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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Mais uma lista de melhores leituras de 2015 (que ninguém aguenta mais)

Por trabalhar com redes sociais para uma editora, o que mais ando vendo no fim do ano são as listas de melhores livros do bendito ano. E eu não aguento mais tanta lista. Já tem até uma lista das melhores listas de melhores livros (please, stop listas, mas essa é bem legal porque mostra umas estatísticas das listas, como número de autoras mulheres, homens, traduções, brancos, negros que aparecem nelas etc.). Mas se eu não suporto mais ver tanta lista por aí, por que estou fazendo uma? Porque é tradição, porque quero relembrar o que li esse ano, porque o Google adora e vivo recebendo visitas no blog por causa delas (rs).

De acordo com o DATAr.izze.nhas (a página de livros lidos), o número de títulos que eu li vem caindo a cada ano, shame on me. Já cansei de procurar desculpa para justificar isso (ano passado foi a mudança para São Paulo), então vou jogar a real e dizer que às vezes estou tão cansada, mas tão cansada, que só quero deitar no sofá e encarar a parede (ou então assistir novela mesmo). Ou talvez esteja desenvolvendo alguma dificuldade de me manter concentrada em uma coisa só. Mas ainda consegui reunir nove livros que gostei muito mesmo de ler em 2015, entre coisas que comecei no ano passado (beijo, DFW) e até uma releitura. Então, segue a listinha em ordem cronológica de leitura. :)

Graça infinitade David Foster Wallace

Horácio Pawster Wallace

Horácio Pawster Wallace

Óbvio. Claro. Até falei na lista do ano passado que provavelmente ele estaria aqui esse ano. Comecei a leitura do Graça infinita em novembro de 2014 e só fui terminar lá em março. Mas valeu toda a empreitada, que puta livro foda. Só de falar dele para alguém dá vontade de começar a ler tudo de novo para ver se entendo todas aquelas coisas que deixei passar. Porque é muita coisa, impossível captar tudo na primeira leitura, ou na segunda, ou na terceira – segundo relatos. Mas mesmo assim você achou esse livro foda? Sim, mesmo assim. E recomendo pra qualquer pessoa que eu considere ter estômago para encarar esse catatau (de certa forma ele fortalece seu abdômen depois de tanto apoiar o livro na barriga para ler, talvez esteja aí a minha fórmula de emagrecimento desse ano). Leiam esse, por favor.

Um outro amorde Karl Ove Knausgård

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No ano passado, A morte do pai entrou na listinha de melhores livros, mas se eu tivesse lido Um outro amor naquele ano provavelmente ele não estaria lá. Não porque seja ruim, claro que não, é um livro ótimo, mas gostei tão mais de Um outro amor. Nesse, o Knausgato conta como conheceu sua segunda mulher, como se sentiu quando nasceram seus filhos, como essa relação toda dele com a mulher era conturbada mas ao mesmo tempo muito bonita. E gente, pela primeira vez me emocionei com o relato de um parto. Ainda não entendo como isso aconteceu. É meio por ter gostado tanto do segundo livro da série Minha luta que o terceiro, A ilha da infância, que também é bem legal, não estará aqui nessa listinha.

Stonerde John Williams

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Era tanta foto no Instagram, tanta resenha, tanta matéria falando desse livro que meu lado hipster-intelectual teve que ler. E oh, foi bem bom. Livro simplão, sem muita firula, conta a vida inteira do cara de um jeito que te deixa meio na bad, por ele ser tão passivo com todo mundo e parecer que não tem controle algum daquilo que faz na vida. E que chega no final com aquela sensação de que não fez nada de bom, que não deixou sua marca, que foi só mais um que apareceu e foi embora (e com a maioria das pessoas é assim mesmo). Você tem toda aquela expectativa de deixar um legado e ser um mártir ou algo do tipo e no final tem, no máximo, uma dedicatória em um livro. Mas hey, muitos não vão ter nem isso. Belo livro.

A mão esquerda da escuridão, de Ursula K. Le Guin

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A primeira vez que eu li esse livro foi em 2009. Provavelmente já estava entre os melhores livros do ano. Daí li de novo para o #LeiaSciFi2015 e acabei notando umas coisinhas que não tinha percebido na primeira leitura, como o machismo do protagonista, a forma que ele se refere a características femininas como coisas ruins para explicar a peculiar sexualidade do planeta que visita. A resenha aí do link permanece a mesma, mas tive que fazer esse update no final. E sim, continua sendo meu livro de FC preferido, por isso merece estar nessa listinha (que não é de livros do ano ou melhores lançamentos, mas de leituras que fiz, então né, vale). Voltar a ler A mão esquerda da escuridão me lembrou que é bom reler as histórias que você gosta, justamente porque você percebe essas coisinhas que deixou passar da primeira vez. Quem não conhece essa senhora, por favor, tô falando aqui mais uma vez dela para você tomar vergonha na cara e conhecer. 😛

