white-teethFamília, identidade e cultura: essas três palavras podem definir os livros de Zadie Smith. NW é uma trama que, sob o ponto de vista de quatro personagens que cresceram no mesmo bairro, mostra como eles se tornaram pessoas diferentes, com dramas próprios, mas unidos todos pela mesma geografia. Swing Time, seu livro mais recente, gira em torno do deslocamento de sua narradora, uma mulher com mãe negra e pai branco, que sente não pertencer a lugar nenhum, ligada a uma amiga que tem o mesmo background que o seu, mas que fez escolhas na vida e tem uma visão de mundo diferente do dela. As três palavras estão nessas tramas: o lugar em que cresceram, o lugar em que pertencem – ou querem pertencer –, as culturas de que se alimentam suas personagens. E tudo isso começou com White Teeth.

O primeiro romance de Zadie Smith não poderia começar de maneira mais depressiva: na manhã de Ano Novo, Archie Jones está trancado dentro de seu carro, os vidros fechados quase totalmente, não fosse por uma mangueira presa na janela e ligada ao escapamento do veículo. Após anos de casado, sua esposa o abandonou. Archie não está desconsolado pelo fim do relacionamento, e sim porque gastou todos esses anos da sua vida com uma mulher insossa e um emprego sem ambições. A morte seria preferível a uma vida sem graça. Mas os planos de Archie são frustrados por comerciantes muçulmanos, donos do estabelecimento onde ele estacionou para morrer. Archie toma a interferência como um sinal de que precisa continuar. Levado pelo destino, termina a manhã numa “Festa do Fim do Mundo” onde conhece Clara Bowden, uma jovem negra, filha de jamaicanos, Testemunha de Jeová e que está sem os dentes da frente. Archie tem quase 50 anos, Clara tem 18. E a partir do momento em que se veem, sabem que vão terminar juntos.

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