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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Tag: ficção científica (page 1 of 2)

História da sua vida e outros contos, de Ted Chiang

HistoriaDaSuaVidaGEsse é um daqueles raros casos em que fiquei com muita vontade de ler o livro depois de ver o filme. Quando saí da sessão de A chegada, queria conhecer tanto a história original quanto os outros contos de Ted Chiang – a ideia toda apresentada no filme me pareceu legal demais para me contentar só com o audiovisual. Claro que as indicações de pessoas cujo gosto literário eu confio também ajudaram na decisão de ler Chiang, assim como algumas entrevistas do próprio autor – ele parece ser um daqueles caras de boas que não quer muita atenção, só fazer seu trabalho e escrever uns textos fictícios vez ou outra, gosto desse pessoal.

Por conta disso, comecei a leitura de História da sua vida e outros contos com as expectativas mais altas (a tradução lançada pela Intrínseca é de Edmundo Barreiros). Quem me conhece sabe que sou contra esse negócio de cultivar expectativas positivas sobre qualquer coisa, porque a decepção é quase certa. Mas não foi assim com Ted Chiang. Os contos são bons. Assim, bem bons.

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Cyberstorm, de Matthew Mather

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Tensão política, uma tempestade de neve e um ataque cibernético: uma das maiores cidades do mundo, Nova York, é derrubada e seus moradores se encontram em desespero. A comunicação começa a falhar, comida e mantimentos não chegam mais à cidade, e ainda há o boato de que muitas pessoas estão morrendo de gripe aviária, o que não pode ser confirmado nem desmentido. Às vésperas de um ano novo de frio rigoroso, todos estão presos na cidade e sem contato com o mundo, sem luz elétrica e sem água. Em Cyberstorm (tradução de Carolina Caires Coelho), Matthew Mather cria um cenário apocalíptico com esses ingredientes, e mostra como a paranoia e a falta de informação pode complicar ainda mais a sobrevivência quando o mecanismo de uma cidade começa a falhar.

Essa história é contada pelo ponto de vista de Mike, um homem de uns 30 e poucos anos que trabalha com internet e vive uma pequena crise em seu casamento: com um filho de dois anos, ele e sua mulher, filha de uma família tradicional e rica, estão se afastando aos poucos quando ela cogita voltar para a carreira de advogada. A proximidade com um vizinho que pouco o agrada levanta suspeitas de traição, que logo são eclipsadas quando Nova York começa a enfrentar o ataque cibernético. Com ajuda de Chuck, amigo e vizinho paranoico que mantém um abrigo e estoque de mantimentos em caso de ataques ou desastres, eles montam no prédio em que vivem um acampamento, ajudando mais pessoas que moram no seu andar e mantendo a mínima ordem. Algo que logo começa a chamar a atenção de gente de fora que, claro, não estão preparadas para enfrentar a neve, a fome e a falta das coisas básicas para a sobrevivência.

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Estação Onze, de Emily St. John Mandel

estacao-onze2Alguma coisa acontece no mundo de modo que a sociedade não é mais aquela que conhecemos. Uma catástrofe nuclear, um avanço tecnológico, uma invasão extraterrestre, a própria natureza se vingando do homem… Anos depois, podem ser centenas, podem ser milhares, essa sociedade se reorganiza, seja na própria Terra ou em outros planetas – nem sempre ela continua habitável, né. Há muitas ficções científicas assim, e vale lembrar que um velho livro conhecido da galera (vulgo Bílbia) traz um monte de ideias de como acabar com o mundo. Mas em Estação Onze (tradução de Rubens Figueiredo), o que podemos chamar de sci-fi pós-apocalíptico, a coisa acontece em um tempo mais recente e estamos observando tudo. E é isso o que me fez gostar muito do romance de Emily St. John Mandel.

É noite em Toronto, no Canadá. Jeevan Chaudhary está na plateia de uma montagem nova de Rei Lear, clássico shakespeariano, quando o ator principal, Arthur Leander, tem um ataque cardíaco fulminante. Estudando para ser paramédico após anos de carreira jornalística como paparazzi e repórter, ele logo tenta reanimar o ator, mas já é tarde. No palco, uma atriz-mirim de 8 anos, Kirsten Raymonde, vê tudo sem entender exatamente o que está acontecendo. Pouco depois da morte de Arthur, começam a aparecer na cidade as primeiras vítimas da Gripe da Georgia, até então limitada apenas à Europa, que em questão de horas mata uma multidão de pessoas. E aí o mundo como o conhecemos acaba.

