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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Livros que não li mas olho vez ou outra

Vamos falar de livros grandes, bonitos, belíssimos, caros, que você dá o olho da cara para ter mas acaba não lendo de cabo a rabo? VAMOS!

Tem alguns livrinhos aqui na minha estante (ou na pilha de livros a ler) que tenho o maior orgulho de possuir, mas que não fiz aquilo que deveria ter feito com eles: lido. Tenho para isso várias desculpas:

1- não posso sair com eles de casa, pois são grandes e pesados;

2- não quero estragar eles com esse meu manuseio psicótico que tenho com os livros (não que eu me importe com o estado físico dos meus livros, muito pelo contrário, mas esses eu prefiro manter intactos);

3- esses livros não possuem uma narrativa que eu tenha que começar e ir até o final, posso dar uma olhadinha quando der na telha.

É essa terceira desculpa a que eu mais uso. E, realmente, não acredito que esses livros tenham sido feitos para você sentar a bunda no sofá e ler até acabar. São tipo os “livros de mesa de centro”, mais decorativos que literários, com muitas fotos e gravuras e olha que bonitinhas essas imagens *continua passando as páginas sem ler uma palavra*.

Mas por serem livros, acho injusto da minha parte olhar só para as figurinhas, então vez ou outra eu realmente pego eles, abro em uma página aleatória e começo a ler (porque sim, dá pra fazer isso). Então aí vai uma listinha com os livros abra-numa-página-qualquer que eu tenho aqui em casa.

1- David Bowie (Cosac Naify)

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Quando vi esse livro maravilhoso do David Bowie na livraria eu abracei ele e não soltei mais. Tão lindo, tão grande, tão pesado, tão laranja… Esse eu com certeza folheei mais de uma vez para ver todas as roupas, fotos, letras etc. de Bowie. E eu nem sou daquelas fãs que sabem todas as letras de cor nem nada. É que é um livro realmente lindão! Valeu a graninha gasta (não, não comprei numa das famosas promoções da Cosac, falha minha, mas é assim que eu “rolo”, na impulsividade). O livro foi feito em parceria com o MIS aqui de São Paulo, que na época do lançamento estava com a exposição do Bowie instalada no museu – que foi linda de ver. Ou seja, é um catálogo bem chique da exposição.

Começa o festival de fotos hipsters de livros com Horácio interessadíssimo no cabelo de Bowie.

2- The Wes Anderson Collection, de Matt Zoller Seitz (ABRAMS)

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Esse foi um presente de um amigo. Vi pela primeira vez na livraria, claro, e foi paixão instantânea. Nem vi todos os filmes do Anderson, mas os que assisti estão sempre entre os meus favoritos. Também grandão, também em capa dura, o livro traz material inédito e fotos ENORMES de todos os filmes de Wes Anderson – tirando Grande Hotel Budapeste, feito depois desse livro. Tem uma introdução do Michael Chabon, tem a entrevista/conversa de Matt Zoller Seitz com o diretor falando sobre cada filme, detalhes sobre os bastidores, os atores, milhares de ilustrações e referências (toda a parte gráfica do livro é muito fofinha). Enfim, dá vontade de chorar com a beleza do livro. Esse com certeza vai ficar abertão na minha mesa de centro (quando eu tiver uma) que nem aquelas bíblias de vó sempre abertas em alguma ilustração sofrida – só que nesse caso vai estar numa foto de Viagem a Darjeeling.

Falando em Grande Hotel Budapeste: não tem capítulo no livro, mas tem esse vídeo aqui que o Matt fez sobre o filme.

Você abre o livro e dá de cara com isso <3

Você abre o livro e dá de cara com isso <3

Gosto tanto do Wes por causa do Bill Murray ou gosto tanto do Bill Murray por causa do Wes?

Gosto tanto do Wes por causa do Bill Murray ou gosto tanto do Bill Murray por causa do Wes?

É disso que eu tô falando. 

É disso que eu tô falando.

3- Cartas extraordinárias, organizado por Shaun Usher (Companhia das Letras) 

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Abri em uma página aleatória e caí numa carta escrita pelo tio de Chuck Jones – que criou uma pá de personagens clássicos da animação, como Coiote e Papa-Léguas – para ele e seus irmãos depois que o cachorro da família morreu:

“Ontem à noite, recebi um telefonema. ‘É o tio Lynn?’, uma voz perguntou.

