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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Tag: A guerra não tem rosto de mulher

Os 10 melhores livros de 2016

Chegou a hora, pessoal. Nunca vamos parar de fazer listas. Precisamos de listas. Precisamos categorizar o que acontece com a gente. Acho que até já perdemos a birra com as listas que reinou no ano passado. Não temos como fugir delas.

Na lista “vida em 2016”, eu colocaria algo como: “começou bom, aí ficou ruim, aí piorou, aí pareceu melhorar um pouco, agora não sei o que tá acontecendo”. Mas uma coisa é certa: 2016 foi um bom ano de leituras. Já começou com um destaque grande para obras escritas por mulheres – e o melhor foi notar que fiz isso inconscientemente, não baseei minhas escolhas em “esse foi escrito por uma mulher e por isso tenho que ler”. E também consegui bater minha meta de leitura no Goodreads (ok, 30 livros, até fácil comparado com aquele ano em que li 92…), pois sabemos como a vida adulta e proletária é difícil, e não é nem uma questão de ter tempo para ler, mas força de vontade mesmo. Considero isso uma vitória.

Depois dessa introdução nada animada, aqui vai a minha listinha de MELHORES LEITURAS DE 2016 (não é melhores lançamentos, é o que li de mais legal nesse ano mesmo).

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A guerra não tem rosto de mulher, de Svetlana Aleksiévitch

a-guerra-nao-tem-rosto-de-mulherPense nos relatos de guerra, de que forma eles são feitos. Há a história de quem ganha, cheia de atos heroicos e grandiosidade. Há a de quem perde, essa talvez menos contada, provavelmente porque desperta vergonha, vulnerabilidade. Mas uma coisa que essas histórias têm em comum é a sua fonte: geralmente narradas por homens, construídas por eles. Em filmes, livros, séries, quando a guerra é o tema são os homens os personagens principais. As mulheres têm o papel de cuidar dos homens, ser suas enfermeiras, suas amantes, aquelas que seguram as pontas em casa e esperam pela sua volta. Mas há um papel que as mulheres tiveram na Segunda Guerra Mundial que, perto do tanto de histórias que temos de homens lutando, é praticamente esquecida. A história das mulheres que realmente combateram, pegaram em armas e estiveram no campo de batalha. Essa é a história que Svetlana Aleksiévitch quer contar.

Em A guerra não tem rosto de mulher (tradução de Cecília Rosas), a jornalista bielorrussa entrevista centenas de mulheres que combateram pelo exército soviético ou em grupos civis. São franco-atiradoras, tanquistas, médicas, enfermeiras, lavadeiras, pilotos, enfim, mulheres que lutaram em todas as frentes, que assumiram o posto dos homens e fizeram o trabalho tão bem (ou até melhor) do que eles. A motivação de Aleksiévitch, como ela diz na introdução, é mostrar como o relato das mulheres difere do dos homens. Ela quer mostrar uma guerra que não foi feita de heroísmo, que não teve, no final, vencedores ou perdedores. Ela quer uma guerra com sentimentos, com as dores e as (poucas) alegrias que o conflito guarda. É dar às mulheres a chance de contar o que elas nunca contaram.

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