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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Tag: Siri Hustvedt

Os 10 melhores livros de 2016

Chegou a hora, pessoal. Nunca vamos parar de fazer listas. Precisamos de listas. Precisamos categorizar o que acontece com a gente. Acho que até já perdemos a birra com as listas que reinou no ano passado. Não temos como fugir delas.

Na lista “vida em 2016”, eu colocaria algo como: “começou bom, aí ficou ruim, aí piorou, aí pareceu melhorar um pouco, agora não sei o que tá acontecendo”. Mas uma coisa é certa: 2016 foi um bom ano de leituras. Já começou com um destaque grande para obras escritas por mulheres – e o melhor foi notar que fiz isso inconscientemente, não baseei minhas escolhas em “esse foi escrito por uma mulher e por isso tenho que ler”. E também consegui bater minha meta de leitura no Goodreads (ok, 30 livros, até fácil comparado com aquele ano em que li 92…), pois sabemos como a vida adulta e proletária é difícil, e não é nem uma questão de ter tempo para ler, mas força de vontade mesmo. Considero isso uma vitória.

Depois dessa introdução nada animada, aqui vai a minha listinha de MELHORES LEITURAS DE 2016 (não é melhores lançamentos, é o que li de mais legal nesse ano mesmo).

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O mundo em chamas, de Siri Hustvedt

o-mundo-em-chamasÉ meio incrível pensar que, ainda em 2016, precisamos falar tanto sobre mais espaço para as mulheres. Mais espaço na política, nos negócios, na literatura… É incrível porque é (ou deveria ser) óbvio que mulheres são tão capazes de fazer alguma coisa e terem sucesso nela quanto um homem. Porque é óbvio que elas deveriam receber igual reconhecimento – público e monetário. Porque é óbvio que ser mulher não significa ser fraca, incapaz, ou qualquer outro adjetivo que antigamente davam à gente para justificar menor participação na sociedade. Mas parece que é difícil aceitar essa obviedade. Ou talvez nem nos damos conta de quão óbvio é. E aí as mulheres têm que, toda vez, não só tentar se sair bem num mundo masculino, mas provar que essa falta de reconhecimento existe.

Provar a existência do apagamento da mulher é o objetivo de Harriet Burden, artista com mais de 60 anos que vive em Nova York e protagonista de O mundo em chamas, de Siri Hustvedt (tradução de Ana Ban). Durante anos casada com um famoso marchand e mãe de dois filhos, o mundo artístico sempre foi o seu lugar. O problema é que esse mesmo mundo a ignora. Suas exposições não recebem atenção da imprensa, da crítica e do público. Jovens recém-saídos da faculdade de artes se saem muito melhor do que ela, que está há anos na estrada. É mais conhecida por ser esposa de Felix Lord do que por suas obras, que quase nada venderam. Até ela vir com uma ideia: expor sua arte usando “máscaras”, artistas homens que se apresentariam como autores das peças expostas para provar como a recepção à obra mudava quando se sabia que havia um “pau” por trás dela.

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