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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Alguns livros

Com a mudança para São Paulo, o trabalho, a vida social (que agora posso considerar ter agora), e eu estar dando muito mais atenção para a televisão (tenho que justificar os R$ 150,00 da NET que venho pagando), não encontro muito tempo para escrever mais resenhas – até o número de livros lidos diminuiu consideravelmente. Mas calma, não estou desistindo do trabalho, só estou mais preguiçosa mesmo. Por isso, vou falar rapidinho de algumas leituras que fiz durante o ano até agora que não ganharam uma resenha própria por “n” motivos – como não saber como falar deles sem uma segunda leitura, ou achar que o texto ficaria muito ruim e preferir nem começar. Então aí vai:

mrs-dallowayMrs. Dalloway, de Virginia Woolf

Comecei a ler Mrs. Dalloway no Carnaval e acabei deixando de lado por causa de outras leituras. Uns dois meses depois voltei ao livro, lendo desde o começo de novo, e aí estava dando a atenção devida ao romance de Virginia Woolf. O livro segue duas histórias que se passam em Londres em um dia de 1922. Em uma, a narração se concentra na tal Mrs. Dalloway, uma dama da sociedade inglesa que se prepara para uma festa que será oferecida a seus amigos na noite daquele dia. Ela vai à floricultura encomendar flores, arruma seus vestidos, recebe um antigo amigo – com quem iria se casar -, fala sobre a filha, etc. Do outro lado, Virginia apresenta um ex-soldado da Primeira Guerra, Septimus, que sofre com alucinações, e sua jovem esposa, que tenta lidar com o problema do marido. O livro apresenta esses dois opostos tão diferentes de forma a fazê-los se encontrar no final, mostrando como  notícias sobre a pessoa pessoa mais insignificante para certo círculo social pode invadir abruptamente a vida de outra. É uma leitura reflexiva, sem muita ação, onde os pensamentos das personagens têm papel fundamental na narrativa – e o final se aproxima mais a um anticlímax, perfeito para toda a história.

 como-ficar-sozinhoComo ficar sozinho, de Jonathan Franzen

Sei lá por que demorei tanto para ler esse livro, acho que ele estava há uns dois anos, pelo menos, na minha pilha. O volume reúne ensaios e reportagens de Jonathan Franzen sobre diversos temas, como tecnologia (Franzen é conhecido por ser ranzinza em relação à internet), um relato incrível sobre o Alzheimer de seu pai (esse texto foi publicado em uma edição da piauí), a maneira leviana como dizemos “eu te amo” a todo tempo, o grande romance americano, ou ainda um texto emocionante sobre a morte de David Foster Wallace, que era seu grande amigo. Franzen consegue escrever muito bem sobre temas diversos, embora não tenha me sentido tão envolvida com eles como com os textos do próprio Foster Wallace e John Jeremiah Sullivan. Mas são bons, sim, e valem a leitura.

o-homem-sentimentalO homem sentimental, de Javier Marías

O homem sentimental foi o segundo livro de Marías que eu li – o primeiro foi Os enamoramentosmaravilhoso. Neste livro, um cantor de ópera espanhol está em Madrid para uma série de apresentações. Em uma de suas viagens de trem, ele topa com um trio peculiar de pessoas – dois homens e uma mulher que certamente viajavam juntos, mas não trocaram uma palavra durante o trajeto. Ele, então, reencontra essas pessoas no hotel em que está hospedado e começa a se relacionar com elas: Natália Manur, esposa de um rico banqueiro, e seu assistente, cuja tarefa principal é entreter a mulher. O cantor, claro, começa a nutrir sentimentos maiores que apenas amizade por Natália, e boa parte da narrativa se concentra nesse desejo complexo e frustrado pela presença do marido. É um livro curto, narrado em primeira pessoa e bastante envolvente depois que você supera as primeiras páginas – apesar de boas, achei elas um pouco monótonas demais, muito tempo falando sobre sonhos e hábitos do protagonista que não me pareceram muito interessantes. Novamente, é um livro onde os devaneios do protagonista são muito mais importantes que as suas ações – o momento de tensão acontece apenas na conversa nervosa que ele tem com o sr. Manur. Não achei maravilhoso como Os enamoramentos, mas é bom, sim.

fF., de Antônio Xerxenesky

Uma garota brasileira de 25 anos que mora em Los Angeles é contratada para matar Orson Welles em 1985. Os métodos da assassina profissional são bem peculiares: ela estuda seus alvos, conhece suas fraquezas para fazer com que a morte pareça natural, e não criminosa. Para o serviço, ela passa a assistir às obras de Welles e se conecta com o cinema, o que complica o seu trabalho. Essa sinopse pode sugerir um thriller, mas o livro está longe disso. É a própria Ana quem narra sua história, e misturada entre a descrição deste trabalho, ela revela coisas sobre sua família – o pai envolvido com os militares durante a ditadura, a irmã mais nova que já tentou o suicídio várias vezes – o seu próprio deslocamento de identidade e solidão causados pelo tipo de trabalho que tem, teorizações sobre a arte e um certo envolvimento amoroso com um francês, Antoine, quem lhe apresentou os filmes de Welles e o gosto pelo cinema. É uma leitura rápida e entretida, sem ser pedante nas referências culturais e nem superficial demais. Xerxenesky escreve aquilo que é importante para a trama sem exageros. Ótimo livro.