Blythe Connor sonhava em ser mãe, apesar de ter crescido num ambiente familiar com muitos problemas. Tanto a mãe quanto a avó passaram longe de serem mães exemplares. Há anos ela não vê a própria mãe, que abandonou ela e seu pai quando era adolescente. Casada com Fox, vê nessa recém-formada família a oportunidade de poder fazer diferente — de ser uma mãe amorosa, acolhedora, coisa que ela nunca teve. É Blythe quem conta sua história e a história da sua família em O impulso, romance de Ashley Audrain publicado pela Editora Paralela com tradução de Lígia Azevedo. 

Já devo ter comentado em algum texto, acredito, sobre aquilo que eu pensava que gostaria de ser quando adulta. Aos 15 anos, decidi estudar jornalismo, sonhando, sei lá, ser uma correspondente internacional, fazer grandes matérias, escrever sobre aquilo que eu acreditava ser importante e fazer diferença para o mundo. Aos 17, indo para a faculdade, estava empolgada com as aulas, ansiosa para começar a trabalhar feito uma louca em algum jornal, crente de que iria aguentar o tranco. Também estava feliz em um relacionamento que indicava durar para sempre, imaginando um futuro em que dividiria um espaço só meu com alguém que amava. Não preciso nem dizer que tudo saiu bem diferente do planejado. Não só deixei o sonho de ser uma grande jornalista de lado como estou em outra cidade, dividindo um apartamento com uma amiga, sem nenhum sinal de relacionamento ou amor no horizonte. E estou bem satisfeita com isso, ou pelo menos com parte disso.