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	<description>Resenhas e aleatoriedades literárias</description>
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		<title>Sétima do singular, de Diego Grando</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2012 22:30:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Diego Grando]]></category>
		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>
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		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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		<description><![CDATA[“Eu faço a vida como quem tem sorte / e não prática / como quem deseja o fruto / e o tendo à mão / não colhe / como quem só espera da lástima / que evapore.” Num verso de &#8230; <a href="http://rizzenhas.com/2012/05/09/resenha-setima-do-singular-de-diego-grando/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<fb:like href='http://rizzenhas.com/2012/05/09/resenha-setima-do-singular-de-diego-grando/' send='false' layout='button_count' show_faces='true' width='450' height='65' action='like' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like><p style="text-align: justify;"><em><a href="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/05/setima_do_singular.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2920" title="setima_do_singular" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/05/setima_do_singular-212x300.jpg" alt="" width="212" height="300" /></a>“Eu faço a vida como quem tem sorte / e não prática / como quem deseja o fruto / e o tendo à mão / não colhe / como quem só espera da lástima / que evapore.”</em></p>
<p style="text-align: justify;">Num verso de degustação da contracapa de <em>Sétima do singular</em>, livro de Diego Grando publicado pela Não Editora, logo percebi uma identificação que é difícil eu ter com a poesia. Ao ler “Hiato”, do trecho acima, essas foram as palavras que mais disseram algo a mim, e assim permaneceu até o fim da leitura. Não quer dizer que a contracapa sirva exclusivamente como contato com os poemas dele. Abrir o livro vale à pena.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Sétima do singular</em> é dividido em sete partes, cada uma delas com sete poemas. Essas partes são condicionadas a um tema, todas as poesias dentro de uma coisa só: o ser poeta, as relações, o cotidiano, as profissões ordinárias, o ser (e não ser) fumante. Curtos, mas carregados com aquilo que o poeta e o leitor vivenciam em comum: o que o poeta diz se encaixa no que o leitor sente. E para alguém como eu que não tem a poesia em alta conta e chega a considerá-la intragável, Diego Grando mostra o contrário: a poesia conta histórias.<span id="more-2917"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Histórias visíveis em todas as partes, como na última, “Nó. Nós”, com poemas sobre relacionamentos. O vazio que fica na cama depois de uma visita em “Casas separadas”, um banho em dupla num pequeno espaço enevoado pela água quente em “Pantomina” ou observar a mulher se vestir em “Fuga ritual”. São apenas alguns dos poemas em que as sentenças harmônicas do poeta se transformam em imagens na cabeça de quem lê, ou em uma literatura mais longa para quem se permitir imaginar outros detalhes de uma mesma história.</p>
<p style="text-align: justify;">A questão do tema é ainda mais clara em “Sfumati”, o grupo de poemas que se dedicam a falar do cigarro, do ato de fumar ou não. <em>“Fumar e preencher os vazios / com fumaça em lugar de palavras / me tornaria menos alheio / (quem sabe mais humano) / ao mundo visível”</em>, escreve em “Psicologia de um não-fumante”. O não-fumante parece alheio a uma vida social, separado daqueles que seguram constantemente um cigarro entre os dedos e na falta do vício, como diz em “Abstinência” - <em>“Aquele que não fuma, é evidente, / precisa compensar de uma maneira ou outra / a falta que isso faz diariamente.”</em> – se torna um viciado à parte em “Passivo ativo”: <em>“Em matéria de cigarro / sou fumante / passivo: / recebo o que há de indigno e nocivo e / transformo o de-outros / em causa própria / coisa minha / muito mais minha do que fosse / impura e congênita / mentira minha”.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Vale destacar ainda “Et Cetera E Tal”, a parte em que os poemas se voltam para o poeta e seu trabalho. “Manual do poeta sem manual” mereceria ser colocado todo aqui, porém o começo já mostra o que esse grupo reserva: <em>“da compreensão se deve desviar / assim como da imagem de erudito / se quer o poeta ser um pop star”. </em>Entre outros que merecem atenção está “Método: depoimento”, declamado por Marcelo Noah em um dos vídeos produzidos pela Não Editora para o lançamento do livro:</p>
<p><iframe width="640" height="360" src="http://www.youtube.com/embed/sPHOBLl4A7A?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">Se a poesia te assusta ou não entretém e tampouco encanta, talvez <em>Sétima do singular</em> sirva para desenganar essa imagem, o que pude ver em <em>25 Rua do Templo</em>, o livretinho de Diego Grando com dois poemas sobre Paris. Seus poemas podem não ficar na memória, mas ao ler novamente um verso que for, volta a lembrança de uma boa leitura, do momento em que essa poesia se encaixou com algo, uma lembrança de um livro ou experiência de vida, e que ali ela fez todo sentido.</p>
<p style="text-align: center;">Conheça o catálogo da <strong>Não Editora</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.naoeditora.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Não Editora" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/02/noeditora.gif" alt="" /></a></p>
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		<title>Leitura na Conexão TV Unisinos</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2012 22:24:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aleatoriedades Literárias]]></category>
		<category><![CDATA[Conexão TV Unisinos]]></category>
		<category><![CDATA[leitura]]></category>
		<category><![CDATA[Luisa Geisler]]></category>

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		<description><![CDATA[Autopromoção: ontem apareci na TV, ui. O Conexão TV Unisinos dedicou dois blocos do programa pra falar sobre leitura, incentivo, essas coisas. Daí que me chamaram pra falar um pouquinho sobre o assunto junto com a professora Sinara Garcia dos &#8230; <a href="http://rizzenhas.com/2012/05/09/leitura-na-conexao-tv-unisinos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<fb:like href='http://rizzenhas.com/2012/05/09/leitura-na-conexao-tv-unisinos/' send='false' layout='button_count' show_faces='true' width='450' height='65' action='like' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like><p style="text-align: justify;">Autopromoção: ontem apareci na TV, ui. O Conexão TV Unisinos dedicou dois blocos do programa pra falar sobre leitura, incentivo, essas coisas. Daí que me chamaram pra falar um pouquinho sobre o assunto junto com a professora Sinara Garcia dos Santos, que tem um projeto bacana de leitura com os alunos de Sapiranga, e o professor Jorge Geisler, pai da <a href="http://www.amalgama.blog.br/12/2011/entrevista-luisa-geisler/">Luisa Geisler</a> aí da matéria. Horas depois me toco que é a Luisa que &#8220;conheço de vista&#8221; do Facebook (ah, a internet) nos posts de amigos em comum e agora do Amálgama (e que tem um conto aqui no livro <em><a href="http://rizzenhas.com/2011/12/20/resenha-de-tudo-fica-um-pouco-organizado-por-luiz-antonio-de-assis-brasil/">De tudo fica um pouco</a></em>, fora os livros premiados e tudo mais). Essas coincidências. Enfim, vejam aí.</p>
