roupas-sujasHá famílias onde nada é segredo. Pais e filhos conversam abertamente sobre o que estão sentindo, sobre seus problemas mais complicados e íntimos, e tudo se resolve numa boa conversa. Eu não vim de uma família assim, e, ainda hoje, não sinto que posso falar sobre qualquer coisa com meus pais, tios, avós ou primos. Pode ser uma forma de autoproteção, de evitar reprimendas e julgamentos, ou por achar que vivo uma realidade distante da deles e por isso não haveria compreensão. Assim, nem as coisas mais mundanas são ditas.

Minha família é formada por pessoas que dedicaram boa parte da vida ao trabalho duro, daquele que te deixa tão cansado no fim do dia que não sobra tempo ou forças para pensar sobre o que acontece dentro da cabeça – era assim até pouco tempo, pelo menos, até algumas mudanças e perdas derrubarem algumas barreiras sentimentais dos meus tios e avós. Por mais que tenha crescido com muito mais mordomias do que os meus pais, sem as obrigações domésticas que eles tiveram desde pequenos, eu desenvolvi esse silêncio sobre o que acontece comigo e o que estou sentindo. É bem provável que seja por isso que eu tenha gostado tanto da leitura de Roupas sujas, de Leonardo Brasiliense.

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