tipos-de-perturbacaoVou começar dizendo o óbvio: é difícil, extremamente difícil, falar sobre um livro de que se gostou muito. A impressão (talvez acertada) é de que é muito mais fácil elencar os motivos para não se ter admirado uma obra: o ser humano é extremamente crítico e facilmente enxerga aquilo que não lhe agrada – e, ao mesmo tempo, é polido demais para sair por aí apontando para tudo aquilo de que não gosta. Quando o livro me conquista, não resta muito a dizer além de: amei. “Amar” algo já engloba toda uma gama de preferências e sentimentos que não precisa ser muito explicada – até porque o amor nem sempre faz sentido. Mas há a obrigação, depois de anos falando sobre livros, de tentar apontar o motivo desse “amor”. O problema é que nenhum desses pontos parece ser justo com a obra, a ponto de resumir com exatidão o que torna algum livro digno desse amor.

Eu amei Tipos de perturbação. Não conhecia a prosa de Lydia Davis, e apenas a descobri recentemente, como a maioria dos leitores brasileiros. A primeira vez que ouvi seu nome foi através da programação da Flip 2013, que a trouxe para compor uma mesa com John Banville – a que eu mais queria ver, e que perdi. A segunda vez foi com o lançamento do livro propriamente dito, semanas antes do evento. E a terceira, com o anúncio da vencedora do Man Booker Prize 2013, que, sim, foi Lydia. Três ingredientes certeiros para fazer um autor até então obscuro virar assunto no meio literário brasileiro e deixar todos curiosos.

Leia a resenha completa no Posfácio.