A amiga genialde Elena Ferrante

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Eu quase joguei esse livro na parede quando terminei de ler. “COMO ASSIM, MINHA SENHORA, VOCÊ TERMINA O LIVRO DESSE JEITO????!!!!?” O que me levou a ler A amiga genial foi o mesmo motivo de Stoner: geral falando, sou maria-vai-com-as-outras, precisava ler e tal. Gostei muito da forma que a Elena conta essa história, de como ela consegue, mesmo com a trama sendo em um tempo passado e em outro país, passar essa sensação de familiaridade com as protagonistas – esse negócio da competição velada que havia entre Lenu e Lila. E que protagonistas. Não tem como escolher uma favorita. Lila é muito misteriosa, quase inalcançável, e fiquei logo de cara meio obcecada com ela como a narradora. Lenu já mostra ser muito mais próxima de você por conta das inseguranças, de como faz Lila de espelho, de como é impulsionada a ser melhor e crescer só para estar mais perto do patamar de Lila. E tem aquele jeitão propriamente italiano que é divertido e dramático. Grande livro.

Do que é feita uma garota, de Caitlin Moran

Sim, fiquei com preguiça de fazer fotos novas dos livros e estou reciclando as conceituais do meu Instagram.

Sim, fiquei com preguiça de fazer fotos novas dos livros e estou reciclando as conceituais do meu Instagram.

Com certeza esse foi o livro mais divertido de 2015. O grande culpado por eu ter gostado tanto desse livro é o humor meio trash da Johanna, a protagonista adolescente que não tem outro objetivo na vida além de perder a virgindade e transar com o maior número de caras possíveis. Sim, é isso o que ela quer, e por isso ela se transforma totalmente para ser vista como alguém legal. Mas por trás disso tem as complicações da família pobre que depende de auxílio do governo, o pai com suas eternas expectativas de ser um artista famoso algum dia, a relação birrenta, mas bonita, com seus dois irmãos. E, claro, as referências aos anos 1990, principalmente as músicas, que por mais que eu fosse pequena demais na época para conhecer e apreciar (desculpa), foram coisas que descobri mais tarde e que sempre fui fascinada. Mas isso não é o mais importante do livro: achei que essa seria uma leitura muito legal para uma adolescente aí, na idade da Johanna, para receber essa ~mensagem~ de que uma garota pode ser e fazer o que quiser e não precisa se encaixar em padrão algum. Tão bonita, a Johanna. <3

Nora Webster, de Colm Tóibín

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Nora Webster é um livro cheio daquelas pressões que uma mulher sozinha pode sofrer, ainda mais quando perde o marido. Quando todo mundo acha que ela quer ser consolada, que precisa de ajuda, que passa a ser conhecida como a “viúva do fulano” ao invés de ser abordada como a pessoa que é. Gostei muito desse novo do Tóibín por mostrar isso: a Nora está, sim, sofrendo a perda do marido, passando por dificuldades, tentando reerguer a vida e aquela coisa toda, mas também está tentando se impor, ser dona das próprias escolhas sem ter que aguentar desaforo ou pena de ninguém. Que bela personagem é a Nora.

Não há lugar para a lógica em Kassel, de Enrique Vila-Matas

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Fazia um tempinho que não lia algo do Vila-Matas, e provavelmente teria levado mais tempo para ler esse se a Cosac Naify não tivesse oferecido (“quer ler esse livro, Taize?” “Opa, mandaê!”). E foi um livrinho bem gostosinho de ler. Antes achava que o Vila-Matas era um autor para eu ler quando tava naquelas “bad” (oi, foi assim que li Suicídios exemplares, hihi), mas em Não há lugar para a lógica em Kassel ele tá tão “alegre”, animado com todas as obras que visita, dando aquela filosofada marota sobre arte, ser artista, buscar o belo, essas coisas… Enfim, fechei um livro com um belo sorrisinho de satisfação e contentamento.

Assim começa o malde Javier Marías

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Ando considerando Marías meu autor favorito nos últimos meses. Não gosto de ter autores favoritos, mas sei lá. Os enamoramentos é um baita livro foda e Assim começa o mal não ficou muito atrás. Até comecei a ler todos do Seu rosto amanhã porque, depois que terminei o último, bateu aquela coisa de conhecer tudo o que o cara já fez. Eu aprecio bastante como o Marías esgota o assunto que trata, narra o que está em volta, o que se passa na cabeça do narrador, o que o narrador imagina que passa pela cabeça daqueles que observa fazendo uma cena simples durar páginas e páginas, enfim, é como se não quisesse deixar nenhuma possibilidade solta por aí. E em Assim começa o mal não é só a vida privada das personagens que é exposta pelo autor – de um jeito muito interessante -, mas gostei de todas aquelas partes em que ele fala como os espanhóis lidavam (e ainda lidam, imagino) com sua própria história e os horrores dela.

É isso o que deu para fazer em matéria de leitura esse ano: 25 livros (até agora), 9.233 páginas, apenas metade da meta de livros que eu tinha (números gentilmente cedidos pelo Goodreads). Mas se Dois Mil e Desespero não for tão desesperante assim, ano que vem será melhor. :)

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Boas festas.