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	<description>Resenhas e aleatoriedades literárias</description>
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		<title>As correções, de Jonathan Franzen</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 21:34:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Izze Odelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[As correções]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Jonathan Franzen]]></category>
		<category><![CDATA[literatura norte-americana]]></category>
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		<description><![CDATA[De pedra em pedra se monta um castelo e de gota em gota se forma um rio. Há vários desses ditados populares que querem dizer, basicamente, que aos poucos algo se torna grande. Grande o bastante para se tornar perceptivelmente bom ou, em muitos casos, insuportável. A rotina de Alfred e Enid Lambert é assim: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/01/as-correcoes.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2771" title="as correcoes" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/01/as-correcoes-205x300.jpg" alt="" width="205" height="300" /></a>De pedra em pedra se monta um castelo e de gota em gota se forma um rio. Há vários desses ditados populares que querem dizer, basicamente, que aos poucos algo se torna grande. Grande o bastante para se tornar perceptivelmente bom ou, em muitos casos, insuportável. A rotina de Alfred e Enid Lambert é assim: nas pequenas ações de cada um, forma-se um ambiente opressor, deprimente e decadente. As pequenas torturas diárias que o casal de idosos confere um ao outro extrapolam a vida conjugal e estendem seus tentáculos para os três filhos. Eles, com suas próprias vidas, tão diferentes da dos pais, vão alimentando hábitos, pensamentos e escolhas que só contribuem para uma existência dolorosa e vazia enquanto divergem sobre a razão e o futuro do velho casal.<span id="more-2770"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>As correções</em>, <strong>Jonathan Franzen</strong> tece pacientemente uma teia repleta dessas pequenas torturas que afastam e aproximam a família Lambert pelos dias que antecedem um encontro de Natal ansiosamente aguardado apenas por Enid, mulher conservadora que sente prazer em julgar a índole daqueles que vivem à sua volta, sem poupar críticas ao comportamento de seus filhos e à enfermidade de seu marido. Alfred sofre com a perda de sua sanidade e força física sugadas pelo mal de Parkinson; Gary com uma depressão não declarada e a tensão crescente com sua mulher e filhos; Chip com o desemprego depois de um caso amoroso com uma aluna, um roteiro mal recebido e uma oportunidade financeira na Lituânia; e Denise com seus relacionamentos confusos e desastrosos. Cada um sente o quão doloroso é estarem reunidos e sendo julgados e testados pelas expectativas que um tem do outro.</p>
<p style="text-align: justify;">Jonathan Franzen aprofunda as personalidades e os problemas de todas as personagens explorando, em detalhes, a história de cada um e a maneira com que se relacionam. É como se o narrador se fundisse a eles sutilmente para assim mostrar ao leitor seus pensamentos mais íntimos, e a cada nova informação liberada, mais ainda se percebe a agonia das personagens e a certeza de que, uma hora ou outra, todo esse material inflamável reunido em um espaço tão pequeno entrará em combustão. A família tradicional, próspera e bonita que Enid tanto lutou para construir à imagem de seus vizinhos de classe média alta irá desabar permanentemente. Mas Franzen consegue, de algum modo, manter os pedaços dessa família unidos e o leitor atento a todo esse drama.</p>
<p style="text-align: justify;">A união está na vontade que sentem de acertar as contas uns com os outros para, assim, corrigirem todos os problemas que atrapalham suas vidas e suas relações. Na vontade, na verdade, dos filhos que pensam e vivem de forma tão diferente de seus pais, que seguiram rumos de certa forma contrários daquilo que Enid, principalmente, esperava de sua família que representa o típico lar norte-americano. A impossibilidade de ela aceitar essas diferenças, jogando aos ares seus julgamentos antiquados tentando manter a imagem que sempre sonhou que sua família deveria ostentar de riqueza, requinte, prosperidade e união. O que seu marido não ajuda nem um pouco conforme é mais e mais consumido pela doença degenerativa.</p>
<p style="text-align: justify;">O materialismo, a sexualidade, o egocentrismo, a competitividade e a teimosia de cada membro dessa família é trabalhado por Franzen para atingir e causar reações que revelem e incrementem ainda mais os seus problemas. O romance todo é tomado por essas relações conflituosas muito bem apresentadas ao leitor e que os fazem reconhecer e tomar partido dessas personalidades, sem conseguir vislumbrar um desfecho que não seja trágico. Surpreendentemente, ele encerra essa história de forma bem pacífica, com as correções devidamente instauradas nessa família, mas isso não significa que todos tenham seus finais felizes. Afinal, quanto pode durar esses tempos pacíficos até a próxima crise?</p>
<p style="text-align: justify;"><em>As correções</em> é um romance dividido entre a complexidade do tema – as relações familiares ameaçadas pela sua decadência – e a facilidade da leitura, que rapidamente conquista o leitor com os dramas da família Lambert, traga toda a sua atenção para a tristeza e incompreensão que habitam o livro. Nenhuma família é perfeita, não o tempo todo, e o contraste entre as expectativas e a rigidez de Enid e Alfred com a liberdade ansiada pelos seus filhos dá vida ao livro. É por isso que essa ficção parece tão verdadeira e humana.</p>
<p style="text-align: center;">Conheça o catálogo da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Companhia das Letras" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/02/ciadasletras.gif" alt="" /></a></p>
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		<title>Crônica de um vendedor de sangue, de Yu Hua</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 12:38:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Izze Odelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica de um vendedor de sangue]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Chinesa]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Yu Hua]]></category>

