lacosÉ difícil ler Laços sem pensar em Dias de abandono. Mesmo que você tente ignorar os rumores sobre a real identidade de Elena Ferrante – Domenico Starnone é casado com Anita Raja, que apontam como a pessoa por trás do pseudônimo –, os paralelos entre os dois livros são muitos. Mas calma, cada livro se sustenta muito bem sozinho. Em Dias de abandono, acompanhamos o drama de uma mulher deixada pelo marido, sua amargura por ter sido trocada por alguém bem mais jovem, o sentimento de não ser mais bonita, desejada, e com o peso da responsabilidade pelos filhos todo em cima dela. Em Laços, começamos pelo mesmo lugar: Starnone nos apresenta cartas que Vanda, a esposa abandonada, manda para o marido Aldo, alternando momentos de compreensão com ataques de fúria.

Essa primeira parte de Laços (tradução de Maurício Santana Dias) se assemelha muito à narrativa de Ferrante. Ela quer que o marido volte, mas também procura machucá-lo com as piores palavras que conhece para fazê-lo entender como a situação em que se encontra é humilhante e prejudicial à família. Mas diferente do romance da autora da série napolitana, Starnone apresenta as consequências desses anos ausentes em toda a estrutura familiar – e oferece também o “outro lado da moeda”.

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