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Eu, robô, de Isaac Asimov

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Eu sei que você assistiu Eu, robô, filme de 2004 estrelado por Will Smith – bela cena de banho, aliás. Se não assistiu, pelo menos viu o trailer. O personagem de Will é um detetive investigando a morte de um renomado cientista da robótica, que aparentemente se suicidou jogando-se da janela de seu escritório. Porém, analisando o local do crime, ele se depara com um robô de um modelo nunca antes visto, que passa a ser o principal suspeito dessa morte. Só que – e coloquem um grande “só que” nisso –, é impossível que o robô tenha cometido o crime, e isso por causa da principal das três leis da robótica que diz: “Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano venha a ser ferido”. E por aí o filme vai…

O longa, todos sabem, é inspirado nas histórias de Isaac Asimov, um dos maiores escritores da ficção científica e autor – junto com o editor John Campbell – das três leis da robótica. A primeira é a que consta acima. A segunda lei assegura que os robôs seguirão estritamente as ordens dadas por um humano, a não ser que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei. Já a terceira delimita que um robô “deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou com a Segunda Lei”. Ou seja: um robô não pode matar, não pode deixar ninguém morrer, não pode desobedecer e também não pode se destruir – afinal, robôs são caros pra caralho. Meu primeiro contato com Asimov foi com o seu primeiro romance com robôs, As cavernas de aço, lido no ano passado e que, mesmo apresentando uma ideia interessante sobre o futuro, não me agradou tanto na escrita. Mas com Eu, robô¸ tive uma impressão diferente de Asimov, gostando muito mais do seu trabalho como contista. Read more

As cavernas de aço, de Isaac Asimov

as-cavernas-de-acoAs três leis da robótica dizem que: 1 – “Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano venha a ser ferido”; 2 – “Um robô deve obedecer as ordens dadas por seres  humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei”; 3 – “Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou com a Segunda Lei”. Essas leis são fundamentais para a construção e convivência pacífica entre robôs e humanos, e são as primeiras coisas “instaladas” em seus “cérebros”. Mas a ameaça dos robôs vai além dessas três leis para os personagens de As cavernas de aço, o primeiro romance que trata do universo da robótica escrito por Isaac Asimov.

Como o próprio texto introdutório de Asimov publicado nesta edição lançada no ano passado pela Aleph explica, o autor já havia colocado os robôs como centro de seus contos, publicados em revistas especializadas em ficção científica a partir dos anos 1940. Apesar de já ter escrito romances, As cavernas de aço foi o primeiro texto longo com os homens de lata e cérebros artificiais. Na história, Elijah “Lije” Baley, um investigador da polícia de Nova York, é colocado para trabalhar num caso de assassinato ocorrido na Vila Sideral – local onde moram os Siderais, um povo dos mundos exteriores pouco apreciado pelos humanos. O homem morto é um famoso cientista que projeta robôs, e o caso é mantido às escondidas pelo fato de ser impossível um humano entrar, cometer um crime e sair sem ser visto da Vila – o que pode abalar muitas relações diplomáticas com os outros mundos. Read more

2001: Uma odisseia no espaço, de Arthur C. Clarke

2001-uma-odisseia-no-espacoDesde o início, quando o homem-macaco ainda estava enfrentando tempos de escassez e fome, o que proporcionou sua sobrevivência foram as armas. Com uma pedra pontuda e afiada na mão, ele descobriu que podia matar animais para comer, o que lhe daria mais alimento e não o faria depender apenas das plantas e frutas providas pela natureza. Com as armas, pôde afugentar seus inimigos e predadores. E conforme as armas foram evoluindo, o homem-macaco também passou por mudanças, adquirindo novas habilidades, ficando mais frágil fisicamente, porém mais inteligente – se tornou homo sapiens A curiosidade sobre o lugar em que vive e sobre o que o homem é levantou perguntas complexas, como, por exemplo, se a Terra é o único planeta com vida inteligente no Universo. Em 2001: Uma odisseia no espaço – livro escrito por Arthur C. Clarke simultaneamente com o roteiro do filme de Stanley Kubrick – existe inteligência além da nossa. E foram os alienígenas os responsáveis pelo despertar da mente humana.

