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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Num estalar de dedos, de João Campos Nunes

estalarO tempo é relativo, como Albert Einstein nos provou. Para quem está no espaço, a passagem de tempo é mais lenta do que para quem está na Terra. Mas não precisamos ir até a Lua ou Marte ou Saturno para tirarmos a prova disso. Um dia de tédio sentado na escrivaninha do trabalho olhando para um computador passa muito mais lentamente que um sábado de passeio pelos parques da cidade – é de praxe: os momentos ruins, angustiantes ou modorrentos passam devagar; já os alegres, eufóricos e intensos, vão embora assim, num estalar de dedos.

É num estalar de dedos que a história de Jacó acontece. Primeiro, há a visão da traição, Sara na cama com outro homem, que não sabemos quem – ainda. Depois, o jorro de emoções, pensamentos e injúrias contra a mulher e contra a vida, lembranças de relações passadas e do encontro com Sara que passam pela mente do protagonista rapidamente, num intervalo de cinco segundos. Em Num estalar de dedos, João Campos Nunes dobra os milésimos em posts e tweets que guardam toda a dor da traição e a indignação pelo amor que Jacó sente. Meteorologista de formação, ele parece ser um homem comum: tem seu emprego, tem amigos, é dotado de certa timidez com as mulheres, que mantém desde a juventude, diferente da falta de vergonha de seu melhor amigo, Fernão. Jacó parece ser um homem calmo, quieto, mas guarda dentro de si tudo aquilo que gostaria que explodisse para todos ouvirem.

Leia a resenha completa no Amálgama.