‘É’, respondi. ‘É Lynn Martin. E você, é algum sobrinho desconhecido?’

‘Sou o Teddy.’ Ele parecia meio impaciente. ‘Teddy Jones, Teddy Jones, o cachorro residente da Wadsworth Avenue, 115, Ocean Park, Califórnia. É um interurbano.”

Não é fofo? <3

Nesse livro, Usher reúne cartas de pessoas famosas ou apenas cartas curiosas que foi encontrando por aí. São muitas, e várias delas vem com imagens das cartas originais. Shaun Usher reúne essas cartas também no site Letters of Note, que sugiro visitar. Acho que esse é o livro mais legal pra fazer essa de abrir numa página qualquer e ver no que dá. Tem cartas de Albert Einstein, Anaïs Nin, Dostoiévski, Oscar Wilde, Mark Twain e muita gente mais.

Como assim você manda o Elvis pro exército? DON'T TOUCH HIS HAIR, IT'S ART!

Como assim você manda o Elvis pro exército? DON’T TOUCH HIS HAIR, IT’S ART!

Telegrama de 36 escritores americanos pedindo para o presidente Franklin D. Roosevelt cortar as relações dos EUA com a Alemanha nazista. Treta.

Telegrama de 36 escritores americanos pedindo para o presidente Franklin D. Roosevelt cortar as relações dos EUA com a Alemanha nazista. Treta.

4- E se?, de Randall Munroe (Companhia das Letras) 

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Esse não tem capa dura e nem milhares de ilustrações, mas pera lá, isso não significa que ele não seja muito legal. Randall Munroe é o cara que criou as tirinhas do xkcd. Dentro do site, ele tem uma seção chamada “What if?”, onde seus leitores enviam algumas perguntas para que ele responda, com algumas respostas atualizadas e perguntas inéditas agora em livro. Mas não são perguntas normais tipo “Como os meteorologistas fazem suas previsões?”, por exemplo. São umas coisas bem mais… peculiares. Hipotéticas. Absurdas. Tipo “Se todas as pessoas do mundo estivessem no mesmo lugar e pulassem ao mesmo tempo, o que aconteceria com o eixo da Terra?”. Mais ou menos isso. E aí o Randall responde, usa matemática, lógica, ciência, o que precisar para tentar chegar numa resposta mais próxima – ou distante – da realidade. Porque se algo não tem uma explicação, ou é respondido com um simples “Sim”, “Não”, “Todos morreriam” (que é bem recorrente), ele dá um jeito de manipular os fatos e dar uma resposta tão absurda quanto a pergunta. É muito engraçado. E ainda tem os bonequinhos palitos do xkcd.

Vocês não sabem, mas a seca da Cantareira e a falta de água em Sâo Paulo são uma experiência para responder essa pergunta aí.

Vocês não sabem, mas a seca da Cantareira e a falta de água em Sâo Paulo são uma experiência para responder essa pergunta aí.

5- Parisian Cats, de Olivia Snaije e fotos de Nadia Benchallal (Flammarion) 

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Demorou, mas aqui está um livro de gatos. Esse apareceu magicamente na minha mesa lá na firma (cof) e sequestrei ele pra casa (cof cof). O livro é dedicado a 19 gatos que vivem em estabelecimentos como cafés, livrarias, restaurantes etc. em Paris. GATOS. EM. PARIS. Eu não preciso de mais do que isso para ser feliz. E as fotos são maravilhosas, um monte de gato dormindo em alguma estante de livros ou então encarando os clientes com olhar blasé. Gatinhos em vitrines. Gatinhos em janelas. Gatinhos em sofás. Gatinhos everywhere. O mundo precisa de mais gatinhos.

Horácio encantado com Fa-Raon, o gato do Bristol Hotel. Você pode visitá-lo n0 112 da Rue du Faubourg-Saint-Honoré, Paris. 

Horácio encantado com Fa-Raon, o gato do Bristol Hotel. Você pode visitá-lo n0 112 da Rue du Faubourg-Saint-Honoré, Paris.

Ps.: Passei um bom tempo admirando esse Building stories que aparece de figurante aí nas fotos, mas esse juro que vou ler inteirinho. Vou sim. Me cobrem.