No mundo corporativo, nada é mais importante do que a produtividade. Se alguma coisa irá melhorar a produtividade dos funcionários, ela será implementada. Se alguma coisa influenciar negativamente essa produtividade, ela será proibida – pelo menos seria assim na teoria, mas sabemos que nem sempre é o que acontece. No mundo corporativo, um assunto que certamente é delicado e afeta o desempenho dos funcionários são os seus desejos carnais. O estresse do ambiente de trabalho combinado com a presença de mulheres no escritório – mais ainda se a vida conjugal em casa não estiver aquelas coisas – pode desencadear uma série de comportamentos inaceitáveis que influenciam naquilo que mais importa para uma empresa: a produtividade.

Nunca antes na história (deste país) desta leitora, um livro de Nicole Krauss caiu em suas mãos. Eu conhecia o nome, sabia que deveria estar na minha lista de autoras contemporâneas lidas, mas fora isso, não tinha nenhuma outra informação sobre ela e seus livros – deixemos os dados matrimoniais de lado. No último mês, chegou aqui no Brasil seu romance mais recente, Floresta escura, traduzido por Sara Grünhagen e lançado pela Companhia das Letras. Aí aproveitei.

Quando ganhei Marlena, de Julie Buntin, a recomendação é de que o romance se assemelhava à tetralogia napolitana de Elena Ferrante. Aos trinta e poucos anos, Catherine, que trabalha como relações públicas de uma biblioteca em Nova York, recebe uma ligação inesperada: Sal, irmão mais novo de uma amiga de sua adolescência. Ele quer encontrar Cat para conversar sobre sua irmão, os dias que antecedem esse encontro liberam em Cat todas as lembranças dos oito meses que conviveu com Marlena na pequena e fria Silver Lake – ela com 15 anos, a amiga, com 18. Uma amizade tão intensa e reveladora que, mesmo anos depois da morte de Marlena, ainda afeta Cat.

No dia 16 de março de 1947, Archibald Isaac Ferguson nasceu. Filho de Rose Adler, fotógrafa, e Stanley Ferguson, que junto com seus dois irmãos tocava uma loja de móveis em New Jersey. Archie (ou Ferguson, como será chamado de seu nascimento em diante) teve uma infância normal: era amado pelos pais – mais pela mãe, com quem passava a maior parte do tempo –, brincava, praticava esportes, lia muito – por influência de Mildred, sua única tia materna –, tinha bons amigos no colégio, tirava boas notas, ia a cada verão para um acampamento para crianças judias. Ferguson gostava de histórias, gostava de contá-las também, e tinha uma curiosidade grande sobre o mundo. Ferguson perdeu o pai quando ainda criança. Ferguson viu os pais se separarem na sua adolescência. Ferguson foi filho de uma família rica e de uma família à margem da dificuldade financeira. Ferguson adorava beisebol e adorava basquete. Ferguson teve quatro histórias sobre si mesmo para contar.

Eu não fazia ideia de quem era Lucia Berlin até o lançamento de Manual da faxineira aqui no Brasil. Por algum motivo – talvez por causa da capa, ou do título –, não dei atenção para o livro quando começou a sair naquelas listas estrangeiras de melhores livros do ano, em 2015. Berlin não era uma autora muito lida nos EUA – sim, ela é americana –, ela era conhecida entre outros escritores, admirada por eles, mas não chegou a atingir o grande público. Não até Manual da faxineira. E não é porque seus contos são difíceis, intelectuais demais ou algo do tipo. Berlin tem uma escrita direta e bem-humorada, não é de se entender mesmo porque só anos depois de sua morte é que seus textos finalmente “estouraram”.

Sei que é bobagem essa coisa de “currículo literário”, de que certas obras ou autores são obrigatórias. Mas sempre senti que, se tem um autor que eu deveria mesmo ler, esse seria Philip Roth. E demorei para pegar um livro dele. Com todo esse negócio de Donald Trump presidente, Bolsonaros e seus fãs, gente achando que a ditadura deve voltar e tudo o mais, a escolha para começar a ler Roth foi mais do que certeira: Complô contra a América, lançado em 2004 (tradução de Paulo Henriques Britto).

Lydia Davis é um dos principais nomes do conto norte-americano. Tipos de perturbação, seu primeiro livro lançado no Brasil, é uma boa prova disso. Com contos curtíssimos, alguns com apenas um parágrafo ou uma frase, até os contos mais longos, Davis cria histórias como se isso fosse a coisa mais fácil do mundo. São textos que falam de solidão, relacionamentos, arte, abrir embalagens difíceis, tudo com um humor sutil, sem precisar carregar nos enfeites – isso quando tem enfeites. Mas seu primeiro romance que li não me causou o mesmo efeito.

George Saunders é um dos principais nomes do conto norte-americano. Aqui no Brasil, lançou Dez de dezembro, livro que reúne dez contos que, como escrevi na época, são “de alguma forma ligados a questões como a realidade obscura da vida no subúrbio, conflitos morais, o cotidiano com suas falhas, acertos, dramas e comédias”. Os contos possuem certa dose de fantasia, ou de absurdo, mas são, basicamente, sobre questões existenciais, sobre o comum da vida. Lembro de ter gostado de tudo nesses contos: dos enredos, das personagens, da maneira com que Saunders escreve. Então não foi por puro acaso que li Lincoln in the Bardo, seu primeiro romance que foi lançado no começo desse ano.

Esse é um daqueles raros casos em que fiquei com muita vontade de ler o livro depois de ver o filme. Quando saí da sessão de A chegada, queria conhecer tanto a história original quanto os outros contos de Ted Chiang – a ideia toda apresentada no filme me pareceu legal demais para me contentar só com o audiovisual. Claro que as indicações de pessoas cujo gosto literário eu confio também ajudaram na decisão de ler Chiang, assim como algumas entrevistas do próprio autor – ele parece ser um daqueles caras de boas que não quer muita atenção, só fazer seu trabalho e escrever uns textos fictícios vez ou outra, gosto desse pessoal.

Se tem uma coisa que eu gostaria de fazer mais é reler os livros que eu gosto. Tem histórias que merecem receber nova atenção, entrar novamente nelas com um pouco mais de experiência e com uma visão diferente. Fora que, com as boas histórias que você já conhece, a chance de se divertir e se encantar com a leitura são grandes. É aquela coisa de reencontrar um amigo antigo que você gostava muito mas que, por algum motivo, não tinha mais muito contato. Nesse ano consegui, finalmente, reler A história secreta, de Donna Tartt. O engraçado é que só percebi que já tinha lido esse livro quando foi lançado no Brasil O pintassilgo, seu romance mais recente. Eu lembrava que, quando eu tinha 15 ou 16 anos, eu li uma história sobre um grupo de estudantes de grego e havia gostado muito dela. Acho que foi um dos primeiros livros mais “densos” que eu tinha lido na vida depois de Harry Potter. O problema é que eu não lembrava do título do livro e nem quem era a autora. E aí reencontrei Donna Tartt.