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		<description><![CDATA[O dinheiro conseguido com sangue é sagrado. Nos campos da China do final dos anos 1950, o homem que vendia seu sangue era visto como forte, saudável, um bom partido para as filhas dos camponeses. Isso porque possuía sangue em abundância e bom o suficiente para receber por ele. Já nas cidades, o sangue é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/01/Cronica-de-Um-Vendedor-de-Sangue.jpg"><img class="size-medium wp-image-2763 alignleft" title="Cronica-de-Um-Vendedor-de-Sangue" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/01/Cronica-de-Um-Vendedor-de-Sangue-199x300.jpg" alt="" width="199" height="300" /></a>O dinheiro conseguido com sangue é  sagrado. Nos campos da China do final dos anos 1950, o homem que vendia  seu sangue era visto como forte, saudável, um bom partido para as filhas  dos camponeses. Isso porque possuía sangue em abundância e bom o  suficiente para receber por ele. Já nas cidades, o sangue é algo tão  sagrado que vendê-lo é quase como dar a própria vida. O que aqui  chamamos de ato solidário, doar para aqueles que necessitam, nessa China  constitui um mercado negro em que as pessoas davam sua energia em troca  de dinheiro – e precisavam, inclusive, levar mimos ao “Chefe de Sangue”  para que ele aceitasse comprá-lo. E o que deveria ser feito  esporadicamente vira um hábito que suga a vida das pessoas  transformando-as em vítimas.<span id="more-2760"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O mercado negro de sangue da China é o ponto de partida de <strong>Crônica de um vendedor de sangue</strong>, romance do escritor chinês <strong>Yu Hua</strong>,  que mostra como gradualmente seu protagonista utiliza a sua “energia”  para solucionar os problemas de sua família. Xu Sanguan – o nome faz  parecer que é seu destino viver de sangue – é um funcionário de uma  fábrica de seda de uma pequena cidade, casado com Xu Yulan, com quem  teve três filhos: Yile, Erle e Sanle. A família vive tranquilamente até  Xu Sanguan descobrir que seu primogênito é, na verdade, filho de outro  homem. A rejeição do filho até então favorito é imediata, mas como seu  verdadeiro pai não reconhece Yile, Xu Sanguan deve passar por cima dos  próprios ideais para conviver com o primogênito e aceitar que, apesar de  não terem o mesmo sangue, ser ainda assim seu pai.</p>
<p style="text-align: justify;">Yu Hua escreve apostando nos vícios de  linguagem, nas repetições de palavras, gestos, pensamentos e  comportamentos. Sua narrativa é simples e necessita de pouco para  abranger sentimentos e descobertas. É utilizando diálogos e narrando  ações tal qual elas acontecem que Yu Hua dá personalidade às suas  personagens. O tom do livro lembra as fábulas, que narram aquilo que  importa para a história, saltando no tempo para abordar os momentos mais  relevantes, ocultando aquilo que não contribui necessariamente para a  trama. O artifício que Yu Hua utiliza para dizer muito com poucas  palavras é eficiente e encantador. Assim, o ritmo de leitura é rápido,  sendo apreciado como se o leitor estivesse vendo e memorizando  rapidamente uma sequência de imagens que formam a trama, só que com  palavras, como se estivesse vendo os dramas de Xu Sanguan de dentro de  sua própria casa.</p>
<p style="text-align: justify;">As relações sociais da China no final de  1950 são bem exploradas pelo autor, pois são elas que levam o  protagonista a tomar a drástica decisão de vender seu próprio sangue com  frequência para garantir a sobrevivência da família. Yu Hua mostra o  desafio de Xu Sanguan em lutar contra seus ideias para manter sua  família unida na China comunista e sobreviver aos tempos de escassez e  conflitos trazidos pela industrialização comandada por Mao Tse-Tung. Sua  mulher e seus filhos sentem o peso dessas mudanças no cotidiano, no  trabalho, na mesa, no convívio com seus vizinhos, e apesar das atitudes  duras, Xu Sanguan demonstra bondade e solidariedade com seus familiares e  até com suas desavenças. E isso, aos poucos, consome não apenas seus  recursos financeiros, mas também sua própria vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Crônica de um vendedor de sangue </strong>é  um livro que mostra toda a sensibilidade dos chineses diante da  tragédia familiar e também social. É a história de apenas uma família,  mas que resume o que toda a China enfrentou sob o comando de Mao  Tse-Tung, que aceitou todas as suas mudanças com obediência  inquestionável. O choque inicial da leitura que mostra uma cultura tão  fechada e diferente da que conhecemos aos poucos se transforma em uma  história encantadora de um personagem que dá tudo o que tem para manter  vivos aqueles que ama.</p>
<p style="text-align: center;">Conheça o catálogo da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Companhia das Letras" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/02/ciadasletras.gif" alt="" /></a></p>
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		<title>Shantaram, de Gregory David Roberts</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jan 2012 21:04:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Izze Odelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em 1978, Gregory David Roberts foi preso por assalto à mão armada na Austrália. Ao se divorciar, o até então escritor se rendeu completamente à heroína, perdeu o contato com sua filha, sua família, e passou a roubar para alimentar seu vício. Capturado, ele foi condenado a passar 19 anos dentro de uma prisão de segurança [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/01/Shantaram.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2747" title="Shantaram" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/01/Shantaram-206x300.jpg" alt="" width="206" height="300" /></a>Em 1978, <strong>Gregory David Roberts</strong> foi preso por assalto à mão armada na Austrália. Ao se divorciar, o até então escritor se rendeu completamente à heroína, perdeu o contato com sua filha, sua família, e passou a roubar para alimentar seu vício. Capturado, ele foi condenado a passar 19 anos dentro de uma prisão de segurança máxima. Contudo, o horror das torturas sofridas dentro da cadeia e o desejo incontrolável pela liberdade levaram Roberts a um ato extremo: fugir. E em 1980, livre da prisão e um dos mais procurados foragidos da Austrália, ele desembarca em Bombaim, a cidade mais populosa do mundo. Muito mais do que uma chance de se esconder, se redimir de seus erros e começar uma nova vida, Gregory David Roberts encontrou na cidade a acolhida que nunca teve em nenhum outro lugar, e se sentiu em casa em meio ao caos da cidade indiana marcada pela pobreza, desigualdade e crimes.<span id="more-2745"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Em <strong>Shantaram</strong>, a vida do autor serve de base para esse romance que transita entre as camadas mais pobres de Bombaim até o luxo de Bollywood, entre a paz e solidariedade dos moradores de uma favela clandestina até a guerra no Afeganistão e a briga entre as gangues mafiosas da capital de Maharashtra. E entre o amor pela cidade, sua cultura e seu povo e o ódio e medo despertado quando sua liberdade fica novamente ameaçada. Recheado de personagens marcantes, o livro de mais de 900 páginas publicado pela editora <strong>Intrínseca</strong> aqui no Brasil revela a força desse protagonista para se reerguer nos momentos mais difíceis e encontrar lógica e bondade em meio à violência e a impunidade de Bombaim.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Shantaram</strong> conta a história de perseverança de Lin – nome falso do protagonista para não ser reconhecido pelas autoridades do país. Roberts teve que escrever o livro por três vezes, pois os dois primeiros manuscritos foram destruídos pelos policiais ao ser preso novamente, 10 anos após a fuga, na Alemanha. Não bastou ter passado por experiências extremas tanto física quanto psicologicamente. Roberts tinha que compartilhá-las e retirar delas lições para a vida toda. Sem muita explicação, ele já mergulha o leitor na vida de Bombaim dando início à história de Lin a partir do momento em que ele chega à cidade, vindo da Nova Zelândia. A empatia com Bombaim é imediata: a visão das favelas construídas com materiais precários, um amontoado de gente vivendo aglomerada em meio à sujeira, não foi chocante o bastante para deixá-lo apreensivo quanto a escolha desse destino. Aos poucos, mais e mais características marcantes e assustadoras surgem na rotina de Lin, acompanhado por um guia local, Prabaker, com quem deu início a uma grande amizade logo no primeiro contato. Linchamentos, sujeira, tráfico de drogas, tudo o que é corrupto e ilegal não diminui em Lin o sentimento de familiaridade com a cultura, o povo e a filosofia indianos. Narrando em primeira pessoa, conforme Lin se envolve mais ainda com a cidade e a absorve, o leitor também a aceita em suas particularidades e estranhezas, e vai também descobrindo um pouco mais do passado do protagonista.