o-vale-do-fim-do-mundoPenso que todos sempre ouvem histórias sobre o lugar de onde vieram, passadas pelos pais ou avós. Eu nasci em Witmarsum, uma cidade grande em território, mas pequena em moradores: são pouco mais de 3.600 habitantes. Uma típica cidade pequena do interior, daquelas de que ninguém nunca ouviu falar e sempre pede para repetir o nome seguido da pergunta: “isso realmente existe?”. Existe, e fica no Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina, escondida no meio das serras. Está entre as cidades em que nevou este ano, caso precisem de uma referência mais atual. Faz limite com os municípios de Salete, Vitor Meireles, José Boiteux, Taió e Donna Emma. Se vocês pesquisarem no Google Imagens, encontrarão fotos da casa em que minha mãe cresceu, um sítio que agora está à venda. Ela e meu pai também nasceram em Witmarsum. Eram vizinhos. Meus avós paternos e parte dos meus tios ainda moram lá.

Ao contrário da impressão que tenho, nunca me contaram histórias sobre Witmarsum, muito menos sobre as cidades em volta. Não sei se é pela falta de ter o que contar, ou porque somos uma família pouco comunicativa – tenho a impressão de que, na verdade, eu é que não falo muito com todo mundo, sendo sempre a última a saber de todas as fofocas familiares, isso quando fico sabendo. Depois da leitura de O vale do fim do mundo,vi que essa é uma característica daquela região, povoada por imigrantes alemães que foram para lá fugindo das duas grandes guerras mundiais. Esses são os primeiros colonos do Alto Vale, aqueles que trouxeram seus costumes da Europa e os misturaram com os dos índios botocudos e demais brasileiros quando chegaram aqui. E sumiram do mundo, onde ninguém mais ouviu falar deles, apenas os que se embrenharam mata adentro em Santa Catarina em busca de nada.

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