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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Tag: Dias de abandono

A filha perdida, de Elena Ferrante

a-filha-perdidaUma mulher de meia-idade, professora, deixa a cidade para passar as férias no litoral do sul da Itália. Leda está livre das obrigações de mãe. Suas duas filhas, já crescidas, vivem perto do pai em Toronto, no Canadá. As preocupações atuais de Leda são o trabalho e, agora, encontrar um lugar confortável nas areias de uma praia tranquila para ler e revisar seus estudos. Momentos que são interrompidos pelas lembranças da própria maternidade desencadeadas pela presença de uma jovem mulher e sua filha acompanhadas da barulhenta família, pessoas que também transportam a narradora para a sua juventude em Nápoles.

A filha perdida, de Elena Ferrante (tradução de Marcello Lino), apresenta vários elementos que encontramos na tetralogia napolitana – o livro foi lançado anteriormente aos da série. Temos neste livro uma narradora que saiu de um lugar onde reina a violência e a ignorância e conseguiu se estabelecer em um ambiente intelectual, assim como faz Lenu a partir do segundo livro da série, História do novo sobrenome. Conforme Leda desenvolve seu relato sobre os dias naquela praia, suas experiências se encontram com aquelas que Lenu começa a vivenciar no terceiro livro, História de quem foge e de quem fica, principalmente quando fala da maternidade, do cansaço de manter um trabalho e uma casa, dos anseios de uma mulher que quer ser reconhecida pela inteligência e pelo trabalho, e não se resumir ao papel de mãe. É como se o curto romance fosse um pequeno ensaio do que seriam seus livros de maior sucesso.

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Os 10 melhores livros de 2016

Chegou a hora, pessoal. Nunca vamos parar de fazer listas. Precisamos de listas. Precisamos categorizar o que acontece com a gente. Acho que até já perdemos a birra com as listas que reinou no ano passado. Não temos como fugir delas.

Na lista “vida em 2016”, eu colocaria algo como: “começou bom, aí ficou ruim, aí piorou, aí pareceu melhorar um pouco, agora não sei o que tá acontecendo”. Mas uma coisa é certa: 2016 foi um bom ano de leituras. Já começou com um destaque grande para obras escritas por mulheres – e o melhor foi notar que fiz isso inconscientemente, não baseei minhas escolhas em “esse foi escrito por uma mulher e por isso tenho que ler”. E também consegui bater minha meta de leitura no Goodreads (ok, 30 livros, até fácil comparado com aquele ano em que li 92…), pois sabemos como a vida adulta e proletária é difícil, e não é nem uma questão de ter tempo para ler, mas força de vontade mesmo. Considero isso uma vitória.

Depois dessa introdução nada animada, aqui vai a minha listinha de MELHORES LEITURAS DE 2016 (não é melhores lançamentos, é o que li de mais legal nesse ano mesmo).

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Dias de abandono, de Elena Ferrante

dias-de-abandonoOlga é abandonada por Mario após quinze anos de casamento. Eles vivem num apartamento em Turim, na Itália. Ela, escritora, deixou o trabalho de lado para cuidar da casa e dos filhos, Gianni e Ilaria. Depois de um almoço em que tudo aparentava estar tranquilo, Mario lhe comunica calmamente que está indo embora. Olga fica sozinha com as crianças, tentando entender o que aconteceu, tentando não ser consumida pelo rancor do abandono.

Este é o enredo do curto romance de Elena Ferrante, Dias de abandono (tradução de Francesca Cricelli). A autora da série Napolitana mantém neste livro a mesma intensidade narrativa que encontramos em A amiga genial e História do novo sobrenome. Quem nos conta todo o drama da separação é a própria Olga, que aproxima o leitor de seus sentimentos e medos.

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