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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Tag: literatura francesa

“Quem matou Roland Barthes?”, de Laurent Binet

quem-matou-roland-barthesQuem matou Roland Barthes?, de Laurent Binet (tradução de Rosa Freire D’Aguiar), foi o último livro lido em 2016, e um dos meus preferidos do ano. É daqueles livros que você não sabe exatamente os motivos de ter gostado, ou apenas não consegue descrevê-los bem. Ele é divertido, ele é bem escrito, ele pode até ser considerado inventivo, apesar de ser uma clássica história de investigação policial, um quem matou quem – ou quem mandou alguém matar quem, neste caso –, um romance que usa elementos reais para criar uma absurda história de conspiração que envolve a linguagem. Talvez eu tenha gostado do livro porque finalmente usei o que tive que aprender de semiótica na faculdade. Talvez.

Roland Barthes estava atravessando a rua quando foi atropelado por uma camionete de lavanderia no dia 25 de fevereiro de 1980. Estava voltando para casa após um almoço onde estavam presentes vários políticos e estudiosos, incluindo o candidato socialista à presidência da França, François Mitterrand. Até aí, tudo aconteceu de verdade. O almoço e o atropelamento são o ponto de partida para a trama policial de Laurent Binet. Considerando o atropelamento um acontecimento suspeito, a polícia francesa coloca o delegado Jacques Bayard para investigar as causas do acidente. Suas perguntas para Barthes no hospital não surtem muito efeito: ele apenas descobre que seus documentos foram perdidos, mais um fato suspeito. Um mês depois do atropelamento, Barthes morreria no hospital. Read more

A espuma dos dias, de Boris Vian

a-espuma-dos-diasNa primeira vez em que vi a capa de A espuma dos dias, livro de Boris Vian, pensei: “minhas avós adorariam essa imagem”. Os dois periquitos rodeados por flores chamam a atenção de longe pelo seu estilo kitsch, que nesse caso não é nem um pouco ruim. Acredito que não há imagem melhor para representar o romance de Vian, que brinca com o absurdo e o inusitado para contar a história de vida e morte de um amor. Afinal, o amor é brega na maior parte do tempo.

Publicado originalmente em 1947, A espuma dos dias apresenta uma realidade em que pianos dão forma e sabor a elaborados drinks, ratos são os melhores amigos de um cozinheiro – e esse, uma das pessoas mais respeitáveis do círculo social do protagonista, diferente de sua irmã, que resolveu estudar filosofia. As geringonças descritas por Vian são um deleite à parte na construção do livro, concentrado na vida breve do jovem casal Colin e Chloé. Para Colin, a vida existe apenas para ser aproveitada. O rico rapaz não economiza sua conta bancária para se divertir com amigos, promover festas e passeios, desfrutar das coisas caras. Quando encontra Chloé e, instantaneamente, decide que com ela irá se casar, desfrutar do prazer desse momento é o seu grande objetivo. As ações das personagens são assim, impulsivas e impensadas, e no momento em que as ideias surgem, tratam logo de executá-las.

Leia a resenha completa no Posfácio

O diabo no corpo, de Raymond Radiguet

o-diabo-no-corpoCostumo ter algumas fases em que livros sobre certos temas me interessam mais. No início do ano, a minha obsessão literária eram os livros sobre suicídios, boa parte deles protagonizados por jovens que não teriam, aparentemente, motivo algum para tirar a vida. No momento as leituras andam bem dispersas em se tratado de temas, mas tenho planos de ler mais sobre questões do cérebro e da memória. E apesar dessa gama enorme de assuntos e abordagens que a literatura tem, meu interesse sempre acaba voltando para as histórias de amor. Não há pessoa que em algum momento da vida não lide com esse sentimento, de estar apaixonado ou enamorado por alguém e fazer toda sua rotina girar em torno disso. Então me animei quando, recentemente, a Companhia das Letras anunciou a publicação pelo selo Penguin-Companhia de uma série de textos clássicos na coleção Grandes Amores, começando com O diabo no corpo, de Raymond Radiguet, e Os mortos, de James Joyce.