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/01/gregorydavidroberts.jpg"><img class="size-medium wp-image-2746 alignright" title="gregorydavidroberts" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/01/gregorydavidroberts-234x300.jpg" alt="Se essa resenha não te convencer a ler Shantaram, a cara de mau do autor vai." width="187" height="240" /></a>Situações bizarras e hilárias passam, então, a parecerem normais aos olhos do leitor – como quando os moradores da favela onde Lin mora comentam a sua atividade intestinal baseados nas observações que faziam enquanto ele cuidava de suas necessidades ao ar livre. Essa falta de privacidade até então assustadora torna-se normal. Os costumes de Bombaim aos poucos são reconhecidos e apreciados, e por mais suja e desorganizada que a cidade parece ser – e é –, Roberts consegue passar para o livro de forma compreensiva as estranhas leis que regem o cotidiano dos indianos, muitas vezes estabelecidas por uma própria comunidade ou pelo crime organizado, e não pelo governo ou outra instituição legal. O respeito, a alegria, a solidariedade e o instinto de sobrevivência com um senso de justiça único é o que mantém Bombaim de pé, funcionando em meio ao caos.</p>
<p style="text-align: justify;">De morador de favela a seguidor preferido do maior líder da máfia de Bombaim – atuando no mercado negro de câmbio, passaportes falsos e contrabando de ouro –, Lin passa pelas situações mais divergentes. Montou um posto de saúde na favela e auxiliou muitos de seus moradores, trouxe ideias inovadoras para os membros da máfia, se envolveu com diretores de cinema, assassinos, prostitutas e pessoas da mais humilde classe sempre com a mesma dedicação e paixão, pois como ele mesmo define: <em>“A Índia é o coração. É o coração que nos une.”</em> Não importa religião, profissão, nacionalidade ou classe, Lin se sente conectado com todos através de seu coração e retribui cada ajuda que recebe.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre as passagens mais interessantes de <strong>Shantaram</strong> estão as conversas entre Lin e Abdul Khader Khan, o líder da máfia de Bombaim. Suas discussões tratavam de, principalmente, questões sobre o bem e o mal, uma reflexão constante de como conviver com suas atividades ilegais e como enxergar nelas a bondade, algo que contribui para a evolução da vida. E o protagonista não aceita sem discutir as ideias de seu chefe, mas curioso ou irritado, tentava encurralar Khaderbai em seus próprios argumentos, dando ao leitor material o bastante para concordar ou não com esses conceitos apresentados pelo líder. O livro pode parecer demasiado sentimental para muitos leitores em alguns momentos, com recorrentes descrições “bregas” – como descrever olhos de Karla, sua grande paixão, como “do verde das lagunas, onde a água rasa descansa sobre areia dourada” –, mas assim como as famosas novelas mexicanas são famosas pelo seu drama exagerado, a demonstração de afeto ou ódio é acentuada pela maneira sentimental dos indianos se expressarem, e dentro desse contexto elas acabam fazendo todo o sentido.</p>
<p style="text-align: justify;">Se em <strong>Bombaim: cidade máxima</strong>, do jornalista Suketu Mehta – livro que até então mais me aproximou desse país –, os problemas da Índia e seu modo de viver são narrados à exaustão pelo autor, em <strong>Shantaram</strong> o foco está no povo que faz de Bombaim ser o que ela é: um lugar mergulhado em violência e injustiça, mas ainda assim amoroso, acolhedor e alegre, características fortes que se sustentam por mais que a destruição assole as vidas presentes nesse livro. É impossível não se apaixonar pelas personagens e pela cidade que adotou Lin e que Gregory David Roberts colocou nesse livro. E 900 páginas não são o bastante para dar conta de toda a história que o autor ainda tem para contar, já podemos esperar pela continuação que dará seguimento à vida tumultuada vida de Lin.</p>
<p style="text-align: center;">Conheça o catálogo da <strong>Intrínseca</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.intrinseca.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Intrínseca" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/02/selointrinseca.jpg" alt="" /></a></p>
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		<title>Peregrina de araque, de Mariana Kalil</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jan 2012 23:10:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Izze Odelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Dublinense]]></category>
		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana Kalil]]></category>
		<category><![CDATA[Peregrina de araque]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>

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		<description><![CDATA[O nome, a capa, o subtítulo: tudo indicava que Peregrina de araque: uma jornada de fé e ataque de nervos no Oriente Médio é um daqueles tipos de livros no melhor estilo YA Books, só que nacional. Lembra aquelas histórias de mulheres decididas que embarcam em alguma viagem maluca para esquecer um desapontamento afetivo ou profissional [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/01/peregrina-de-araque.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2739" title="peregrina-de-araque" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/01/peregrina-de-araque-e1325632060567.jpg" alt="" width="200" height="298" /></a>O nome, a capa, o subtítulo: tudo indicava que <strong>Peregrina de araque: uma jornada de fé e ataque de nervos no Oriente Médio</strong> é um daqueles tipos de livros no melhor estilo YA Books, só que nacional. Lembra aquelas histórias de mulheres decididas que embarcam em alguma viagem maluca para esquecer um desapontamento afetivo ou profissional e, no melhor estilo Sessão da Tarde, aprontam altas confusões. Depois de muitas situações absurdas e engraçadas, terminam em um momento de epifania, autoconhecimento ou qualquer outra coisa que “levante o astral”. O diário de viagem da jornalista gaúcha <strong>Mariana Kalil</strong>, publicado pela editora <strong>Dublinense</strong>, pode até ter muito disso. Contudo, ele não tem a pretensão de trazer importantes ensinamentos sobre a vida através de um romance água com açúcar. Mariana só quer mesmo contar como foi sua viagem, assim, de forma bem despretensiosa.