe abre uma ferida que não é capaz de cicatrizar. Uma ferida que faz da morte uma opção preferível à superação ou convivência com as marcas e memórias. Não é que se espere que essa pessoa tire sua vida, apenas que é possível entender seus motivos – um abuso físico, um bullying, uma perda inconformada, um sentimento de abandono e solidão. As pessoas guardam em si coisas que lhe são caras, e a sua perda é irreparável ou impossível de se conformar em vida.

Ultimamente, o tema do suicídio tem ocupado bastante espaço entre os meus interesses curiosos. Parece que a cada semana são mais recorrentes as notícias sobre alguma pessoa, geralmente jovem, que opta por essa porta de saída do mundo. Não parece, acontece. Só não vemos isso ser muito alardeado por aí – uma convenção jornalística que até hoje nenhum professor foi capaz de me explicar muito bem. Como exemplo, cito duas garotas estupradas por um grupo de pessoas, uma na Índia e outra no Brasil, que não encontraram apoio e ajuda para lidar com essa brutalidade. Muito menos justiça. Preferiram morrer. E o jovem Aaron Swartz, que estava sendo acusado em milhões de dólares por compartilhar arquivos sob direitos autorais na internet, sem poder, caso a acusação fosse confirmada, pagar pelo “crime” de distribuir esse material livremente e sem cobrar por ele. Também escolheu encurtar sua vida. Segundo o Ministério da Saúde e OMS, estima-se que no Brasil aconteçam 24 suicídios por dia – mas o número de tentativas frustradas é ainda maior.

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