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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Tag: Resenhas (page 1 of 7)

O palácio da memória, de Nate DiMeo

o-palacio-da-memoriaÀs vezes personagens extraordinários se perdem na história. Muita gente já passou por esse mundo, poucas foram responsáveis por feitos notáveis, mas mesmo assim é um número considerável de gente que merece ser lembrada pelo que viveu, pelas dificuldades que enfrentou. Pena que esquecemos fácil. Nossa memória é incrível, mas não é das melhores. Seja por silenciamento premeditado ou pela passagem do tempo, nós esquecemos.

O palácio da memória é um projeto bacana por resgatar isso. O podcast The memory palace conta histórias de pessoas que não estão inscritas na grande História. Ex-escravos, mulheres que não se contentavam com o papel de boa esposa, visionários, cientistas, inventores… Nate DiMeo resgata essas pessoas de um passado não tão distante, e cria uma narrativa para aquilo que foi esquecido. Como Caetano W. Galindo, o tradutor, conta no posfácio do livro, ele se encantou com o podcast durante um voo longo. As narrativas de DiMeo, ele pensou, dariam um bom livro. E assim surgiu O palácio da memória, a versão “texto” do podcast lançada exclusivamente no Brasil pela Todavia.

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Swing Time, de Zadie Smith

swing-timeDuas meninas se conhecem nas aulinhas de dança do bairro. Duas meninas pardas, filhas de pais brancos e negros. Uma delas, Tracey, demonstra um talento singular logo de início. A mãe, branca e espalhafatosa, mima a garota com o que ela quer, e Tracey tem uma liberdade que nenhuma outra criança do bairro tem. O pai, negro, está preso – mas para a pequena Tracey ele está em turnê com Michael Jackson. A outra menina, que vem a ser a narradora de Swing Time, romance mais recente de Zadie Smith, não tem o mesmo talento, mas é apaixonada por musicais – com todas as suas canções e danças. Sua mãe, descendente de jamaicanos, é uma dona de casa mergulhada em leituras que tenta passar à filha um senso de identidade. O pai, branco, trabalha nos correios e, apesar de apaixonado pela esposa, sente que é deixado de lado pelo seu autodidatismo. Tracey e a narradora são duas crianças com muito em comum, mas também guardam diferenças gigantescas.

Swing Time começa com a narradora já em seus trinta e poucos anos, voltando para Londres após ser demitida de seu emprego como assistente pessoal de uma cantora pop australiana mundialmente famosa – algo tipo uma Madonna. Não sabemos o motivo da demissão e nem por que a narradora está recebendo tantas mensagens raivosas em seu celular, trancada num quarto de hotel sem contato com a família ou amigos. Mas ao passear pela cidade ela começa a revelar sua história, e essa amiga de infância, Tracey, tem papel fundamental nela. Read more

A espuma dos dias, de Boris Vian

a-espuma-dos-diasNa primeira vez em que vi a capa de A espuma dos dias, livro de Boris Vian, pensei: “minhas avós adorariam essa imagem”. Os dois periquitos rodeados por flores chamam a atenção de longe pelo seu estilo kitsch, que nesse caso não é nem um pouco ruim. Acredito que não há imagem melhor para representar o romance de Vian, que brinca com o absurdo e o inusitado para contar a história de vida e morte de um amor. Afinal, o amor é brega na maior parte do tempo.

Publicado originalmente em 1947, A espuma dos dias apresenta uma realidade em que pianos dão forma e sabor a elaborados drinks, ratos são os melhores amigos de um cozinheiro – e esse, uma das pessoas mais respeitáveis do círculo social do protagonista, diferente de sua irmã, que resolveu estudar filosofia. As geringonças descritas por Vian são um deleite à parte na construção do livro, concentrado na vida breve do jovem casal Colin e Chloé. Para Colin, a vida existe apenas para ser aproveitada. O rico rapaz não economiza sua conta bancária para se divertir com amigos, promover festas e passeios, desfrutar das coisas caras. Quando encontra Chloé e, instantaneamente, decide que com ela irá se casar, desfrutar do prazer desse momento é o seu grande objetivo. As ações das personagens são assim, impulsivas e impensadas, e no momento em que as ideias surgem, tratam logo de executá-las.

Leia a resenha completa no Posfácio

As virgens suicidas, de Jeffrey Eugenides

as-virgens-suicidasQuando Cecilia cortou seus pulsos e se deixou esvair em sangue dentro da banheira da família Lisbon, a preocupação pelo bem-estar das meninas tornou-se fato de curiosidade de todos os moradores daquela rua de classe-média. A tentativa de suicídio aos 13 anos de idade confirmou que havia algo de errado com a caçula dos Lisbon. Para tentar recuperá-la, seus pais afrouxaram as regras da casa para ela e suas irmãs Lux, Bonnie, Mary e Therese – de 14, 15, 16 e 17 anos. Porém, a determinação de Cecilia era mesmo tirar a própria vida, e durante uma festa das irmãs para os seus vizinhos e colegas, a garota atinge seu objetivo ao se jogar da janela de seu quarto e cair em cima da cerca pontiaguda que rodeava a casa. Em um ano, todas as suas irmãs procurariam semelhante destino.