<span id="more-2738"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Não, a autora não passou por nenhuma decepção amorosa ou algo do gênero para partir para o Oriente Médio. Jornalista da Zero Hora, foi a convite do jornal que ela topou partir para o Egito, Jordânia e Israel com mais 35 pessoas para fazer uma peregrinação religiosa em 15 dias. Sem procurar paz, conhecimento, Deus, revelações sobre a vida ou outras questões que inquietam as pessoas. Era para ela simplesmente ir e relatar sua viagem na companhia dos peregrinos. Puro trabalho. Mas o Oriente Médio, com todas as suas peculiaridades – a cultura, os conflitos, etc. – não podia deixar de marcar Mariana, e os e-mails diários enviados para a família em Porto Alegre como desabafo da estranha viagem se transformaram no livro <strong>Peregrina de araque</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante a leitura, uma das coisas que pensei em comentar sobre o livro é a visão um tanta ingênua e preconceituosa da jornalista para o que via logo na primeira etapa da viagem, em passagem pelo Cairo. A pobreza e sujeira da cidade surpreenderam negativamente Mariana que, em certo momento, se pergunta: onde estão os ricos? Aqui não tem nenhuma Padre Chagas? Uma Zara? O que pensei na hora foi “se você queria ir numa Padre Chagas, poderia ter continuado em Porto Alegre”. Mas lembrei da minha própria reação ao começar a ler o livro, de julgá-lo logo de cara como uma leitura não tão interessante, e deixei de lado essa reclamação – todos têm seus defeitos perdoáveis. De forma descontraída e objetiva, Mariana segue no relato de suas visitas a mosteiros, conventos, pontos sagrados, refazendo o caminho da santa família ao lado daqueles 35 peregrinos, idosos em sua maioria.</p>
<p style="text-align: justify;">Tanto quanto as visitas a pontos turísticos da região, a própria relação dela – uma religiosa, mas não praticante – com os devotos liderados por um frei e um padre, que a caminho das visitas rezavam missas, cantavam os cantos e orientavam os peregrinos com detalhes históricos – e religiosos – sobre tudo o que viam. E no meio disso está Mariana, contando sem medo ou vergonha tudo o que via – o comportamento de seus colegas de viagem, o chilique em cima de um camelo, o calor insuportável e a irritação em ter que servir de tradutora para pessoas que achavam um absurdo a população do Oriente Médio não falar português. Tudo de um jeito bem humorado, claro. O texto de Mariana, por mais rabugentas que sejam algumas de suas reclamações, esbanja simpatia.</p>
<p style="text-align: justify;">Claro que em um livro sobre peregrinação religiosa não poderia deixar de ter um pouco do citado autoconhecimento. Passar pelos lugares onde, segundo a Bíblia, Jesus passou não deixa de despertar certa emoção na autora, que transborda nos momentos mais inoportunos e a leva a se aconselhar também com os padres que lideram a turma de turistas. E, por mais incrível que pareça para um leitor pouco ligado em religião, é nesses momentos que o livro é melhor. Principalmente quando os próprios padres desfazem alguns mitos da Bíblia – a partilha dos pães, a anunciação da gravidez de Maria e a ressurreição de Lázaro – com interpretações mais lógicas e muito mais tocantes. Interpretações que, contrariando qualquer resquício de inteligência, os peregrinos negaram veementemente, preferindo a fantasia da leitura literal do livro sagrado. Como o próprio padre comenta com Mariana: <em>“O problema é que a maioria prefere acreditar em milagres e poucos colocam a teoria em prática”</em>. A teoria, nesse caso, é levar para a vida os bons exemplos de solidariedade e compaixão com o próximo, e não se preocupar apenas com seus próprios pecados.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Peregrina de araque</strong> é um livro divertido, não existe pretensão de ser obra literária e nem foi com esse objetivo que ele nasceu. É apenas um registro de um momento na vida da autora que, sim, é interessante o bastante para ser compartilhado com quem se dispuser a ler. E a leitura, com a simpatia de Mariana Kalil, garante bons momentos de descontração.</p>
<p style="text-align: center;">Conheça o catálogo da <strong>Dublinense</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.dublinense.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Dublinense" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/02/logodublinense.gif" alt="" /></a></p>
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		<title>Enciclopédia dos quadrinhos, de Goida e André Kleinert</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jan 2012 15:10:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Izze Odelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma coisa difícil de entender no mundo dos quadrinhos é como muita gente ainda os considera “coisa de criança”. Para mim, desde o começo, gibis, HQ’s, graphic novels, enfim, álbuns e tirinhas que num olhar superficial são destinados às crianças servem para qualquer idade. Se eu pegar agora um dos gibis da Turma da Mônica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/01/enciclopedia-dos-quadrinhos.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2734" title="enciclopedia-dos-quadrinhos" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/01/enciclopedia-dos-quadrinhos-e1325516938460.jpg" alt="" width="200" height="283" /></a>Uma coisa difícil de entender no mundo  dos quadrinhos é como muita gente ainda os considera “coisa de criança”.  Para mim, desde o começo, gibis, HQ’s, graphic novels, enfim, álbuns e  tirinhas que num olhar superficial são destinados às crianças servem  para qualquer idade. Se eu pegar agora um dos gibis da <strong>Turma da Mônica</strong> ou do <strong>Pato Donald</strong> que li quando pequena, vou me divertir tanto quanto naquela época. Assim como <strong>Peanuts</strong> é uma das minhas tiras favoritas desde a infância, e que parece trazer  muito mais significados para os adultos que para as crianças com suas  ironias e reflexões sobre a vida. O mesmo para <strong>Mafalda </strong>e muitas outras histórias que fizeram a infância de muita gente e ainda são admirados por eles, independente da idade. <span id="more-2733"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Há muito por aí para provar o contrário, de que só porque é desenho, é infantil. Olhe só <strong>Maus</strong>, de <strong>Art Spiegelman</strong>. As HQ’s reportagem de <strong>Joe Sacco </strong>com  sua cobertura de conflitos. Os próprios super-herois que cresceram  junto com seu público e hoje são muito mais voltados para adultos que  para crianças, como no seu início. Chega até a ser cansativo repetir que  “quadrinho é coisa séria” porque isso é praticamente uma obviedade. É  uma arte que já se espalhou tanto que precisa de uma, duas, muitas  enciclopédias para reunir os principais nomes que fizeram e fazem  história. É aí que nos deparamos com <strong>Enciclopédia dos quadrinhos</strong>, que surgiu primeiro em 1990 organizada por <strong>Goida</strong>, e agora volta em uma edição atualizada, revisada e ampliada com a participação de <strong>André Kleinert</strong> e<strong> </strong>publicada também pela <strong>L&amp;PM</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Como os próprios autores explicam na  introdução dessa enciclopédia, a intenção não foi reunir todos os nomes  dos quadrinhos do mundo todo, mas sim os mais significativos – e com  grande destaque para desenhistas, argumentistas e roteiristas nacionais.  Ou seja, nem todos os nomes da área aparecerão nessa enciclopédia,  tanto alguns novos que surgem por aí como outros mais conhecidos, até.  Para isso, o número de páginas desse livro – que ultrapassa as 500 –  deveria ser muito maior, sem falar em mais volumes. Só de ilustradores e  autores de tirinhas na internet existe um número infindável no Brasil.  Imagina só recolher essas informações do mundo todo.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de dar início aos verbetes dos  principais nomes dos quadrinhos mundiais e nacionais, Goida e Kleinert  fazem o leitor percorrer uma breve história das HQ’s, relatando seu  início lá no final do século XIX, despontando nos jornais  norte-americanos – como meio de atrair mais leitores imigrantes –,  passando pela era de ouro, período de guerra, censuras e moralismo que  limitaram a produção e publicação de histórias em quadrinhos. Essa  pequena contextualização dos quadrinhos na História e no mercado  editorial mostra que, além de importantes para a formação de leitores  que cresceram com as aventuras dos super-herois, foi também aos poucos  ficando mais madura até virarem fetiche de adultos. O recente boom no  próprio mercado brasileiro, com cada vez mais autores sendo publicados  por editoras que antes não atuavam nesse segmento, também é comentado no  livro.</p>
