Quando o Brasil pulava ao som das maiores bandas de rock na primeira edição do Rock in Rio em 1985, Porto Alegre assistia silenciosa à primeira – e planejada última – apresentação de uma tal banda chamada Engenheiros do Hawaii. Formada por alunos de um curso de Arquitetura da capital gaúcha, essa foi a primeira aparição do que seria uma das maiores bandas de rock do país, ou pelo menos do Sul, ou pelo menos uma banda bem conhecida. Nasci anos depois dessa primeira apresentação, quando os CDs já haviam sido lançados e os Engenheiros já tinham certo sucesso, mas descobri a banda só na adolescência. E como toda adolescente, tive fases em que gostei e desgostei das músicas, mas o certo é que ouvi muito “O Papa é Pop”, “Dom Quixote” e “Infinita Highway”.

Por isso a curiosidade de ler Pra Ser Sincero – 123 variações sobre um mesmo tema, livro em que Humberto Gessinger (a cabeça por trás de todas as letras, a voz, o baixo e a guitarra dos Engenheiros) narra momentos da trajetória da banda. Ele passa pelos principais momentos da banda, das trocas de integrantes até a pausa e o lançamento do projeto Pouca Vogal, realizado junto com Duca Lendecker – outro nome bem conhecido do rock (ou pop?) aqui do Sul. Publicado pela editora Belas-Letras, o livro é um volume recheado de fotos da carreira do Engenheiros do Hawaii e ainda as tais “123 variações sobre um mesmo tema” trazidos por Gessinger no subtítulo. O número é uma presença obsessiva e não explicada no livro, mas as letras de música que ele traz fazem jus a esse valor – e ao tema, que é, certamente, música. Gessinger escolheu 123 composições suas para serem publicadas, algumas seguidas de comentários sobre a letra ou memórias ligadas a elas.

Nick Hornby é conhecido principalmente por Alta Fidelidade, um livro sobre um dono de loja de discos lamentando o pé-na-bunda que recebeu da namorada, adaptado para os cinemas com John Cusak estrelando o filme. É dele também O Grande Garoto, que teve o mesmo destino, mas esse com Hugh Grant de protagonista. Hornby ainda tem muitos outros livros que foram sucesso de vendas, e tem um estilo que agrada sempre a seus leitores, principalmente os aficionados por música. O autor tem claramente uma forte ligação com ela, e em seu novo livro isso não é diferente. Juliet, Nua e Crua é o meu primeiro Hornby.