As melhores leituras de 2020

Mais um fim de ano, maaaaais uma lista. Fazer lista é legal, vai, por mais que as pessoas reclamem. Em 2020 eu li vagarosamente, pois o Brasil não deixava eu me concentrar em coisas como a ficção, kkkkrying. Quando a quarentena começou — 300 anos atrás –, achei que acabaria lendo mais, pois ficaria o tempo todo em casa. Ledo engano.

Mas fiz ótimas leituras, claro. Conforme vou envelhecendo, vou ficando mais cri-cri com as minhas escolhas, aí as chances de ler algo bom são bem maiores. Selecionei os meus favoritos do ano, que alguns aqui já devem saber quais são. Vem ver.

Garota, mulher, outras, de Bernardine Evaristo (Companhia das Letras, tradução de Camila von Holdefer)

Esse livro foi uma das melhores surpresas de 2020. Não conhecia a autora até o livro chegar aqui em casa, ler a sinopse e começar a ler na hora. São várias histórias de várias mulheres de várias origens e visões de mundo, que se entrelaçam e formam um retrato bem diverso da vida. É bem escrito, bem feito, bem bom de ler.

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O que eu amava, de Siri Hustvedt (Companhia das Letras, tradução de Sonia Moreira)

Gosto demais da Hustvedt, mas desde O mundo em chamas nenhum outro livro dela me prendeu como esse. O que eu amava é uma história belíssima de uma amizade entre um historiador da arte e um pintor, que perpassa os anos e traz muitas reflexões sobre a arte e o amor. Lindo lindo.

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Falso espelho, de Jia Tolentino (Todavia, tradução de Carol Bensimon)

Um dos livros que mais indiquei esse ano, Falso espelho é uma coletânea de ensaios da jornalista sobre autoimagem, redes sociais, golpes, feminismo, mídia, padrões estéticos e o que mais envolve a nossa realidade. Sempre partindo de uma premissa pessoal, Tolentino coloca bem a sua experiência como mulher millennial dentro de um contexto maior.

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Dez drogas, de Thomas Hager (Todavia, tradução de Antônio Xerxenesky)

Outra não ficção que amei ler esse ano, é uma história da medicina através das drogas e remédios que trouxeram avanço para tratamento de doenças e o desenvolvimento da saúde. Ou não tanto assim da saúde, já que algumas dessas “invenções” são coisas tipo… cocaína, rs. É muito legal para ver como coisas pesquisadas para um fim acabaram ganhando outro uso, e como o autor explica também a indústria farmacêutica.

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A vida mentirosa dos adultos, de Elena Ferrante (Intrínseca, tradução de Marcello Lino)

Ah, achou que demorou para eu falar desse? É claro que o último romance da Ferrante está entre minhas leituras favoritas desse ano. Não tão bom quanto a tetralogia napolitana, claro, mas ainda assim muito bom. Gosto muito de romances de formação, e a Ferrante faz aqui isso numa escala um pouco menor, mostrando o avanço da protagonista durante sua adolescência e os segredos que descobre sobre sua família.

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Uma noite, Markovitch, de Ayelet Gundar-Goshen (Todavia, tradução de Paulo Geiger)

Esse livro estava aqui em casa há anos, daqueles que comprei por causa da capa, e me arrependo de ter demorado tanto para ler. Amei o jeito de Gundar-Goshen escrever, e a história dos dois amigos israelenses e suas relações amorosas, familiares e também com a própria história de seu povo é bem tocante.

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O mundo da escrita, de Martin Puchner (Companhia das Letras, tradução de Pedro Maia Soares)

Uma grande biografia da palavra escrita e dos livros, Puchner apresenta grandes obras que marcaram o mundo. Desde a primeira história que sobreviveu aos tempos da oralidade e foi registrada por escrito, até conhecidos livros de sucesso comercial. Ele faz um resgate histórico muito curioso, qualquer adorador dos livros vai curtir ler.

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O amigo, de Sigrid Nunez (Editora Instante, tradução de Carla Fortino)

Esse livro me marcou de um jeito. Fala de amizade, de amor, de suicídio, de literatura, de luto. E de cachorro. Nunez escreve de um jeito direto, sem grandes sentimentalismos, e fiquei muito vidrada na escrita dela. Os temas que o livro traz me interessam, mas o que me pegou mesmo foi a forma com que ela contou essa história.

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Berta Isla, de Javier Marías (Companhia das Letras, tradução de Eduardo Brandão)

Marías para mim é que nem Ferrante: lançou alguma coisa, vou gostar. É um livro de espionagem sem falar exatamente de espionagem, mas sim do que a esposa de um espião sente e enfrenta quando descobre a real profissão do marido. Aquela coisa bem Marías: super contemplativa, profunda, densa. Que eu amo.

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É isso! Ainda posso citar Sistema nervoso, de Lina Meruane, A ridícula ideia de nunca mais te ver, de Rosa Montero, Solução de dois estados, de Michel Laub. Foram mais leituras boas do que leituras medianas, o que é bom. É ótimo.

Quais foram os seus favoritos?


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Garota, mulher, outras, de Bernardine Evaristo
O que eu amava, de Siri Hustvedt
Falso espelho, de Jia Tolentino
Dez drogas, de Thomas Hager
A vida mentirosa dos adultos, de Elena Ferrante
Uma noite, Markovitch, de Ayelet Gundar-Goshen
O mundo da escrita, de Martin Puchner
O amigo, de Sigrid Nunez
Berta Isla, de Javier Marías

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