<p><iframe width="640" height="480" src="http://www.youtube.com/embed/7zxURZBmy3w?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p><iframe width="640" height="480" src="http://www.youtube.com/embed/ea-xC09hVMc?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Scarpetta, de Patricia Cornwell</title>
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		<pubDate>Thu, 03 May 2012 11:55:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[literatura norte-americana]]></category>
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		<category><![CDATA[romance policial]]></category>
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		<description><![CDATA[Patricia Cornwell é um dos principais nomes da literatura policial norte-americana. Suas personagens principais não são os detetives durões ou policiais justos, como estávamos acostumados a ver antes de séries como CSI, Bones e tantas outras que se focam na medicina forense. &#8230; <a href="http://rizzenhas.com/2012/05/03/resenha-scarpetta-de-patricia-cornwell/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<fb:like href='http://rizzenhas.com/2012/05/03/resenha-scarpetta-de-patricia-cornwell/' send='false' layout='button_count' show_faces='true' width='450' height='65' action='like' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like><p style="text-align: justify;"><a href="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/05/scarpetta.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2908" title="scarpetta" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/05/scarpetta-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a>Patricia Cornwell é um dos principais nomes da literatura policial norte-americana. Suas personagens principais não são os detetives durões ou policiais justos, como estávamos acostumados a ver antes de séries como <em>CSI, Bones </em>e tantas outras que se focam na medicina forense. Sim, seus protagonistas são médicos-legistas. Cornwell é quem chamam da precursora dessas séries tão famosas. Com a personagem Kay Scarpetta, a autora colocou no centro das investigações policiais mais mirabolantes a figura da médica, uma mulher forte, linda e com uma inteligência fora do comum. Scarpetta é protagonista de muitos de seus romances, publicados no Brasil pela Companhia das Letras.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora foi lançado mais um livro com a doutora, dessa vez pelo novo selo da editora, a Paralela. <em>Scarpetta</em> reúne novamente a equipe que sempre colaborou com a médica-legista, todos envolvidos em um clima de tensão devido a problemas enfrentados em suas relações pessoais. Na virada do ano de 2007 para 2008, uma mulher anã, Terri Brigdes, é assassinada dentro de seu apartamento, e seu namorado, também um anão, é o principal suspeito do crime. Ele voluntariamente se interna no Hospital Bellevue, conhecido por abrigar criminosos, e exige ser examinado por Kay Scarpetta, que todos conhecem pelas constantes aparições na CNN, e seu marido, Benton Wesley. Paranóico, Oscar Bane age com medo e está crente de que vinha sendo seguido e monitorado, levando Scarpetta a duvidar de sua culpa no crime.<span id="more-2907"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Na investigação reúnem-se a promotora Jaime Berger, a sobrinha de Scarpetta e gênio dos computadores Lucy, o ex-parceiro da médica-legista Pete Marino e um policial que todos odeiam, Mike Morales. Juntos, eles passam os dias seguintes à morte de Terri tentando descobrir quem a matou e qual a ligação de sua morte com a de outras duas pessoas, que podem ter sido vítimas de um <em>serial killer</em>. Além da pressão de estar cara a cara com Marino, que sumiu de sua vida depois de um episódio de violência, Scarpetta também está no olho da mídia por conta de informações pessoais suas divulgadas em uma das maiores colunas de fofoca na internet.</p>
<p style="text-align: justify;">Patricia Cornwell conduz o romance apostando em cheio nos mistérios que cria a cada página. Sua técnica é fácil de notar e de prender o leitor: soltando informações aos poucos, a autora aguça a curiosidade, deixando subentendidos alguns detalhes para confirmá-los mais adiante. São vários os segredos que ela mantém e revela aos poucos, e assim <em>Scarpetta</em> se transforma em um romance policial difícil de deixar de lado. Não há apenas a adrenalina da investigação, que a todo momento toma rumos diferentes, mas também um ambiente desconfortável criado pelas próprias personagens, que devem colaborar umas com as outras acima de suas fraquezas e problemas. Mesmo sem o leitor ter tido contato com os livros anteriores da série Scarpetta, Cornwell deixa bem claro as referências às outras histórias, orientando bem o leitor nos acontecimentos passados da vida de cada um.</p>
<p style="text-align: justify;">Pelo livro levar o nome de sua protagonista, espera-se que toda a trama esteja concentrada nas ações dela. Em suma, o leitor conhece Kay Scarpetta através do que as outras personagens têm a dizer sobre ela. Todos nesse livro estão ligados de alguma forma a Scarpetta, assim como o próprio crime conforme a investigação se desenrola. Por esta razão a história não se concentra em descobrir e prender um <em>serial killer</em>, mas em revelar qual a relação entre a vítima e a heroína. Por alguns momentos é possível esquecer que a morte da anã está ligada ao assassinato de outras pessoas, e por dar destaque a tantos outros aspectos do romance – como a vida pessoal da médica, Marino, Berger e Lucy, por exemplo –, fica a impressão de que Cornwell esqueceu da procura por um <em>serial killer</em>. Mesmo com todos os pontos se ligando no final, as outras duas mortes anteriores a de Terri não têm tanto peso na história.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Scarpetta</em> é o típico romance policial que aposta em revelar todos os segredos, ou a maior parte deles, lá nas últimas páginas. E eles não envolvem apenas um crime, mas a todos que estão participando do processo para resolvê-lo. A leitura é conduzida até o fim pela curiosidade em descobrir como tudo aconteceu e como cada personagem resolverá seus problemas uns com os outros. As personalidades, aliás, são o que o livro tem de mais forte, o que cada um é e faz fica claro para o leitor e em poucas linhas ele se identifica ou não com elas. E enquanto as personagens conquistarem o leitor, Patricia Cornwell vai ter o que explorar de cada um em novas histórias.</p>
