a-espuma-dos-diasNa primeira vez em que vi a capa de A espuma dos dias, livro de Boris Vian, pensei: “minhas avós adorariam essa imagem”. Os dois periquitos rodeados por flores chamam a atenção de longe pelo seu estilo kitsch, que nesse caso não é nem um pouco ruim. Acredito que não há imagem melhor para representar o romance de Vian, que brinca com o absurdo e o inusitado para contar a história de vida e morte de um amor. Afinal, o amor é brega na maior parte do tempo.

Publicado originalmente em 1947, A espuma dos dias apresenta uma realidade em que pianos dão forma e sabor a elaborados drinks, ratos são os melhores amigos de um cozinheiro – e esse, uma das pessoas mais respeitáveis do círculo social do protagonista, diferente de sua irmã, que resolveu estudar filosofia. As geringonças descritas por Vian são um deleite à parte na construção do livro, concentrado na vida breve do jovem casal Colin e Chloé. Para Colin, a vida existe apenas para ser aproveitada. O rico rapaz não economiza sua conta bancária para se divertir com amigos, promover festas e passeios, desfrutar das coisas caras. Quando encontra Chloé e, instantaneamente, decide que com ela irá se casar, desfrutar do prazer desse momento é o seu grande objetivo. As ações das personagens são assim, impulsivas e impensadas, e no momento em que as ideias surgem, tratam logo de executá-las.

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