<p style="text-align: justify;">Passando para os verbetes, Goida e  Kleinert fazem um grande resumo da história dos quadrinhos e seus  autores. Em cada verbete, eles relacionam as principais obras desses  nomes, resumem as maiores e mais conhecidas publicações (incluindo  edições brasileiras) e também fazem um pequeno relato biográfico de cada  desenhista, roteirista, argumentista e até editores – nomes como  Roberto Marinho, falecido dono da Globo, aparecem no livro como figuras  importantes na publicação de HQ’s. O mais interessante é notar o grande  número de autores brasileiros listados na obra, o que Goida confessou  não ter dado tanta atenção na primeira edição da enciclopédia.</p>
<p style="text-align: justify;">Os amantes dos quadrinhos encontram os  nomes que fizeram história com as revistas de super-herois, as tiras  diárias ou semanais em jornais, em revistas coletivas com as mais  diversas abordagens e públicos e, claro, as graphic novels que hoje  vivem um bom momento no mercado editorial. E se nomes como <strong>Roberto Marinho</strong> – que não desenhava nem escrevia – são listados, <strong>Walt Disney</strong> e <strong>Hanna e Barbera</strong> também merecem seu espaço – apesar de criadores de personagens como <strong>Mickey Mouse</strong>, <strong>Tom &amp; Jerry</strong> e outros, nunca desenharam uma tira sequer.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar do grande número de autores presentes na <strong>Enciclopédia dos quadrinhos</strong>,  senti falta de mais nomes dos famosos mangás, as HQ’s japonesas. Claro  que os principais estão aqui, como os roteiristas e desenhistas de <strong>Lobo solitário</strong>, <strong>Dragon Ball </strong>e <strong>Akira</strong>. Mas alguns nomes que fazem sucesso entre um público mais jovem – alguém falou nas meninas da <strong>CLAMP</strong>? – fazem falta.</p>
<p style="text-align: justify;">Para adoradores das HQ’s, a <strong>Enciclopédia dos quadrinhos </strong>é  mais que um grande presente. Com o melhor e mais cultuado da “nona  arte”, Goida e Kleinert fizeram um bom trabalho em reunir as principais  referências da arte sequencial. Sem falar que é um exemplar que reúne o  que foi produzido de maior e melhor, tanto no mundo como no Brasil, o  que já serve como um guia de leitura infalível para quem quer se  aprofundar ainda mais no que as HQ’s têm a oferecer.</p>
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		<title>As melhores leituras de 2011, ou como é difícil escolher um só livro</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Dec 2011 15:44:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Izze Odelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aleatoriedades Literárias]]></category>
		<category><![CDATA[leitura]]></category>
		<category><![CDATA[Melhores do ano]]></category>

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		<description><![CDATA[Fui começar a pensar nas melhores leituras do ano para o post especial de toda a equipe do Meia Palavra. E toda vez que pensava em um título, eu dizia: “não, esse fulano já escolheu. Mas também tem esse bom. E esse. E esse outro. E mais esse”. Ah, impossível. Quando fui finalmente escrever a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/12/melhores.png"><img class="alignleft size-full wp-image-2714" title="melhores" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/12/melhores.png" alt="" width="200" height="300" /></a>Fui começar a pensar nas melhores leituras do ano para o post especial de toda a equipe do Meia Palavra. E toda vez que pensava em um título, eu dizia: “não, esse fulano já escolheu. Mas também tem esse bom. E esse. E esse outro. E mais esse”. Ah, impossível. Quando fui finalmente escrever a minha parte de melhor leitura, abri essa <a href="http://rizzenhas.com/lista-de-livros/">lista de livros</a> lidos que mantenho aqui no blog e, enquanto olhava, ia clicando nos que mais me agradaram usando o seguinte critério: se viesse alguma boa lembrança dessa leitura, ele seria escolhido. E isso aconteceu com nada mais, nada menos, que 20 livros. Sim, 20. E não consegui diminuir essa lista não querendo ser injusta com os livros e comigo mesma.<span id="more-2711"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Então ao invés de escolher um livro só e fazer um comentário sobre ele, só vou colocar a lista desses 20. Todos estão aqui por serem boas leituras, reveladoras, reflexivas, engraçadas, tristes, desafiadoras, enfim, livros que despertaram alguma coisa em mim e, por isso, não podem sair dessa lista.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/07/18/resenha-entretanto-foi-assim-que-aconteceu-de-christian-carvalho-cruz/">Entretanto, foi assim que aconteceu</a></strong>, de  Christian Carvalho Cruz</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/07/24/resenha-equador-de-miguel-sousa-tavares/">Equador</a></strong>, de Miguel Sousa Tavares</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/07/27/resenha-todos-os-fogos-o-fogo-de-julio-cortazar/">Todos os fogos o fogo</a></strong>, de Julio Cortázar</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/08/03/resenha-silenciosa-algazarra-de-ana-maria-machado/">Silenciosa algazarra</a></strong>, de Ana Maria Machado</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/08/05/resenha-24-letras-por-segundo/">24 letras por segundo</a></strong>, organizado por Rodrigo Rosp</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/08/15/resenha-o-homem-despedacado-degustavo-melo-czekster/">O homem despedaçad</a>o</strong>, de Gustavo Melo Czekster</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/08/25/resenha-memorias-do-sobrinho-de-meu-tio-de-joaquim-manuel-de-macedo/">Memórias do sobrinho de meu tio</a></strong>, de Joaquim Manuel de Macedo</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/10/27/resenha-os-detetives-selvagens-de-roberto-bolano/">Os detetives selvagens</a></strong>, de Roberto Bolaño</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/11/23/resenha-travessuras-da-menina-ma-de-mario-vargas-llosa/">Travessuras da menina má</a></strong>, de Mario Vargas Llosa</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/11/17/resenha-conversas-com-scorsese-richard-schickel/">Conversas com Scorsese</a></strong>, de Richard Schickel</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/12/08/resenha-a-felicidade-e-facil-de-edney-silvestre/">A felicidade é fácil</a>, </strong>de Edney