<p style="text-align: center;">Conheça o catálogo da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Companhia das Letras" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/02/ciadasletras.gif" alt="" /></a></p>
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		<title>Festa na usina nuclear, de Rafael Sperling</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Apr 2012 20:42:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Contos]]></category>
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		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>
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		<description><![CDATA[Escatológico seria a palavra mais abrangente para definir o livro Festa na usina nuclear, do estreante autor carioca Rafael Sperling. Lembra aquele momento da adolescência masculina em que, querendo mostrar que cresceu e está maduro, milhares de palavras chulas e referências &#8230; <a href="http://rizzenhas.com/2012/04/16/resenha-festa-na-usina-nuclear-de-rafael-sperling/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<fb:like href='http://rizzenhas.com/2012/04/16/resenha-festa-na-usina-nuclear-de-rafael-sperling/' send='false' layout='button_count' show_faces='true' width='450' height='65' action='like' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like><p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-2885" title="festa-na-usina-nuclear" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/04/festa-na-usina-nuclear.jpg" alt="" width="200" height="300" /><span style="text-align: justify;">Escatológico seria a palavra mais abrangente para definir o livro </span><em style="text-align: justify;">Festa na usina nuclear</em><span style="text-align: justify;">, do estreante autor carioca Rafael Sperling. Lembra aquele momento da adolescência masculina em que, querendo mostrar que cresceu e está maduro, milhares de palavras chulas e referências a sexo são despejadas a cada nova frase. Pode-se fazer um paralelo com os jovens escritores, que querendo parecer mais culto e intelectual, abarrotam seus escritos com palavras mirabolantes em desuso que confundem tanto quanto uma letra de música do Djavan. Mas apesar de tudo isso, tanto sexo, sujeira e um conto com frases de efeitos incompreensíveis, Sperling começou bem.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Publicado pela editora Oito e Meio, <em>Festa na usina nuclear</em> reúne 25 contos do escritor que abusa das situações absurdas. Nele há um mundo onde o trabalho é o ócio, e ganha mais aquele que passa a maior parte do tempo dormindo (“Éz”). Há três textos intitulados “Um homem chamado Homem”, em que o Homem procura, em seu fim, o direito de praticar a Não Atividade. Nesses três contos o autor brinca com as definições das coisas: o Homem se casa com a Mulher e tem o Menino, realiza o Trabalho e também pratica o Sentar Em Frente À Televisão, Com A Lata De Cerveja. O clichê dos nomes é utilizado para contar uma história em que a impessoalidade das personagens dá lugar a comportamentos revolucionários.<span id="more-2884"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Mas o que realmente chama a atenção em <em>Festa na usina nuclear</em> é a ousadia do autor em trazer para os contos temas polêmicos e tratá-los de forma fantasiosa, pendendo para o lado da ficção científica, sem medo de ofender o leitor – ou melhor, pouco se importando com isso. Crianças perdem a inocência e vivem em ambientes desestruturados – “Túneis” e “Amores efêmeros 2” –, mulheres parecem voltar a ser simples objetos sexuais – “Minha querida puta” –, homens são animais que só pensam em sexo – “A eterna busca pelo buraco” –, tema, aliás, que está presente na maioria dos textos. São mundos caóticos onde sentimentos estão associados a prazeres imediatos, a violência é corriqueira e as vidas são totalmente deturpadas.</p>
<p style="text-align: justify;">O bom humor de Sperling quebra o choque do leitor pelos cenários escatológicos que ele cria e as personagens impróprias que constrói. Um dos mais interessantes é o conto “Manual de comportamento”, um guia com cinco lições sobre como se portar publicamente em diversos casos que envolvem as necessidades fisiológicas humanas, como se fosse uma Glória Kalil explicando a maneira mais “correta” de ir ao banheiro ou comer diante de outras pessoas. Outro conto que segue essa linha é “Maneiras de se quebrar um ovo”, uma lista que aos poucos toma dimensões fantasiosas sobre a melhor forma de espatifar um ovo que vai além do simples jogá-lo no chão ou quebrá-lo na quina do balcão da cozinha.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Festa na usina nuclear</em> é bom por parecer não levar suas próprias histórias tão a sério. Por mais nonsense e desagradáveis que os contos aparentem ser, a leitura é divertida, assim como deve ter sido prazeroso para o autor reunir tantos absurdos em um livro só e desafiar o leitor a não fazer uma careta para alguma de suas cenas absurdas e violentas. O livro não aparenta querer algo além disso: chocar e fazer rir, aproveitando o campo da ficção para criar cenas incômodas, mas que continuamos a ler por encontrar nelas aquele escape da realidade certinha e segura.</p>
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		<title>Segundos fora, de Martín Kohan</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Apr 2012 00:54:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dezessete segundos. Um intervalo de tempo mínimo perto das 24 horas que um dia possui. Em alguns casos pode ser tão longo quanto a eternidade. Podem ser decisivos. O intervalo de dezessete segundos entre o primeiro e o segundo lugar &#8230; <a href="http://rizzenhas.com/2012/04/10/resenha-segundos-fora-de-martin-kohan/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<fb:like href='http://rizzenhas.com/2012/04/10/resenha-segundos-fora-de-martin-kohan/' send='false' layout='button_count' show_faces='true' width='450' height='65' action='like' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like><p style="text-align: justify;"><a href="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/04/segundos-fora.png"><img class="alignleft size-full wp-image-2864" title="segundos-fora" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/04/segundos-fora.png" alt="" width="198" height="300" /></a>Dezessete segundos. Um intervalo de tempo mínimo perto das 24 horas que um dia possui. Em alguns casos pode ser tão longo quanto a eternidade. Podem ser decisivos. O intervalo de dezessete segundos entre o primeiro e o segundo lugar em uma corrida é muito. Dezessete segundos desacordado ao ser nocauteado em uma luta de boxe, pode, deve e significará a derrota. É o que aconteceu com Jack Dempsey em 14 de setembro de 1923, em Nova York, na luta para defender o título mundial de pesos pesados contra o argentino Luis Ángel Firpo. O então atual campeão foi jogado do ringue e passou dezessete segundos fora da luta, mas por algum motivo Firpo, El Toro de los Pampas, não foi declarado o vencedor. Dempsey volta ao ringue e, para a surpresa de todos, vence a luta e mantém o título.