historia-da-menina-perdidaUma das coisas que mais gosto na série napolitana da Elena Ferrante é que ela consegue te manter presa a qualquer detalhe da história. A amiga genial já era, desde os primeiros capítulos, uma narrativa cativante: o bairro pobre de Nápoles dos anos 1950, os sonhos infantis das duas meninas de serem autoras de livros importantes, o constante embate que as duas travavam, uma tentando superar a outra, mas nunca se ressentindo por completo. Mas o que me pegou mesmo foi o final do livro. Aquele final novelesco de “você só vai saber no próximo episódio” – nesse caso, no próximo volume da série –, “o que aconteceu naquele momento derradeiro”. E Ferrante segue assim, deixando esse suspense do que irá acontecer, do que Lila vai fazer ou de como Lenu vai contar suas memórias.

História da menina perdida, o último livro da série, já chegou com a expectativa de resolver o mistério que Ferrante apresentou no primeiro livro: onde está Lila, como ela conseguiu sumir completamente, sem deixar para trás nada do que foi seu – nem dinheiro, nem cartas, nem fotos, nada. Lila se “deletou”, como havia afirmado para a amiga que gostaria de fazer. Não quer pertencer a nada, quer desaparecer como um todo, sem deixar sinal de que ela um dia existiu. Contrariando a amiga – como um último ato de rebeldia –, Lenu conta toda a sua história, misturando a vida das duas meninas que se conheceram no bairro brincando de bonecas com a história da Itália, as duas crescendo e virando mulheres com filhos para criar enquanto o mundo acelera nas suas mudanças. É o que Ferrrante entrega do primeiro ao último livro. E os mistérios que tanto queríamos desvendar, bem, eles serão para sempre mistérios. Read more