Como os títulos sugerem, essas “grandes histórias de amor” não parecem ser daquelas que terminam felizes – essas são justamente o meu tipo preferido. Comecei lendo O diabo no corpo, uma clássica novela francesa publicada originalmente em 1923, escrito pelo jovem Radiguet, que morreu com pouco mais de 20 anos de idade. Radiguet era um prodígio das letras que escrevia desde a adolescência, e sua história se reflete no protagonista de O diabo no corpo. A esposa de um soldado que está nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial se envolve com um jovem de 16 anos, que conta sua história de amor “proibido” com a mulher de 19 anos. São dois jovens, mas a sociedade da época os condena pela relação. Read more

O amante, de Marguerite Duras

o-amanteAos 15 anos e meio de idade Marguerite Duras teve sua iniciação sexual. Foi em um dia em que usava um vestido de seda quase transparente que fora de sua mãe, com um cinto de couro de um de seus irmãos, um chapéu de modelo masculino cor-de-rosa e um sapato de salto alto dourado. Cabelos trançados, maquiagem forte, batom vermelho. Vestida assim, em uma balsa que atravessava o rio Mekong, na antiga Indochina francesa (hoje o Vietnã), ela chamou a atenção de um rico homem chinês. E é com ele que Marguerite engatou um relacionamento que envolve sexo, dinheiro, e um amor que ele, o chinês, sente por ela, mas que ela não corresponde.

Em O amante, Marguerite Duras narra essa sua experiência adolescente quando já está com 70 anos de idade (o livro, publicado originalmente em 1984, foi relançado pela Cosac Naify em sua coleção Portátil). No início do romance, o seu mais autobiográfico, é essa a imagem que Marguerite evoca: uma adolescente ainda com cara de menina, que conhece seu potencial para atrair homens e, com isso, encontrar uma forma de levar dinheiro para dentro de casa. Sua família, depois da morte do pai, só caiu em desgraça: a mãe investiu em terras inférteis e entrou em completa decadência e depressão, o irmão mais velho um viciado em drogas e jogo que rouba o que pode de sua mãe, o mais novo – embora ela seja a caçula – um garoto frágil e amedrontado pela violência do mais velho. O amante, então, não é apenas um livro sobre as tardes e noites de sexo dessa menina com o rico chinês, mas um retrato da decadência da própria família. Read more

Cidade da Penumbra, de Lolita Pille

Uma sociedade onde praticamente tudo é permitido e a liberdade e felicidade existem para todos está em um futuro próximo. A hiperdemocracia nos permite ter o que mais desejamos com injeções de dinheiro em contas bancárias, as mais sofisticadas plásticas e tratamentos de estética. Apesar do Sol não brilhar mais nessa Terra por conta de uma misteriosa fuligem que cobre o planeta, a vida segue na sua mais completa perfeição. Contudo, toda essa liberdade de Clair-Monde é uma farsa, um sentimento imposto a uma população alienada pelo consumismo. Cidade da Penumbra, novo livro da francesa Lolita Pille publicado pela editora Intrínseca, se baseia em grandes ficções do século XX para recriar uma sociedade que, por mais caricata que pareça, é muito parecida com a em que vivemos hoje. Read more

O Baile das Lobas: A Vingança de Isabel, de Mireille Calmel

No século XVI, na região de Auvergne, na França, a história das mulheres-lobas continua envolta em mistérios e dores impossíveis de reparar. Iniciada a trama em O Baile das Lobas – Volume 1: A Câmara Maldita, a escritora francesa Mireille Calmel conquistou milhares de leitores com seu drama que envolve vingança, amor e magia. A história de Isabel, uma jovem camponesa que viu seu marido morrer e sofreu abusos do senhor de Vollore, Francisco de Chazeron, para satisfazer a seus caprichos, não havia terminado. Um segundo livro dá cabo dessa trama que narra a vida de gerações dessas mulheres que procuram apenas a cura de sua maldição. O Baile das Lobas – Volume 2: A Vingança de Isabel (Nova Fronteira), fecha essa história se perdendo em sub-tramas que prolongam a sua leitura. Read more

Leitura da Semana: O Baile das Lobas, volume 2: A Vingança de Isabel

Semana passada nem fiz o Leitura da Semana porque nem valeria à pena. Quando vi, já tava terminando A Questão dos Livros, e em poucas sentadas li Ponto Final, um livro da Dublinense. Mas estava com saudade de uma história mais longa sobre alguma época antiga, e como segundo volume de O Baile das Lobas, escrito pela francesa Mireille Calmel e publicado aqui pela Nova Fronteira, estava aguardando na fila, acabei passando ele pra frente. É bom “escolher” o que ler às vezes. Então vou passar a semana toda, provavelmente, lendo só ele – se bem que meu ritmo está bem adiantado, até. Read more

Leitura da Semana: O Último Olimpiano

O Leitura da Semana tá sendo algo simbólico nesses últimos dias. Ando lendo mais de um livro por semana e, da última postagem para cá, li dois e nem comentei. Um deles foi Sob o Céu de Agosto, cuja resenha já está no ar desde segunda-feira, e o outro O Palácio de Inverno, de John Boyne, que vou publicar a resenha amanhã. Livros muito bons, por sinal, o que colaboraram por lê-los em um tempo tão curto. O livro “eleito” da semana, então, foi O Último Olimpiano, de Rick Riordan, finaleira da série Percy Jackson e os Olimpianos.

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