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa é somente uma das histórias resgatadas pelo argentino Martín Kohan em <em>Segundos fora</em>, publicado há pouco aqui no Brasil pela Companhia das Letras. O dia 14 de setembro de 1923 foi marcado ainda por outro evento além da disputa entre o norte-americano e o argentino. Nesse dia, o famoso maestro e compositor Richard Strauss apresentou no Teatro Colón a primeira sinfonia de Mahler com a Filarmônica de Viena, um dos principais eventos culturais que Buenos Aires presenciou na época. Ainda há dois jornalistas, 50 anos depois, discutindo esses eventos. Ledesma e Verani trabalham em um jornal na cidade de Trelew, na Patagônia, e escolhem esses acontecimentos como pautas para uma edição comemorativa dos 50 anos da publicação. Um aficionado pela Nobre Arte e pelo episódio Dempsey/Firpo, o outro apaixonado pela música clássica e as obras de Mahler.<span id="more-2863"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Se os dois episódios já parecem distantes entre si, outro elemento incrementa esse enredo histórico. Escondida na editoria de polícia daquele dia de 1923, Verani encontra uma pequena nota sobre um suicídio, ou assassinato, ocorrido no Hotel City em Buenos Aires, e a falta de mais notas e notícias sobre o caso desperta sua curiosidade e o leva a investigar o que realmente aconteceu naquele quarto. Entre esses três acontecimentos, Kohan trabalha um romance com várias vozes, descortinando belíssimas narrativas sobre o boxe, a música clássica e a vida de todas essas pessoas que, por mais que pertençam a mundos diferentes, estiveram ligadas nesse dia.</p>
<p style="text-align: justify;">Martín Kohan intercala vozes narrativas e épocas para estruturar o livro. Tudo é mostrado ao mesmo tempo: a queda de Dempsey, as conversas no café do Hotel Touring em que Verani e Ledesma defendem suas preferências, a investigação perpetrada por Roque anos depois, jornalista que nas comemorações dos 50 anos do jornal era apenas um jovem iniciando sua carreira que acompanhava silencioso as argumentações dos outros dois jornalistas. Ainda há o ponto de vista de Gallagher, o juiz da luta, e Donald Mitchell, um fotógrafo que acompanhava o embate. O autor mistura nos dezessete capítulos de <em>Segundos fora</em> as versões do que aconteceu naquela noite nesses lugares separados por milhares de quilômetros e anos: Nova York, Buenos Aires e Trelew.</p>
<p style="text-align: justify;">Os dezessete segundos que Dempsey ficou fora do ringue são estendidos nesses capítulos. Martín Kohan narra todas as sensações do pugilista durante os segundos em que é jogado através das cordas como se tivesse caído no infinito; confuso e desorientado no momento entre ser nocauteado pelo argentino e acreditar ter perdido a luta de vez – em um limbo de segundos. Os mesmos dezessete segundos são estendidos através das lembranças do juiz que sonhava em ser lutador de boxe e alimentava uma paixão e ódio obsessivos pela mulher que o abandonou. O fotógrafo esperando pelo instante perfeito para clicar a luta até ser atingido por Dempsey em queda livre. Cada detalhe é intensamente descrito por Kohan transformando toda a luta em um episódio sensorial, além dos músculos e socos dados no ringue, em que cada emoção é vista em câmera lenta.</p>
<p style="text-align: justify;">Há mais a se destacar no texto do escritor. O leitor é apresentado a Verani e Ledesma apenas por diálogos, dois colegas e amigos que, apesar de anos de convívio, se tratam por “senhor” em discussões calorosas sobre música clássica e boxe. O primeiro pouco se interessa pelo concerto de Strauss e o segundo despreza a fixação do público argentino àquela luta brutal travada entre dois homens. Ledesma é o que mais fala, tentando justificar a superioridade da música, insistindo para que Verani o acompanhe até sua casa e ouça por conta própria a maravilha que foi esse concerto. Verani apenas assente aos argumentos, por vezes tentando deturpar o que Ledesma diz a seu favor. Ledesma esbraveja quase como um professor entusiasmado para se fazer entender pelos seus alunos, nesse caso Verani e Roque – uma presença silenciosa e observadora.</p>
<p style="text-align: justify;">Roque é quem mostra a personalidade desses personagens – anos mais tarde – e se empenha na tarefa de descobrir a ligação entre esses fatos: a luta, o concerto na capital portenha e a morte, suicídio ou assassinato, no hotel. Ele também relembra os fins de tarde no Touring em que ouvia os dois jornalistas veteranos, nos contando o fim de suas vidas e nos levando a solucionar esse mistério que tanto os ocupou. A narração que faz em primeira pessoa é intrigante e interessante, enquanto entrevista personagens que descobre manter ligação com esses episódios, seu relato é interrompido pelas falas daqueles que interroga entre parênteses, cortando o que diz para então retornar ao raciocínio que empreende.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Segundos fora</em> pode parecer labiríntico, e de certa forma é. O leitor é tragado de supetão para dentro da trama e é levado a saborear cada frase com cuidado, devagar, para não perder nenhuma das sensações descritas por Kohan e muito menos para não se perder na linha de raciocínio de Ledesma, enquanto esse expõe sua paixão pela música clássica e detalhes curiosos que destrincha sobre a luta em Nova York. O leitor pode absorver cada momento como se fossem histórias distintas, esquecendo-se até que devem se unir no final. E a cada vez que lembra disso, se empenha ainda mais na leitura para tentar descobrir como essas histórias irão se juntar no fim. Quiçá, o desfecho é o que menos importa ao encerrar a leitura. A escrita de Kohan parece muito mais interessante do que o simples final apresentado.</p>
<p style="text-align: center;">Conheça o catálogo da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Companhia das Letras" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/02/ciadasletras.gif" alt="" /></a></p>
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		<title>Por favor, cuide da mamãe, de Kyung-sook Shin</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Apr 2012 21:45:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Intrínseca]]></category>
		<category><![CDATA[Kyung-sook Shin]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura sul-coreana]]></category>
