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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Tag: Caetano W. Galindo

O palácio da memória, de Nate DiMeo

o-palacio-da-memoriaÀs vezes personagens extraordinários se perdem na história. Muita gente já passou por esse mundo, poucas foram responsáveis por feitos notáveis, mas mesmo assim é um número considerável de gente que merece ser lembrada pelo que viveu, pelas dificuldades que enfrentou. Pena que esquecemos fácil. Nossa memória é incrível, mas não é das melhores. Seja por silenciamento premeditado ou pela passagem do tempo, nós esquecemos.

O palácio da memória é um projeto bacana por resgatar isso. O podcast The memory palace conta histórias de pessoas que não estão inscritas na grande História. Ex-escravos, mulheres que não se contentavam com o papel de boa esposa, visionários, cientistas, inventores… Nate DiMeo resgata essas pessoas de um passado não tão distante, e cria uma narrativa para aquilo que foi esquecido. Como Caetano W. Galindo, o tradutor, conta no posfácio do livro, ele se encantou com o podcast durante um voo longo. As narrativas de DiMeo, ele pensou, dariam um bom livro. E assim surgiu O palácio da memória, a versão “texto” do podcast lançada exclusivamente no Brasil pela Todavia.

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Ulysses, de James Joyce

ulysses“O mais belo livro publicado em nossa terra durante a minha vida. Faz pensar em Homero”. Essa não foi uma frase de um crítico literário ou um escritor elogiando seu par. Está dentro de Ulysses, falando sobre o próprio livro, uma bela brincadeirinha de seu autor, ou assim me pareceu. Começar a ler o “clássico dos clássicos” vem acompanhado de certo nervosismo. Ulysses foi o livro do século XX, o grande romance, a obra que “tem-que-ser-lida-ou-você-não-conhece-literatura-de-verdade”, e que você “tem-que-entender-ou-é-um-analfabeto-funcional” – ou então que “é-difícil-pra-caramba-só-finge-que-entendeu-e-fala-que-leu-para-não-pegar-mal”. Não deve ser o livro com a melhor fama entre os leitores, mas é o mais admirado – algo meio tirânico de se pensar. Quando saiu a notícia de que uma nova tradução da obra-prima de James Joyce seria lançada no Brasil, o contrário tomou conta dos discursos na internet. Ulysses não é difícil, disseram. É só se deixar levar e aceitar o que o labiríntico dia 16 de junho de 1904 tem a oferecer. Foi com isso que decidi enfrentar o catatau de James Joyce, sem medo e sem me preocupar com o que ganharia com essa leitura.

A nota do tradutor Caetano W. Galindo que abre a edição lançada pela Penguin-Companhia e a introdução de Declan Kiberd me deixaram ainda mais animada a começar Ulysses. O livro, aliás, parecia ser tratado como uma entidade: é sempre referido como “O Ulysses”, como se o grandioso volume de mais de 1000 páginas que tinha em mãos fosse um ser tomado de alma. Não era simplesmente “um livro”. Mas apesar disso, o que Galindo e Kiberd tinham a dizer sobre ele – o primeiro sobre o traduzir, o segundo sobre o que ele aborda – tornaram o começo da leitura ainda mais tranquila. Por mais que tenha me tomado um tempo precioso de leitura, Ulysses foi sim prazeroso de ler, e cada minuto gasto me valeu à pena. Read more