A visita de um artefato alienígena à Terra dá início à história de um dos maiores clássicos da ficção científica. Após narrar detalhadamente a vida de uma tribo do ancestral do homem na África, Clarke dá um gigante salto no tempo, partindo para os anos 1990, onde Dr. Floyd está viajando à Lua para resolver uma questão confidencial do governo norte-americano. Algo aconteceu na base lunar, e ele é o responsável por descobrir o quê. Ele e sua equipe de cientistas se deparam com um monolito, um artefato escuro, como se feito de puro material preto, com dimensões precisas e, segundo seus cálculos, enterrado nas rochas da Lua muito tempo antes de existir vida humana como a conhecemos. Aquilo não poderia, de forma alguma, ter sido construído pelo homem, e não estava lá no satélite da Terra desde sempre. O monolito foi deliberadamente escondido. Ou seja, houve vida inteligente no Universo além da Terra. A dúvida é: aqueles que deixaram o monolito na Lua ainda existiam? Read more

Realidades adaptadas, de Philip K. Dick

realidades-adaptadasO que é ser humano, e como temos a certeza de sermos humanos? Essa questão deve estar presente em um grande clássico da literatura, pode ter atormentado milhares de grandes escritores que tentam, em suas obras, responder e dissecar essa pergunta. O que é o homem? O que nos torna humano? A confusão que essa interrogação carrega é grande, e as possibilidades de respostas acabam gerando ainda mais perguntas, como o leitor de Realidades adaptadas vai perceber.

A realidade e a humanidade são dois temas amplamente explorados por Philip K. Dick, um dos principais autores de ficção científica dos EUA (nascido em 1928 e morto em 1982, aos 53 anos de idade). Sua obra passou a ser bem mais conhecida após serem adaptadas para o cinema. São dele os contos que viraram filmes como O vingador do futuro, Minority Report – A nova lei, O pagamento, Screamers, etc. Realidades adaptadas, publicado pela editora Aleph, reúne sete dos contos que deram origem a ficções científicas que engordaram as bilheterias de Hollywood como forma de iniciar o leitor pouco familiar ao autor em suas obras. E todas essas histórias têm as questões do início desse texto em comum. Read more

Portal Fahrenheit, a última revista do Projeto Portal

Foram três anos publicando contos de autores brasileiros de ficção científica. Seis revistas reunindo esses contos ao mesmo tempo em que homenageava autores e obras do gênero. Solaris, Neuromancer, Stalker, Fundação, 2001 e agora Fahrenheit, o último “filho” do Projeto Portal. Organizado pelo escritor Nelson de Oliveira e distribuído entre leitores, críticos e acadêmicos, as revistas do Projeto me surpreenderam pela qualidade dos textos e imaginação dos autores. Infelizmente não li todos, apenas a partir do Fundação, mas desde o início apreciei os textos dessas pessoas das quais nunca ouvi falar antes. E com Portal Fahrenheit – a homenagem a Ray Bradbury, que infelizmente ainda não li – não foi diferente. Read more

Cidade da Penumbra, de Lolita Pille

Uma sociedade onde praticamente tudo é permitido e a liberdade e felicidade existem para todos está em um futuro próximo. A hiperdemocracia nos permite ter o que mais desejamos com injeções de dinheiro em contas bancárias, as mais sofisticadas plásticas e tratamentos de estética. Apesar do Sol não brilhar mais nessa Terra por conta de uma misteriosa fuligem que cobre o planeta, a vida segue na sua mais completa perfeição. Contudo, toda essa liberdade de Clair-Monde é uma farsa, um sentimento imposto a uma população alienada pelo consumismo. Cidade da Penumbra, novo livro da francesa Lolita Pille publicado pela editora Intrínseca, se baseia em grandes ficções do século XX para recriar uma sociedade que, por mais caricata que pareça, é muito parecida com a em que vivemos hoje. Read more

O Mapa do Tempo, de Félix J. Palma

Em 1888, na noite de 7 de novembro, Jack, O Estripador, fez sua última vítima: Marie Kelly, prostituta, assim como todas as outras mulheres que matou. Mas esse assassinato não tirou apenas uma vida. Ele acendeu a vontade de acabar com outra, a do jovem Andrew Harrington, amante de Marie Kelly. Inconformado com a morte de sua amada, oito anos depois o jovem rico de Londres decide tirar sua própria vida. Porém, seu primo e melhor amigo, Charles Winslow, o convence a desistir do suicídio apresentando-lhe uma maneira de salvar Marie Kelly: viajar no tempo e matar o serial killer. Read more