		<category><![CDATA[Por favor cuide da mamãe]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma das coisas que mais me incomodam ao falar sobre a mulher é a certeza de que o maior sonho de todas é ser mãe. Como se engravidar uma, duas, dez vezes fosse o grande ápice de sua vida – &#8230; <a href="http://rizzenhas.com/2012/04/03/resenha-por-favor-cuide-da-mamae-de-kyung-sook-shin/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<fb:like href='http://rizzenhas.com/2012/04/03/resenha-por-favor-cuide-da-mamae-de-kyung-sook-shin/' send='false' layout='button_count' show_faces='true' width='450' height='65' action='like' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like><p style="text-align: justify;"><a href="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/04/porfavorcuidedamamae.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2857" title="porfavorcuidedamamae" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/04/porfavorcuidedamamae.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>Uma das coisas que mais me incomodam ao falar sobre a mulher é a certeza de que o maior sonho de todas é ser mãe. Como se engravidar uma, duas, dez vezes fosse o grande ápice de sua vida – ou seria ver o filho crescer, se formar, sair de casa, etc. Não duvido que isso traga sim imensa alegria – para os homens também –, mas discordo de que toda e qualquer mulher sonha exatamente com isso. Como se ela não fosse um indivíduo, mas sim um ser obrigatoriamente composto por uma extensão chamada filhos. Após a imagem de mãe concretizada, desvinculá-la disso parece ser ainda mais difícil: a mulher passa a ser aquela pessoa que se dedica apenas à criação, ao cuidado das crianças e do lar, cujas ações visam sempre sua família. Não, uma mulher e uma mãe são mais do que isso, e é difícil enxergar e reconhecer que elas têm desejos que vão além de sua prole. Que elas também pensam – e precisam pensar – em si mesmas.</p>
<p style="text-align: justify;">Kyung-sook Shin é uma escritora sul-coreana, a primeira de seu país a vencer o Man Asian Literary Prize, e também a primeira mulher a conquistar esse feito. Tudo por conta do livro <em>Por favor, cuide da mamãe</em>, um romance plural e intimista que apresenta uma mulher em seu estado de abandono através do olhar de seus filhos e seu marido. Não um abandono premeditado, consequência da negligência de sua família, mas aquele causado pela acomodação, pela falta de gratidão, consequência do egoísmo de cada um e a falta de reflexão sobre o que é ser, e ter, uma mãe.<span id="more-2856"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Park So-nyo é uma senhora que vive em uma aldeia da Coreia do Sul com seu marido, mãe de cinco filhos, e os criou com determinação e prevendo futuros brilhantes: o estudo era obrigatório, tudo para terem uma vida diferente daquela rotina do campo em que ela sempre viveu. Mas essa história não começa nessa aldeia. Park So-nyo está indo visitar seus filhos em Seul para comemorar o aniversário de seu esposo – e o seu, para economizar as datas – e em um momento de descuido dele, se perde no meio da multidão na estação de trem. Ele nota a sua ausência apenas uma estação depois, tarde demais para voltar e encontrá-la parada no mesmo lugar. Isso porque Park So-nyo não é mais uma dessas mulheres que senta e espera: há anos está doente, desorientada, perdendo suas memórias, e sua família dá pouca atenção para seu estado debilitado, muito por insistência da própria mulher.</p>
<p style="text-align: justify;">Superficialmente pode parecer que Park So-nyo é ignorada pela família, mas o incrível nessa história é que ela é uma mulher amada. Amada como mãe, como aquela que cuidou de cada filho como uma verdadeira leoa, trabalhando dia e noite para garantir-lhes a comida e a educação. O problema é que eles nunca olharam para ela além dessa imagem. Quando ela some, seus filhos e marido passam a lembrar daquilo que ela foi, de como a tratavam e do que deixaram de dizer a ela por considerarem não ser necessário agradecer ou exprimir seu amor. Kyung-sook Shin conduz toda a história através desses depoimentos emocionados e arrependidos, cada capítulo o ponto de vista e a declaração de um membro dessa família feito em segunda pessoa – exceto no segundo, dedicado ao seu filho mais velho.</p>
<p style="text-align: justify;">A cada parágrafo Kyung-sook Shin evidencia ainda mais a perda da individualidade de Park So-nyo, que chega ao ponto de sua família inteira desconhecer sua vida nos últimos anos por falta de interesse – deixar de dar um telefonema aqui, não fazer uma pergunta ali, adiar uma visita por meses ou anos. Enquanto procuram por ela em Seul, cada filho se culpa por não ser capaz de se sacrificar por ela nem um décimo do que ela fez por ele. Como um deles se questiona ao perceber que sempre viu a mãe como parte da cozinha de casa: será que mamãe gostava de ficar na cozinha? Será que ela não pensava em fazer outras coisas? Esse é o tipo de pergunta que eles nunca fizeram a si mesmos, muito menos a ela.</p>
<p style="text-align: justify;">A forma com que a autora mostra tudo isso, dando forte evidência para o arrependimento de todos quanto a atenção que davam à protagonista, comove pela forma com que as personagens assumem terem sido indiferentes a vida daquela que sempre zelou por eles independente do que faziam – no caso de seu marido, por exemplo, que eventualmente a abandonava, mas era sempre bem recebido ao voltar, apesar de Park So-nyo nunca depender de alguém além dela mesma para sobreviver. Mais marcante ainda é quando a própria mulher revela como suportou essa vida revelando os segredos que guardou durante os últimos anos, os acontecimentos que a transformaram olhando para todos os seus filhos, vizinhos e outros parentes – o inverso do que o livro vinha fazendo então.</p>
<p style="text-align: justify;">Se <em>Por favor, cuide da mamãe</em> tem um pecado, é o segundo capítulo. Não no conteúdo, mas em sua estrutura. Se todo o livro segue a narração em segunda pessoa – que a meu ver aproxima ainda mais o leitor do drama contado –, não vi motivo para justamente esse ter que ser diferente. Um detalhe pequeno que incomoda, mas não compromete realmente a narrativa como um todo. Kyung-sook Shin mostrou que merece mesmo o reconhecimento que recebeu com <em>Por favor, cuide da mamãe</em>. Ao iniciar a leitura, o leitor pode pensar que a história de Park So-nyo é característica da cultura oriental, geralmente tão diferente da nossa e muitas vezes vista como rígida, mas o livro alcança todas as culturas e pessoas, aproxima ainda mais o oriente do ocidente ao expor uma problemática universal e uma imagem da Coreia do Sul mais atualizada.</p>
<p style="text-align: center;">Conheça o catálogo da <strong>Intrínseca</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.intrinseca.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Intrínseca" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/02/selointrinseca.jpg" alt="" /></a></p>