Silvestre</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/12/06/resenha-asterios-polyp-de-david-mazzucchelli/">Asterios Polyp</a></strong>, de David Mazzucchelli</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/12/14/resenha-14-contos-de-kenzaburo-oe/">14 contos de Kenzaburo Oe</a></strong>, de Kenzaburo Oe</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/01/10/resenha-so-garotos-de-patti-smith/">Só garotos</a></strong>, de Patti Smith</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/01/13/resenha-quero-ser-reginaldo-pujol-filho/">Quero ser Reginaldo Pujol Filho</a></strong>, de Reginaldo Pujol Filho</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/02/02/resenha-me-roubaram-uns-dias-contados-de-rodrigo-de-souza-leao-no-amalgama/">Me roubaram uns dias contados</a></strong>, de Rodrigo de Souza Leão</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/03/10/resenha-maus-de-art-spiegelman/">Maus</a></strong>, de Art Spiegelman</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/03/17/resenha-as-entrevistas-da-paris-review/">As entrevistas da Paris Review</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/03/28/resenhahonra-teu-pai-de-gay-talese/">Honra teu pai</a></strong>, de Gay Talese</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/07/04/resenha-bombaim-cidade-maxima-de-suketu-mehta/">Bombaim: cidade máxima</a></strong>, de Suketo Mehta</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">E é isso. 2011 foi um ano ótimo em várias coisas, uma delas foi principalmente o grande número de boas leituras. Que no ano que vem essa lista seja ainda maior. Mas peraí, ainda tem um bonus track. Sim! Na verdade é um livro de 2010, que terminei no dia 31, se não me engano, ou seja, depois de eu ter feito a lista do ano passado. E esse livro é <strong><a href="http://rizzenhas.com/2011/01/06/resenha-hitler-de-ian-kershaw/">Hitler</a></strong>, de Ian Kershaw.</p>
<p style="text-align: justify;">Tá, agora parei. Feliz Natal e bom ano novo pra todo mundo. E obrigada.</p>
<p style="text-align: justify;">Ps.: É claro que acabei escolhendo um livro só para o post do Meia Palavra, era obrigação! Então não deixem de olhar as Melhores Leituras de 2011 lá na semana que vem.</p>
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		<title>De tudo fica um pouco (organizado por Luiz Antonio de Assis Brasil)</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Dec 2011 21:09:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Izze Odelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Antes de falar diretamente do livro De tudo fica um pouco, quero comentar duas coisas, ou fazer duas reflexões, o que quer que isso signifique. Primeiro já falando do livro de certa forma, ele é fruto de uma oficina literária ministrada por Luiz Antonio de Assis Brasil, na PUC-RS. O professor é nome conhecido e acompanha muitos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/12/de-tudo-fica-um-pouco.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2725" title="de-tudo-fica-um-pouco" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/12/de-tudo-fica-um-pouco-e1324415250123.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>Antes de falar diretamente do livro <strong>De tudo fica um pouco</strong>, quero comentar duas coisas, ou fazer duas reflexões, o que quer que isso signifique. Primeiro já falando do livro de certa forma, ele é fruto de uma oficina literária ministrada por <strong>Luiz Antonio de Assis Brasil, </strong>na PUC-RS. O professor é nome conhecido e acompanha muitos lançamentos de novos escritores da cena literária porto-alegrense, autores que passaram pela sua oficina de escrita criativa. Uns bons, outros nem tanto. Não sei exatamente o que pensar dessas oficinas, se elas são mais uma máquina de fazer escritores – contribuindo para a tal reclamação que corre por aí que possuímos mais autores do que leitores e por isso estamos em uma área já saturada cheia de “criação não criativa” –, um capricho de quem gosta de rabiscar algumas linhas para aperfeiçoar um pouco a linguagem ou uma ferramenta que realmente contribui para a formação do escritor. Minha opinião sobre isso é inexistente, no final das contas.<span id="more-2724"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Outra coisa é relacionada à orelha do livro assinada pelo editor da<strong>Dublinense</strong>, <strong>Rodrigo Rosp</strong>, em que, além de apresentar o resultado da turma 41 da oficina literária, revela outra linha que agrupa todos esses contos neste livro: a inspiração. E é aí que o leitor descobre a origem do nome dessa coletânea: tudo o que vemos, ouvimos, comemos e consumismos deixa seu rastro. De tudo fica um pouco, e disso os alunos de Luiz Antonio de Assis Brasil tiraram a base para construir seus contos. Mas esse comentário é esquecido logo quando a leitura começa, pois nenhuma informação é dada ao leitor sobre essas fontes de inspiração. Isso aparece apenas nas últimas páginas, e aí se percebe a grande gama de referências que existe em seus contos: a própria literatura, a música, as artes em geral com suas pinturas, esculturas e composições.</p>
<p style="text-align: justify;">Já está na hora de falar, então, do livro. Em <strong>De tudo fica um pouco</strong>, 16 autores apresentam dois contos cada em que exercitam a criação com base na referência que escolheram. E do contrário do que pensei enquanto lia esses contos, os autores não são necessariamente estreantes. Muitos já têm livros publicados, até prêmios, possuem experiência com a escrita e com esses contos buscam lapidar ainda mais a técnica da produção textual. E nisso o livro não falha. A forma e linguagem não deixam a desejar.</p>
<p style="text-align: justify;">No que diz respeito às histórias, também não ficam atrás. Há enredos diversos que trazem temas como amor, morte, abandono, traição, insegurança. Dramas familiares, profissionais, existenciais, relacionamento entre amantes, amigos, enfim, questões que inquietam e, dessa insatisfação, se transformam em histórias interessantes. Dessas, uma das mais bonitas presentes no livro é de autoria de <strong>Renan Santos</strong>, o conto <strong>Garoto do espaço</strong>, em que ele narra a gradual aproximação de um garoto com o filho de sua madrasta, um menino mais novo e com certo atraso mental, relação que passa da vergonha ao amor genuíno entre irmãos – o texto é inspirado em uma música do Smashing Pumpkins.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bárbara Zeni</strong> se destaca com <strong>Babúcia reino</strong>, uma história sobre um estudante de filosofia relaxado, ou melhor, um filósofo de botequim que grita aquele tipo de frases de impacto que percorrem as redes sociais e que possuem sua sabedoria momentânea. <strong>O lugar que ela abandonou</strong>, de <strong>Luisa Geisler</strong>, chama a atenção pela forma como mostra o receio de uma universitária pela mudança, a insegurança sobre o que se espera do futuro e se as escolhas serão, definitivamente, as certas.</p>
<p style="text-align: justify;">O resultado final da produção da turma 41 de Luiz Antonio de Assis Brasil é satisfatória para o leitor. São contos de leitura agradável, nem todos com um enredo realmente interessante, muitos deixam a impressão de incompletos, como se fossem necessárias algumas páginas a mais para que as ideias ficassem claras e bem apresentadas ao leitor. Contudo, ao analisar a escrita, o que foi escolhido colocar no papel, os textos aparecem impecáveis. O cuidado na construção, releituras e revisões, fizeram dos contos em <strong>De tudo fica um pouco </strong>textos para revisitar.</p>
