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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Tag: Globo Livros

A amiga genial, de Elena Ferrante

a_amiga_genial_capaEu lembro de, na escola, ter umas coleguinhas em que me espelhava para tentar ser como elas. Bonitas, bem vestidas, inteligentes, geralmente elas vinham de famílias que tinham mais dinheiro que a minha. Era uma mistura de inveja com admiração, creio eu. Não é que eu odiava elas daquele jeito tipo “se eu não tenho isso, elas também não podem ter”. Eu queria estar próxima delas, por mais que visse que algumas não gostavam das mesmas coisas que eu e até eram meio “malvadas” – faziam fofoquinhas, zombavam dos outros alunos, essas coisas. Eu não era esse tipo de gente, mas achava importante estar perto para ter um tipo de aprovação delas, para que elas vissem que eu era tão boa como elas. Acho que por isso achei tão fácil me identificar com Lenu Greco, a narradora e protagonista de A amiga genial, de Elena Ferrante (tradução de Maurício Santana Dias).

Lenu – apelido para Elena – tem essa relação com Lila – Rafaella Cerullo –, com quem desde criança firmou uma amizade marcada justamente por essas características: o desejo de ser como ela, a competição velada entre as duas para ver quem estava mais à frente, seja nos estudos ou na vida social, a necessidade de aprovação uma da outra. Mas, acima de tudo isso, a admiração, principalmente da parte de Lenu, que é quem nos conta essa história toda. Read more

Ódio, amizade, namoro, amor, casamento, de Alice Munro

odio-amizade-namoro-amor-casamentoEm 2013, aos 82 anos de idade, a canadense Alice Munro ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. A autora já tinha alguns livros traduzidos aqui no Brasil, mas, como é regra para mim, geralmente não conheço escritores recém-agraciados com o prêmio da academia sueca, e o Nobel acaba sendo o ponto de partida para lê-los. Felizmente, assim que anunciado, editoras apresentaram novas edições e traduções engatilhadas – como a de seu último livro publicado, Vida querida. Outra delas foi Ódio, amizade, namoro, amor, casamento, publicado no final do ano passado pelo selo Biblioteca Azul da Globo Livros.

O volume traz nove contos que narram vidas de personagens bem distintas: jovens, idosos, crianças, todas as histórias girando em torno de reencontros, do companheirismo, do amor e de algumas traições. O primeiro conto, que dá nome ao livro, faz referência a uma brincadeira adolescente de duas das personagens, que inventam cálculos matemáticos com os nomes de suas paqueras e, contando em ordem, preveem se suas relações vão terminar em ódio, amizade, namoro, amor ou casamento. Neste primeiro conto Alice Munro joga com a percepção do leitor, fazendo a história mudar de rumo a toda hora.

 Leia a resenha completa no Pósfácio.

Últimas palavras, de Christopher Hitchens

ultimas-palavrasChristopher Hitchens teve discussões e embates calorosos com líderes religiosos e boa parte das pessoas que seguem um Deus. Seu ateísmo era irrefreável, as críticas carregadas de ironias contra as entidades religiosas e suas práticas eram grossas e imperdoáveis. Hitchens, fora seu conhecido ateísmo, foi colunista e crítico literário de revistas como a Vanity Fair, New Statesman e Slate. Foi nessa primeira revista que suas últimas palavras foram publicadas, últimas a partir da descoberta, em plena turnê de lançamento de sua autobiografia, Hitch-22, de um câncer de laringe que o mataria em 2011.

As colunas sobre sua doença publicadas em quase um ano de tratamento contra o câncer foram reunidas no livro Últimas palavras, traduzido recentemente no Brasil pela Globo Livros. Com prefácio de Graydon Carter e posfácio de sua esposa, Carol Blue, o volume breve mostra o gradual enfraquecimento da saúde do crítico, mas sem apelar para a autopiedade e nem, como muitos esperavam, se inclinar para alguma crença em um milagre de salvação. Hitchens continua usando sua ironia para relatar os efeitos do câncer e dos tratamentos, difundir sua visão ateísta e outras “máximas” propagadas sobre a força para sobreviver a um mal que cresce em seu próprio corpo. O livro é como que um diário de como ele se sente morrendo, deixando para trás amigos e famílias, sem poder ou conseguir corresponder aos desejos de melhoras que tanto recebe. Read more