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		<title>Wilson, de Daniel Clowes</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Mar 2012 02:07:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<fb:like href='http://rizzenhas.com/2012/03/27/resenha-wilson-de-daniel-clowes/' send='false' layout='button_count' show_faces='true' width='450' height='65' action='like' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like><p style="text-align: justify;"><a href="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/03/wilson.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2850" title="wilson" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/03/wilson-222x300.jpg" alt="" width="222" height="300" /></a>Aquela piadinha que a gente tanto ama/odeia do “só que ao contrário” desabou na graphic novel de Daniel Clowes em forma de sinopse – o que não deve ter sido intencional. “Wilson é um adorável malandro. Um pai e marido dedicado. Uma flor delicada.” Só que ao contrário. Wilson é mais irritante do que você pode pensar. Você está lá, quieto no seu canto tomando um capuccino delicioso e do nada um cara de óculos à lá Woody Allen senta na tua frente – sendo que todas as outras mesas estão vazias – e começa a puxar uma conversa sem sentido. E ainda se acha no direito de te ofender. Wilson é o cara que, sem ter nada para fazer, manda uma caixa cheia de merda de cachorro para sua ex-cunhada. Um troll da vida real. Ou melhor, dos quadrinhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>Wilson</em>, Clowes, conhecido por <em>Ghost World</em>, cria um personagem amargurado, idiota, intratável, inconveniente, e por isso extraordinário. Ele é ótimo. São 80 páginas, cada uma é uma tirinha que pode muito bem ser lida separadamente, mas que juntas formam toda uma história da vida de merda que Wilson tem. Em resumo: ele é um norte-americano de 43 anos, solitário, só gosta de sua cadelinha, não faz nada da vida e descobre que o pai está morrendo. Esses são os ingredientes do livro que culminam nas tentativas pífias do personagem em encontrar algum sentido para sua existência no mundo e tentar arrumar aquilo que, claro, estragou no passado, em busca da fuga da solidão em que sempre viveu.<span id="more-2849"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Wilson</em> parece ser um rascunho. <a href="http://abibliotecaderaquel.blogfolha.uol.com.br/2012/02/20/daniel-clowes-e-a-genese-de-wilson/">Em uma entrevista</a>, Clowes fala que nem fazia ideia do que nasceria dali: uma graphic novel mesmo ou um livro de tirinhas. Também não tinha noção do traço a dar ao personagem, e isso explica o fato da HQ apresentar tanta variação nos desenhos, nas formas e cores que mudam a cada página – do estilo cartoon ao mais realista. E ele ficou assim desajeitado, fragmentado, um verdadeiro Frankenstein. <em>Wilson</em> tem um ritmo tão leve de leitura que é fácil imaginar o que acontece com o protagonista nos intervalos entre uma tirinha e outra – podem representar tanto um curto período de tempo quanto um salto de anos. Logo de início o leitor percebe que há todo um problema se formando na vida do protagonista.</p>
<p style="text-align: justify;">Wilson é sim intragável como pessoa e essa personalidade desagradável tão somente torna suas situações hilárias. Não é humor negro ou escrachado, é uma espécie de melancolia e impaciência apresentadas de uma forma que te faz rir de tão absurdas que são as situações que ele cria – e tristes também. Como abordar um estranho do nada e despejar filosofias sobre a vida para acabar o chamando de merda, sentar e olhar para o mar procurando passar por uma epifania e em 30 segundos se irritar com o ridículo da situação. Quem não quer poder encarar alguém com a maior seriedade do mundo e poder dizer com todas as letras: “Cuzão”? Wilson faz isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso tudo é um mecanismo para manter qualquer pessoa afastada, e Wilson continua sendo um homem deprimente, que quanto mais tenta corrigir seus erros do passado – se aproximar da ex-mulher e encontrar sua filha –, mais mostra que seu talento para ser social é nulo. Daniel Clowes decide dar uma segunda chance a Wilson, no fim ele descobre algo, não se sabe o que, e é como se ele finalmente tivesse se encaixado em algum lugar, o que leva embora a pena que o leitor vai nutrindo por ele ao longo do livro.</p>
<p style="text-align: justify;">Leiam <em>Wilson</em>. É rápido, é bom, dá até para ler mais de uma vez no mesmo dia, se puder. E vale mesmo ler mais de uma vez, tirar ele da estante, abrir numa página qualquer e ver com que insulto ou momento filosófico sobre a vida Wilson irá nos receber. Só para atirar sua motivação no asfalto para ser atropelada por um ônibus cheio de gente rabugenta e você vai rir.</p>
<p style="text-align: center;">Conheça o catálogo da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Companhia das Letras" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/02/ciadasletras.gif" alt="" /></a></p>
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		<title>Cartier-Bresson: O olhar do século (Pierre Assouline)</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Mar 2012 23:19:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um dos primeiros nomes que ouvi quando comecei meu curso de Jornalismo foi o de Henri Cartier-Bresson. A excelência geométrica de suas fotos em preto e branco foi projetada na parede da sala pelo professor de fotografia, enquanto apresentava a &#8230; <a href="http://rizzenhas.com/2012/03/21/resenha-cartier-bresson-o-olhar-do-seculo-pierre-assouline/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<fb:like href='http://rizzenhas.com/2012/03/21/resenha-cartier-bresson-o-olhar-do-seculo-pierre-assouline/' send='false' layout='button_count' show_faces='true' width='450' height='65' action='like' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like><p style="text-align: justify;"><a href="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/03/cartier_bresson_o_olhar_do_seculo.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2842" title="capa_cartier_bresson.indd" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/03/cartier_bresson_o_olhar_do_seculo-180x300.jpg" alt="" width="180" height="300" /></a>Um dos primeiros nomes que ouvi quando comecei meu curso de Jornalismo foi o de Henri Cartier-Bresson. A excelência geométrica de suas fotos em preto e branco foi projetada na parede da sala pelo professor de fotografia, enquanto apresentava a esses projetos de jornalistas que éramos as mais famosas imagens de um dos maiores fotógrafos do século XX. Para aquele grupo de alunos pós-adolescentes, Cartier-Bresson poderia parecer apenas mais um nome “clássico” evocado pelos docentes que logo seria esquecido. Mas para os que já estavam se apaixonando pela fotografia, HCB permaneceu como o grande mestre do registro fotográfico. Foi o homem que revolucionou o fotojornalismo, mesmo não ambicionando atuar nessa área.