<p style="text-align: center;">Conheça o catálogo da <strong>Dublinense</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.dublinense.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Dublinense" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/02/logodublinense.gif" alt="" /></a></p>
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		<title>14 contos de Kenzaburo Oe</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 22:19:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Izze Odelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ao falar da literatura japonesa na introdução de 14 contos de Kenzaburo Oe,Arthur Dapieve destaca o talento desse povo em dizer muito usando poucas palavras. Ou seja, da forma que os japoneses, como sociedade em geral e não só seus escritores, dizem tanto sobre suas dores e problemas quando silenciam. É estranho pensar na literatura como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/12/kenzaburo-oe.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2706" title="kenzaburo-oe" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/12/kenzaburo-oe-e1323901103547.jpg" alt="" width="200" height="290" /></a>Ao falar da literatura japonesa na introdução de <strong>14 contos de Kenzaburo Oe</strong>,<strong>Arthur Dapieve</strong> destaca o talento desse povo em dizer muito usando poucas palavras. Ou seja, da forma que os japoneses, como sociedade em geral e não só seus escritores, dizem tanto sobre suas dores e problemas quando silenciam. É estranho pensar na literatura como algo que se destaca pelo silêncio, pela ausência de palavras, sejam ditas ou escritas, justamente na abertura de uma coletânea de contos de um dos maiores escritores japoneses, ganhador do Nobel de Literatura em 1994. Ainda mais que<strong>Kenzaburo Oe</strong> não esconde nenhum desses dramas dentro dele mesmo, mas confere às suas personagens certa dificuldade para falarem de seus problemas – e, por isso, o talento da narrativa se faz indispensável para que o leitor veja o que elas não dizem.<span id="more-2705"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>14 contos de Kenzaburo Oe</strong> reúne textos do autor escritos entre 1957 e 1990, selecionados e traduzidos por <strong>Leiko Gotada</strong> nessa edição publicada pela <strong>Companhia das Letras</strong>. Nesses contos, um pouco da História e questões sociais do Japão estão presentes, passadas para a ficção quase como se fossem fantasia e, mais do que tudo, o próprio autor está dentro desse livro. E assim como Dapieve encerra a introdução da edição dizendo que a obra de Oe trata da “dignidade do ser humano”, o primeiro conto – ou melhor, roteiro – do livro traz essa questão como ponto central. Mas diferente da história absurda marcada por desencontros, comunicação falha e final feliz encontrado nesse primeiro texto, os outros 13 contos do autor se aprofundam mais e mais em retratar o homem e suas tragédias.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <strong>Salte sem olhar</strong>, um jovem estudante de literatura francesa – jovens estudantes de literatura francesa são, aliás, personagens constantes em outros contos – fala da relação tranquila, mas inquieta, com uma prostituta de quem é amante há muito tempo. Mas apesar dos desejos e de algumas ambições, ele pouco faz além de viver seus dias na mesma rotina de sempre: frequentar aulas, ficar com sua amante e sair com seus clientes. De olhar a vida, mas nunca saltar diretamente para ela. Ao detalhar cada ato e pensamento do estudante, Oe vai aprofundando essa inquietação que surge da falta de ação – falta da coragem de “saltar sem olhar”.  Com esse conto sim o leitor entra dentro do “espírito” de Oe e tem pela frente textos que tratam da morte, do abandono e de traumas que assombram a vida das personagens, do próprio Oe e do Japão.</p>
<p style="text-align: justify;">Personagens marcadas pela loucura são quase tão constantes (tal qual os estudantes de literatura francesa), como em <strong>Os pássaros</strong>, em que um jovem acredita ser rodeado por aves que lhe protegem da realidade. Em <strong>A convivência</strong>, um rapaz recém formado na faculdade acredita dividir seu quarto com quatro macacos que o observam e atormentam a todo instante. E também em <strong>Aghwii, o monstro celeste</strong>, sobre um homem que conversa com um bebê gigante que vem do céu – imagem essa que representa o filho deficiente que esse homem matou. Essas histórias trazem fantasias criadas por personagens que as usam para escapar de uma realidade dura, inaceitável e, na visão deles, insuportável. As suas invenções os protegem de lembranças ou desafios que preferem nunca ter de enfrentar.</p>
<p style="text-align: justify;">A sexualidade não pode deixar de ser comentada dentro da obra de Kenzaburo Oe. Em quase todos os contos, há uma tensão sexual que movimenta as personagens, no estudante e sua amante; no diretor cinematográfico e sua jovem atriz, em <strong>Exultação</strong>; no adolescente onanista que de simpatizante da esquerda se torna um extremo-direitista,  em <strong>Seventeen</strong>. E, principalmente, em <strong>O homem sexual</strong>, a história de um homem que esconde a homossexualidade da segunda mulher e, depois dela revelada, procura satisfazer-se de outras formas – sendo a última delas a transição de gay a molestador de mulheres. Kenzaburo Oe usa em seus contos uma linguagem livre para falar sobre a sexualidade, suas variantes e taras, contrastando com o moralismo, os preconceitos e os tabus da sociedade japonesa – e porque não também ocidental – que são a causa dos conflitos dessas personagens.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos dois últimos contos, <strong>Viver em paz </strong>e <strong>A dor de uma história</strong>, Kenzaburo toma emprestada a voz de sua filha do meio para retratar um cotidiano familiar permeado por cuidados com o filho mais velho, portador de uma deficiência mental, discussões e descobertas sobre literatura e pequenos acontecimentos ocorridos enquanto vivia com sua mulher na Califórnia, registrados por ela em seus diários. O último conto fala principalmente sobre o uso que o autor faz da ficção para colocar nela a realidade que percebe. E essa realidade, por mais difícil, feia e intragável que seja, dentro do texto de Oe, com suas palavras, ganha uma beleza difícil de definir, pois choca ao mesmo tempo que encanta – as descrições das maneiras de molestar mulheres em público, por exemplo, causam mais admiração que espanto. <strong>14 contos de Kenzaburo Oe</strong>, para os que já conhecem, é um livro a acrescentar mais na leitura da obra desse autor. Já para os iniciantes, como eu, é uma bela porta de entrada para a literatura japonesa e, claro, para a produção de Oe.</p>
<p style="text-align: center;">Conheça o catálogo da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Companhia das Letras" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/02/ciadasletras.gif" alt="" /></a></p>