Quem narra a trágica história das garotas Lisbon em As virgens suicidas são seus próprios vizinhos, encantados pela beleza das meninas e também pela distância que guardam dela, o que as tornam praticamente intocáveis, alcançadas apenas em sonho. O livro de Jeffrey Eugenides é uma de suas obras mais aclamadas, e foi adaptado para as telas do cinema pela diretora Sofia Coppola. Os garotos contam, já adultos, tudo o que aquela rua vivenciou no ano após a morte de Cecilia, registrando minuciosamente a decadência da casa dos Lisbon e da sanidade de todos os seus moradores – não temos certeza se é apenas uma voz ou são relatos de todos que compõem a narrativa. Através de documentos, entrevistas e objetos que resgataram do lugar e guardam anos depois, tentam, de todas as maneiras, entender o que levou aquelas cinco garotas a preferirem deixar de viver em plena juventude. Read more

r.izze.nhas completa 2 aninhos!

YAY, aniversário! Hoje o r.izze.nhas comemora dois anos de atividade. Dois anos postando resenhas todas as semanas, praticamente sem folga, comentando cada livro que li – okay, alguns ficaram de fora. Mas enfim, dois anos escrevendo para quem estiver disposto a ler o que eu pensei sobre os livros que li desde 2009. Desculpa pela falta de comemoração melhor, simplesmente não consegui parar e pensar em algum presente para o leitor, até porque cada visita que o blog recebe, cada comentário, é um presente pra mim. Assim, queria retribuir, mas infelizmente não consegui fazer isso agora. Desculpa mesmo.

Mas se serve como consolo (NÃO!), esse blog, asssim como os outros sites para os quais colaboro – Meia Palavra e Amálgama – é uma das poucas coisas que eu realmente gosto de fazer. Não me importo nem um pouco de me enfurnar em casa no fim de semana para terminar um livro ou texto. Nem de ficar acordada até tarde para adiantar a leitura. É uma atividade que vem me dando muito prazer, realmente. Foi assim que, durante esses dois anos, foram publicados 257 posts, a maioria resenhas, que tiveram 1050 comentários. É bastante coisa, e é muito legal. Read more

Só Garotos, de Patti Smith

Chorar não está entre as reações que mais gosto de ter. Ironicamente, as minhas histórias preferidas são as que causaram esse efeito. Seja por alegria ou tristeza, um livro faz chorar quando o autor consegue colocar toda a emoção que sua história contém nas páginas. E surge uma obra inesquecível. Só Garotos, da roqueira Patti Smith, acabou de entrar para essa lista pessoal de bons livros. Vencedor do Prêmio Nacional do Livro dos EUA no ano passado, essa biografia lançada no fim do ano no Brasil pela Companhia das Letras transborda emoções em cada página. Um retrato de uma época cultuada pela arte que gerou, com duas vidas que respiraram poemas, músicas, pinturas e fotografia. Read more

Uma Leve Simetria, de Rafael Bán Jacobsen

Religião e paixão se cruzam e causam um embate na vida de um adolescente. Fiel aos ensinamentos judaicos, Daniel descobre, aos 13 anos, o que era o sentimento que tinha por Pedro, seu melhor amigo. Os olhares carinhosos depositados sobre ele iam além da admiração pelo jovem: caracterizavam o mais puro amor e desejo de compartilhar com Pedrotoda sua vida. A história de Daniel é contada porRafael Bán Jacobsen no livro Uma Leve Simetria, publicado pela Não Editora. Um relato que guarda uma beleza única e tristeza que ultrapassa as páginas e ligam-se ao próprio leitor. Read more

Menino Perplexo, de Israel Mendes

O que menos gosto na poesia geralmente é a rima. Considero que às vezes o poeta se preocupa mais em fazer as palavras combinarem do que fazer a poesia ter algum sentido. Odeio não entender o que está escrito, ou então tirar do texto tão pouca coisa que não me incentiva a tentar pensar sobre ela. Menino Perplexo, de Israel Mendes, reúne poemas que geralmente trabalham a rima. Mas felizmente, seus poemas não só possuem sentido claro como contam de forma simples curtas histórias. Nele, o poeta brinca com a língua portuguesa e com o próprio espaço físico do livro. Read more

A Teoria das Janelas Quebradas, de Drauzio Varella

Drauzio Varella é um nome bem conhecido de todos. Se não pelo livro Estação Carandiru, que originou o cultuado filme, é pelas suas séries sobre saúde transmitidas pela Rede Globo no Fantástico. De alguma forma, você já teve contato com o trabalho dele. No meu caso, tive apenas com as matérias na Globo mesmo, nem ao menos cheguei a ver Carandiru. Mas agora li as crônicas que o médico/escritor escreve para o jornal Folha de S. Paulo, um trabalho de 10 anos publicado no livro A Teoria das Janelas Quebradas, pela Companhia das Letras. Read more

A Sordidez das Pequenas Coisas, de Alessandro Garcia

O cotidiano é o aspecto abordado pela maioria dos contistas. O dia a dia do cidadão normal, pacato, é material para muitas histórias. Um bom escritor consegue transformar a vida de qualquer um em algo interessante para ser lido. Alessandro Garcia é um desses novos nomes da literatura que pega da vida simples temas para centrar os seus textos, e em A Sordidez das Pequenas Coisas, lançado pela Não Editora, são coisas assim que ele dá ao leitor: o cotidiano puro, pensamentos de pessoas simples e suas histórias que rendem assunto para muitos outros contos. Read more