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>Cartier-Bresson: O olhar do século</em>, Pierre Assouline disseca toda a vida do artista-que-se-tornou-fotógrafo com rigor cronológico. Todo o legado que HCB deixou para a fotografia está presente nas mais de 400 páginas recentemente publicadas pela L&amp;PM em edição de bolso. O autor, amigo do fotógrafo, utiliza tudo o que recolheu em cinco anos de conversa com a lenda das lentes – falecido em 2004 –, seus arquivos, entrevistas e publicações que se debruçaram sobre a vida de personagem tão controverso. Controverso por não ver o seu próprio trabalho como arte (a maior pretensão profissional do francês foi, desde o início, ser pintor), enquanto seus colegas, jornalistas e editores o colocavam no pedestal de gênio, aquele que trouxe para o simples registro do factual a poesia. Por impregnar suas fotos com alma e sentimento, não apenas com informações.<span id="more-2840"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Henri Cartier-Bresson nasceu em 1908, vindo de uma família conhecida na França pela fortuna conquistada em sua fábrica de fios. Henri, desde criança, se perguntou de onde vinha o acumulo de dinheiro, desconfortável com todas as facilidades que sua família usufruíra, evitando ser relacionado à tradicional casa em que cresceu. Não seguiu o futuro previsto por seus pais – se preparar para tocar os negócios da família –, mas nem por isso deixou de ser apoiado em seu sonho artístico. Primeiro, estudou arte e pintura na academia Lhote, depois, ao se encontrar com a fotografia, a adotou. De posse de sua inseparável Leica com uma lente 55mm, HCB passou a fotografar o mundo. Ou simplesmente, o que o interessava. Sem se prender a temas, fatos ou empresas, se recusava a fazer foto reportagens. Mas foi justamente no jornalismo que seu nome se consagrou.</p>
<p style="text-align: justify;">Assouline faz um relato fiel do que HCB viveu da infância à velhice, se concentrando nas personagens que encontrou e fazendo iguais descrições delas e de suas relações com o fotografo. Nenhum momento escapa de seu registro biográfico: a decisão de se dedicar à fotografia, as várias vezes em que desistiu de sua “profissão” para enveredar pelo documentário em vídeo e voltar à pintura, até o retorno às câmeras durante a Segunda Guerra Mundial, os três anos de prisioneiro de guerra e sua fuga que lhe marcaram de forma irreversível. Tudo que envolve a vida, a arte e o trabalho de Cartier-Bresson está nesse relato.</p>
<div id="attachment_2841" class="wp-caption alignright" style="width: 213px"><a href="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/03/bresson_garoto_garrafas.jpg"><img class="size-medium wp-image-2841" title="bresson_garoto_garrafas" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/03/bresson_garoto_garrafas-203x300.jpg" alt="" width="203" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Rue Mouffetard, Paris, 1954.</p></div>
<p style="text-align: justify;">A leitura, contudo, se compromete com tanto rigor na documentação. Em diversos momentos, ultrapassar os parágrafos descritivos de Assouline se torna uma tarefa difícil, e o leitor se distancia da personagem sobre a qual resolveu conhecer a fundo. Onde está o fotógrafo genial do qual tanto ouvimos falar? Onde estão as histórias de suas mais famosas fotos? Essa parte da biografia demora a chegar, mas quando aparece, o leitor se encanta com os bastidores de seus registros mais célebres. Depois da fundação da Magnum – uma das maiores agências de fotografia, fundada por HCB, Robert Capa, David “Chim” Szymin, George Rodger e William Vandivert –, Assouline se concentra nos trabalhos documentais de Cartier-Bresson na Ásia, em seus famosos retratos, e principalmente no que ele julgava ser extremamente importante na fotografia.</p>
<p style="text-align: justify;">Henri Cartier-Bresson não aceitava que suas fotos fossem reenquadradas, tinha asco do uso do <em>flash</em>, não permitia que as imagens fossem encenadas, ou seja, que os componentes fossem arranjados para que a foto mostrasse o que seus editores previamente gostariam de publicar. HCB queria ver o mundo conforme ele se apresentava à sua frente, queria registrar a eternidade daquele momento específico que estava fotografando, a alma e espírito das pessoas que retratava. Sem truques, sem mágica, apenas conseguindo congelar a imagem em seu “instante decisivo”, sua mais famosa expressão que define todo seu trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Cartier-Bresson: O olhar do século</em> é uma biografia que se concentra exaustivamente na vida de seu biografado, o que é perfeito para quem procura justo por isso: fidelidade. Porém, sua leitura pode se mostrar comprometida pelo excesso de zelo do autor em englobar o máximo de temas relacionados ao fotógrafo nesse livro. Mas é inegável que, para aqueles que já nutrem grande admiração pela figura de HCB, ele é mais um documento que atesta toda a sua importância para a fotografia, que leva o leitor a procurar cada imagem do fotógrafo que é citada dentro do livro para aproveitá-las em todos os seus detalhes e compreender suas grandes, e minúsculas, histórias.</p>
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		<title>Duas novelas, de Bernardo Ajzenberg</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Mar 2012 16:35:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;O número dois não está apenas no título ou na quantidade de textos que compõem o livro Duas novelas, do escritor, jornalista e tradutor Bernardo Ajzenberg. A dupla, o dois, é componente importante das duas novelas reunidas neste volume. Ou melhor, &#8230; <a href="http://rizzenhas.com/2012/03/14/resenha-duas-novelas-de-bernardo-ajzenberg/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<fb:like href='http://rizzenhas.com/2012/03/14/resenha-duas-novelas-de-bernardo-ajzenberg/' send='false' layout='button_count' show_faces='true' width='450' height='65' action='like' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like><p style="text-align: justify;"><em><a href="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/03/duasnovelas.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2834" title="duasnovelas" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/03/duasnovelas-198x300.jpg" alt="" width="198" height="300" /></a>&#8220;O número dois não está apenas no título ou na quantidade de textos que compõem o livro <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5301&amp;tipo=2&amp;isbn=8532526683" target="_blank">Duas novelas</a>, do escritor, jornalista e tradutor Bernardo Ajzenberg. A dupla, o dois, é componente importante das duas novelas reunidas neste volume. Ou melhor, a relação entre sociedades e os dramas que elas escondem é o tema central. Não poderia ter assunto mais maçante, menos interessante, que o mundo dos negócios. Mas não são rotinas de escritórios e reuniões que Ajzenberg traz para essas novelas, e sim delírios pessoais, que formam histórias sedutoras, transitando nos limites entre confiança, verdades e mentiras, realidades e invenções de uma mente mergulhada na ficção.&#8221;</em></p>
<h2><a href="http://www.amalgama.blog.br/03/2012/duas-novelas-bernardo-ajzenberg/">Continue a ler a resenha no Amálgama!</a></h2>