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		<title>Conexões malignas, de Mário André Pacheco</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Dec 2011 21:06:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Izze Odelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Contos fantásticos que abordam temas recheados de seres sobrenaturais, como demônios e gárgulas, misturados com outros de ficção científica que se passam no espaço e em futuros distantes. É bom sair um pouco da realidade e seus dramas tão exaltados pela literatura contemporânea que conseguem, em sua maioria, representar bem esses aspectos surpreendentes que todos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/12/conexoes-malignas.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2699" title="conexoes-malignas" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/12/conexoes-malignas-e1323464684253.jpg" alt="" width="200" height="298" /></a>Contos fantásticos que abordam temas recheados de seres sobrenaturais, como demônios e gárgulas, misturados com outros de ficção científica que se passam no espaço e em futuros distantes. É bom sair um pouco da realidade e seus dramas tão exaltados pela literatura contemporânea que conseguem, em sua maioria, representar bem esses aspectos surpreendentes que todos guardam. Não há problema em deixar isso tudo um pouco de lado e se embrenhar em fantasias mirabolantes, certo? Certo. E foi assim que li<strong>Conexões malignas</strong>, de <strong>Mário André Pacheco</strong>, mais um dos recentes lançamentos da editora <strong>Dublinense</strong>.<span id="more-2698"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Na orelha escrita por <strong>Glee Bohanon </strong>(autora da trilogia <strong>Code word heaven</strong>, que desconheço), havia a promessa de contos inspirados no estilo de <strong>Isaac Asimov</strong>, autor que Pacheco admira, e também uma pitada de horror nos contos que trazem demônios como protagonistas ou o inferno como cenário. Motivador. O livro começa, então, justamente com um demônio, um coletor de almas que “burla” o sistema do inferno para corromper pessoas puras e trazê-las para o lado do mal. Com a ajuda de uma secretária bonitinha, ambos se fingem de humanos e sobem à Terra para mais um dia de trabalho, mas o receio de ser descoberto em suas trapaças toma conta da cabeça do demônio. E é já aí, no primeiro conto, que alguns problemas se apresentam.</p>
<p style="text-align: justify;">O que incomodou minha leitura foi a insistência do autor em repetir informações – que, felizmente, não acontece tanto nos textos que seguem. Mas nesse particularmente, a constante reafirmação do fato das personagens estarem “camufladas” de seres humanos e as explicações excessivas do por que disso trancam a leitura. Além disso, senti falta do horror que a orelha prometia, pois o conto está muito mais voltado para um tom de humor, o que não chega a ser realmente um problema. O horror poderia aparecer mais à frente. Não foi nem no segundo conto,<strong>Elevador do paradoxo infernal</strong>, mas ele até chegou perto disso com a agonia de um homem preso em um elevador no inferno que nunca se move. Me animei novamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Os demônios seguem pelo livro, agora com a visita de uma entidade a um funcionário público oferecendo um pacto. Depois desse, a ficção científica toma conta: em <strong>Otocracia</strong>, o cenário me lembrou produções como <strong>Eu sou a lenda</strong>– cuja história só conheço pelo filme com Will Smith – traz um homem sozinho em uma cidade abandonada, um ambiente pós-apocalíptico que na verdade é apenas um capricho do protagonista que quis se isolar do mundo e suas tecnologias. Em seguida, o leitor conhece <strong>Dr. Kaiko</strong> através de seu diário contando seus dias de “trabalho” em um laboratório, e nesse conto esperei alguma surpresa. Porém, no final, a troca de voz do narrador – da primeira para a terceira pessoa – me desanimou, esperava ver o desfecho da natureza do protagonista ser revelada com mais criatividade por ele mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Há ainda mais histórias que pendem para a ficção ou para a fantasia demoníaca, mas não é necessário listá-las uma por uma. Mário André Pacheco usa uma escrita simples, sem volteios na narração e com bastante uso de diálogos, e isso deixou a impressão de simplicidade excessiva, tanto do texto quanto dos desfechos das tramas. Faltou o desafio da interpretação das histórias. Todos seguem à risca, no fim, o que está descrito na quarta capa do livro: uma sinopse simples de cada conto composta apenas por duas linhas. E assim como lá está dito, está no livro: simples e sem surpresa. A fantasia, dessa vez, se mostrou menos fantástica que a realidade.</p>
<p style="text-align: center;">Conheça o catálogo da <strong>Dublinense</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.dublinense.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Dublinense" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/02/logodublinense.gif" alt="" /></a></p>
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		<title>A felicidade é fácil, de Edney Silvestre</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Dec 2011 21:29:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Izze Odelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Muito mais que uma estrutura policial, Edney Silvestre usa a sensibilidade para narrar a história de um sequestro em São Paulo no ano de 1991, em pleno governo de Fernando Collor. O Brasil passava pela crise do congelamento de poupanças em bancos, pela instabilidade dos preços dos itens mais básicos, pelo caos que levou ricos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em><a href="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/12/felicidade-facil.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2693" title="felicidade-facil" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/12/felicidade-facil.jpg" alt="" width="200" height="309" /></a>Muito mais que uma estrutura policial, <strong>Edney Silvestre</strong> usa a sensibilidade para narrar a história de um sequestro em São Paulo no ano de 1991, em pleno governo de Fernando Collor. O Brasil passava pela crise do congelamento de poupanças em bancos, pela instabilidade dos preços dos itens mais básicos, pelo caos que levou ricos à pobreza, pobres ao desespero, quando pessoas se viram com pouco ou quase nada. Em uma época como essa, o título do novo romance do jornalista, <strong>A felicidade é fácil</strong>, vai totalmente contra ao que os brasileiros viviam. Não, a felicidade não é nada fácil.<span id="more-2692"></span><br />
</em></p>
<h2><a href="http://www.amalgama.blog.br/12/2011/a-felicidade-e-facil-para-outros/">Continue a ler essa resenha no Amálgama!</a></h2>
<p style="text-align: justify;">Quem por acaso me segue no Twitter viu que eu estava lendo o novo livro de Edney Silvestre e, sim, que gostei bastante da obra que veio depois do tão comentado <strong>Se eu fechar os olhos agora &#8211; </strong>que, aliás, não li mas depois de <strong>A felicidade é fácil </strong>quero ler também<strong>. </strong>Pois bem, eis a resenha publicada no site <strong>Amálgama</strong>, aproveitem!</p>
<p style="text-align: justify;">Já que to aqui falando, deixo umas promessas de fim de ano: fazer um post especial comentando as melhores leituras de 2011 &#8211; isso vai ser difícil &#8211; e, se der, comentando qualquer outra coisa de importante que tenha acontecido com esse blog. Se até dia 23 eu não postar nada, me cobrem!</p>
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