<p>Só aquele aviso básico de que tem resenha nova lá no Amálgama, chuchus! Para ler inteirinha, clica no link ali em cima e seja feliz.</p>
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		<title>Livro, de José Luís Peixoto</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Mar 2012 01:19:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taize Odelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
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		<description><![CDATA[“A mãe pousou o livro nas mãos do filho. [...] O rapaz tinha seis anos, fugiu-lhe a atenção, distraiu-se, mas não se desinteressou pelo livro, apenas deixou de o interrogar enquanto objeto em si, começou a questioná-lo de maneira muito &#8230; <a href="http://rizzenhas.com/2012/03/11/resenha-livro-de-jose-luis-peixoto/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<fb:like href='http://rizzenhas.com/2012/03/11/resenha-livro-de-jose-luis-peixoto/' send='false' layout='button_count' show_faces='true' width='450' height='65' action='like' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like><p style="text-align: justify;"><a href="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/03/livro.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2829" title="livro" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2012/03/livro-199x300.jpg" alt="" width="199" height="300" /></a>“A mãe pousou o livro nas mãos do filho. [...] O rapaz tinha seis anos, fugiu-lhe a atenção, distraiu-se, mas não se desinteressou pelo livro, apenas deixou de o interrogar enquanto objeto em si, começou a questioná-lo de maneira muito mais abstrata, enquanto intenção, enquanto sombra de um ato.” Não há como falar de Livro sem apresentar o trecho inicial desse romance de José Luís Peixoto. Seria pecaminoso ignorar outra passagem que ele protagoniza: “Se namorares comigo, dou-te um pombo, cem escudos e um livro.” A importância do livro nesta história vai além do próprio objeto, e seu significado é mais do que um monte de páginas reunidas cujo corpo contém letras, sejam elas de que idioma for.</p>
<p style="text-align: justify;">José Luís Peixoto não viveu o tempo de ditadura em Portugal. Quando nasceu, em 1974, a revolução já havia derrubado Marcello Caetano, sucessor de Salazar. Mas esse período conturbado da política portuguesa faz parte da sua história, do passado que carrega antes mesmo de ter nascido. No início dos anos 1960, seus pais imigraram para a França, assim como cerca de um milhão de outros portugueses fizeram. Ao fim da ditadura, retornaram à vila que deixaram em Portugal, e foi ali que Peixoto nasceu. <em>Livro</em>, recentemente lançado no Brasil pela Companhia das Letras, é um resgate desse passado que o autor não viveu, fato que não lhe tira o direito de falar sobre ele.<span id="more-2828"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Dividido em duas partes, a história inicia com a frase que abre essa resenha: uma mãe deposita nas mãos do filho um livro, pede para que ele espere e vai embora. Até Josué, amigo da mulher, aparecer, o autor narra as percepções desse menino de seis anos chamado Ilídio, que observa o livro que tem em mãos, a vila à sua volta e vê o dia virar noite aguardando pelo retorno dela. Mais adiante, com Ilídio na adolescência, somos apresentados a outros personagens: Cosme, seu melhor amigo e companheiro de trabalhos e travessuras; Galopim, um rapaz ingênuo que cuida de seu irmão deficiente e dos pombos que cria dentro de casa; e Adelaide, jovem sobrinha da dona da loja do vilarejo que desperta o interesse de Ilídio.</p>
<p style="text-align: justify;">É em torno dessas personagens que a primeira parte de <em>Livro</em> se concentra. José Luís Peixoto mostra, com uma sonoridade invejável nas suas frases, como os destinos deles se cruzam e se desencontram entre Portugal e a França. Primeiro vai Adelaide, mandada por sua tia. Atrás dela vai Idílio, à procura da namorada a quem lhe deu o livro – a segunda citação –, e junto dele Cosme, inseparável. Galopim permanece na vila portuguesa assim como Josué, e é através deles que vemos as mudanças pelas quais ela passa enquanto outras histórias nascem e morrem na França. A narrativa nessa primeira parte é totalmente fragmentada. Não só por mudar o foco de personagem a todo momento – não sabemos, ainda, quem é o narrador em terceira pessoa –, se perde em devaneios, idas e vindas no tempo para destrinchar personalidades, amarguras, esperanças e desejos de cada pessoa. Pode se mostrar maçante em alguns momentos, pode fazer o leitor se perder em outros, mas o caso de amor separado pela imigração e a perda de contato, seguido pelo modo que cada um leva a sua vida, não demora tanto a conquistar para essa narrativa.</p>
<p style="text-align: justify;">A segunda parte justifica todo o esforço de leitura da primeira. Lembre que “livro” não é só um objeto. Livro também é o narrador. Filho de Adelaide, assim ele foi batizado, e nessa segunda metade se apresenta abusando da metaliteratura, que transforma <em>Livro</em> quase que numa brincadeira. Ao ler um romance mal escrito sobre a imigração portuguesa para a França, decide ele mesmo contar sua história, embora pareça listar defeitos narrativos do próprio texto que escreveu: “Para lá das constantes referências a autores que ele, nitidamente, desconhece, num exercício fútil de name-drop, esperteza de google, o clímax de insensatez é alcançado numa espécie de autocrítica que, fazendo parte do romance, se refere ao próprio romance. A autorreferencialidade e o pós-modernismo têm as costas largas. Aquilo que transparece é a tentativa de, com esse artifício, levar os outros a dizer que o seu romance não é assim tão mau”. Não obstante existem “jogos” envolvendo o livro dado inicialmente a Ilídio que se repetem graficamente na história, e o leitor adentra na divertida e, ao mesmo tempo, insolúvel proposta do autor: confundir os “livros”, o de Ilídio e o que lemos, a ponto de embaralhar toda a história no tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">Recheado de referências a inúmeros escritores clássicos e outros obscuros, <em>Livro</em> pode aparentar ser um romance intelectualóide. Não é. O único personagem que tem uma relação obsessiva com a leitura, aliás, é o mais detestável dentre todos – Constantino, com quem Adelaide se casa na França. A homenagem ao livro está mais ligada ao próprio objeto, a essas páginas que guardam memórias e histórias, que, nesse caso, unem pessoas e registram lembranças não através das palavras, mas pelo gesto: dar um livro de presente. Momentos esses que ficaram marcados na vida das personagens, ligado à visão delas da História do próprio país.</p>
<p style="text-align: center;">Conheça o catálogo da <strong>Companhia das Letras</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2400" title="Companhia das Letras" src="http://rizzenhas.com/wp-content/uploads/2011/02/ciadasletras.gif" alt="" /></a></p>
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